segunda-feira, 14 de maio de 2007

Liberdade, liberdade!

Aproveito a oportunidade para reproduzir um texto do companheiro do movimento Jorge Martins, dando conta duma nova peça teatral alusiva à resistência anti-salazarista e à liberdade. Agradeço ao Jorge Martins ter acedido ao repto para colaborar com o blogue do NAM.
"Estreou na passada 5ª feira, no Bar do Teatro da Trindade, «LIBERDADE, LIBERDADE!», a nova peça de Filomena Oliveira e Miguel Real, dois autores com obra firmada há alguns anos: adaptação dramatúrgica de «Memorial do Convento» (1999) e de «A Voz dos Deuses» (2000); co-autores de «Os Patriotas» e de «O Ultimatum de 1890» (2001), de «O Umbigo de Régio» (2003) e de «1755, o Grande Terramoto» (2006). Filomena Oliveira também é autora de «Tomai lá do O’Neill» (1999) e da adaptação de «A Relíquia» e da tradução e versão dramatúrgica de «O Alquimista» (2005). Miguel Real é autor de uma vasta obra de ficção e ensaio, designadamente, «Geração de 90 – Sociedade e Romance no Portugal Contemporâneo» (2001), «Memórias de Branca Dias» (2003), «A Voz da Terra» e «O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa» (2005), «O Último Negreiro» e «O Último Eça» (2006).
«Liberdade, Liberdade!» mostra-nos, com a provocada cumplicidade dos espectadores pela constante interactividade com os actores, a dura realidade portuguesa das prisões políticas entre os anos 40 e 60 do Portugal do Estado Novo e do salazarismo. No meio de um comício relâmpago num café de Lisboa, a PIDE irrompe subitamente e leva presos um estudante católico e um operário. Mais tarde, a polícia política prende também um militante comunista numa tipografia clandestina. Os três vão encontrar-se na mesma cela, onde se assiste à tortura e à coragem, à traição e à denúncia, à corrupção e à cumplicidade. A fuga torna-se uma obsessão para os presos, que acabam por ter destinos bem diferentes, em todo o caso de trágicos contornos. O Bar do Trindade acaba por ser um cenário perfeito para a eficácia deste inolvidável espectáculo. Com um excelente desempenho dos actores do Teatro Tapafuros, muito bem sublinhado pela orgânica sonora e, em particular, pela voz off de um Salazar pateticamente omnipresente, esta peça também é obrigatória para quem não quer mesmo, mesmo, mesmo esquecer os crimes da ditadura portuguesa.
Os autores explicam o que os levou a escrever «Liberdade, Liberdade!», um original de 2004 com encenação de Filomena Oliveira: «Criámos esta peça como hino de homenagem a todos os homens e mulheres que lutaram, morreram, foram presos e torturados para que Portugal pudesse ser livre»."
Jorge Martins

domingo, 13 de maio de 2007

Visita ao Posto de Comando do MFA

Aqui fica o relato do jornalista José Teles sobre a visita ao Posto de Comando do MFA:



"Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas... uma memória discreta, como deve ser. Mas insuficiente.

Estivemos lá. Lá onde o 25 de Abril se coordenou e decidiu. Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, ao tempo uma discreta arrecadação militar pouco utilizada no meio do aquartelamento, hoje pouco mais do que isso, como vamos contar. Mas foi a “sala de operações” do movimento que derrubou a Ditadura, já lá vão 33 anos. Um local para lembrar o sucesso da Revolução dos Cravos. Para gozo e fruição do Povo como nós.

Fomos umas 30 pessoas a responder à chamada do Movimento Não Apaguem a Memória! este sábado 12 de Maio, “o mês das rosas, diz-se”. E não éramos muitos? Pois sim: 30 paisanos e paisanas, juntos, à porta de armas de um estabelecimento militar - antes do 25 de Abril podia ser considerado subversivo e dar direito a carga policial.



“Visita inopinada” – assim a classificou Miguel Ferreira, dos serviços culturais da Câmara de Odivelas, que nos recebeu e serviu de cicerone, juntamente com os seus colaboradores Ana Paula e Jorge Martins. “Inopinada”, mas só por contraposição a “visita regular”, que decorre sempre no 4º domingo de cada mês, basta contactar de véspera a Divisão de Cultura e Património Cultural daquele município, tel: 219346100, tome nota e vá.

De facto é a Câmara de Odivelas que, como Núcleo Museológico, ergueu, preservou e mantém vivo aquele espaço (em colaboração com o Regimento de Engenharia 1, como tinha de ser), onde funcionou entre 24 e 26 de Abril de 1974 o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, que “inscreveu assim a Pontinha e o concelho de Odivelas na mais bela página da História de Portugal do Século XX”. Diz o folheto distribuído aos visitantes.

Um investimento apetecível para promotores imobiliários?
Sabíamos pelo livro de Otelo, “Alvorada em Abril”, que o Posto de Comando funcionou num barracão pré-fabricado, discreto. Constatámos que passa completamente despercebido, no meio de um aquartelamento que se estende por uma boa dezena de hectares (é bastante maior do que parece a quem passa na rua).

Soubemos, por informações no local, que o Exército terá a intenção de completar a desactivação do quartel da Pontinha e alienar aqueles terrenos que deverão valer uma pipa de massa. Qual vai ser o destino da arrecadação que serviu de PC do MFA no 25 de Abril? Terá de ser declarada previamente “monumento nacional”, impondo-se aos eventuais adquirentes dos terrenos o ónus de manter o Núcleo Museológico como está?

Monumento nacional seria talvez um exagero que o edifício não tem dignidade
arquitectónica para tanto. Mas pode ser declarado imóvel de interesse público, para o que fazem falta decisões de duas câmaras – dizem-nos. Ou pelo menos de interesse municipal. Para que, também aqui, “não se apague a memória” da Revolução.

Uma memória discreta, demasiado discreta, em nosso entender, do que foi “aquele dia inicial, inteiro e limpo”. Prometia mais a exposição de entrada lembrando os momentos cruciais daqueles dois dias:

24ABR74, 22H55: a primeira senha, depois de um corte na emissão.
Transmitida nos Emissores Associados de Lisboa, uma rádio local, por João Paulo Diniz, que disse textualmente:
Faltam cinco minutos para as 23 horas. Convosco Paulo de Carvalho com o Eurofestival de 74: «E depois do Adeus”.
Diz Otelo que “a voz do cançonetista encheu a noite”:
Quis saber quem sou
O que faço aqui...

Diz Otelo, no livro da Alvorada em Abril, publicado na Bertrand, em 1977. Aqui o que temos é a foto de Paulo Carvalho, menino e moço. Bonita. Mas insuficiente.

Esperávamos a gravação da cantiga na íntegra e a apresentação nervosa que dela fez o João Paulo Diniz. Esperávamos sobretudo um registo da emoção com que aquele tiro de partida das operações militares para o derrube do Regime foi recebido na Pontinha. Uma memória descritiva, qualquer coisa do género, inspirada por exemplo no livro de Otelo:
O tenente coronel Fisher Lopes Pires sintoniza o seu “excelente transistor Philips” nos Emissores Associados de Lisboa. Juntam-se todos “excitadíssimos” junto do aparelho. De repente, um silêncio longo, falhou a emissão.
– O que terá havido? Não me digam que “abafaram” o João Paulo Diniz?
Era só uma avaria técnica momentânea. Pontualmente, à hora combinada, a voz do locutor anuncia a senha da Revolução: Faltam cinco minutos...
– Alea jacta est – proclama Otelo. “Como César ao atravessar o Rubicão”. Afirma o próprio no livro.



25ABR74, 00H20: também temos uma bela foto de Zeca Afonso, também temos a transcrição da primeira estrofe do poema que serviu de sinal definitivo para o avanço das tropas pelo País inteiro:

Grândola, vila morena,
Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade.


Lindo, um poema digno dos deuses. Mas onde pára a gravação? Onde pára a voz de Leite de Vasconcelos, empolgado e receoso, a ler a quadra, antes de pôr a agulha no acetato? Como ecoam no posto de comando os passos cadenciados da tropa na calçada, que vem aí terminar com a ditadura, seguindo a voz do poeta-cantor, que parece ter feito aquela música, aquela letra, aquele acompanhamento, aquela gravação, especialmente, para “um dia assim”! Como a emoção no grupo do posto de comando embarga as vozes, como a cantiga é ouvida num silêncio denso! No filme de Maria de Medeiros sobre o 25 de Abril este é um momento de êxtase!

25ABR74, das 03H05 às 04H20: temos a RTP connosco, o Mónaco caiu. México conquistado sem incidentes – é o Rádio Clube ocupado, já temos emissor. É nosso o Canadá – o Quartel-General passa para os revoltosos. Nova Iorque nas mãos do Povo – é o Aeroporto da Portela sob controlo.

A exposição refere os códigos e os nomes dos locais sucessivamente ocupados, mas onde estão os diálogos trocados, com o Maior de Lima 5 (Teófilo Bento), o portavoz do Grupo Dez (Santos Coelho), os textos na parede, para a posteridade, como nas antigas repúblicas coimbrãs, como no Alcazar de Toledo, a celebrar ainda hoje o alegado heroísmo dos franquistas, que esses – para o que der e vier – souberam fazer a coisa.

Onde estão os registos de episódios como este?

RE 1, 25ABR74, 03H15: Palavra de honra? Isso é porreiro, pá!
Exultante pela facilidade da ocupação da Emissora Nacional, o capitão Frederico Morais, do CTSC, liga para o PC:
– Daqui Maior de Lima 18. Informo ocupámos Tóquio sem qualquer incidente.
– OK. Parabéns e um abraço.
Do outro lado, o cap Morais não pousa o telefone, hesita e insiste:
– Alô, Óscar. Peço informe se estamos sós ou se já houve outras ocupações.
– Afirmativo quanto à segunda parte da pergunta. Não estão isolados: Mónaco e México já caíram nas nossas mãos.
A “seca linguagem das transmissões militares” cede perante a boa notícia:
– Eh pá! Palavra de honra? Isso é porreiro, pá!
– Ok, aguentem firme. Está tudo a correr bem.

E sobretudo como este? Ouçam bem (ah se houvesse gravação, uma reconstituição, o texto deste diálogo, nas paredes nuas do auditório, por exemplo!):

RE 1, 25ABR74, 03H16:
Está tudo sossegado, senhor ministro...
Os homens do MFA na EPTm interceptam e transmitem para o posto de comando esta conversa entre Silva e Cunha, ministro da Defesa, e o general Andrade e Silva, do Exército, o celebrado vencedor do golpe das Caldas um mês antes.
– Está, senhor general? Daqui ministro da Defesa.
– Como está, senhor ministro?
– Então ainda a trabalhar a uma hora destas?
– É verdade. É que tenho de me deslocar ao Alentejo e não estarei cá todo o dia, pelo que estou aqui a arrumar os papéis.
– Alguma coisa no Alentejo?
– Não, nada de importante. Mas interessa-me sobretudo ir até Beja, onde vou assistir a uma transmissão de comando e inspeccionar a Companhia de Ordem Pública. O comandante que lá está é muito amigo do homem do monóculo, a quem telefona muitas vezes. Por isso mandei mobilizá-lo para o Ultramar e coloquei lá outro de confiança, que hoje toma posse.
– Óptimo. E como é que está a situação? Corre tudo bem?
– A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo. Peço-lhe que não se preocupe, pois está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País. Se houvesse alguma coisa, era evidente que eu não ia hoje ao Alentejo, não acha?
– Claro, claro, só perguntei para ir para casa dormir descansado. Então não o maço mais. Boa viagem pelo Alentejo.
Comentário de Otelo: “ Eram três horas e dezasseis minutos. Tínhamos na mão três objectivos fundamentais para a informação pública e o QG/RMP, raras eram as unidades do Exército que em todo o território não rolavam na estrada ou estavam prestes a fazê-lo, havia vários quartéis onde os comandantes se encontravam detidos ou tinham a sua acção neutralizada, e... os mais altos fresponsáveis militres do velho regime preparavam-se para dormir, tranquilos, as horas a que se sentiam com direito!”



E por aí adiante. Também falta na exposição a transcrição dos telefonemas de Salgueiro Maia desde as 06H00 da manhã no Terreiro do Paço, para o comando e vice-versa, que igualmente merecem honras de parede. Também falta o delicioso telefonema do cap. Luis Macedo ao princípio da manhã, do gabinete do Ministro do Exército para o Posto de Comando, a contar como o Ministro se escapara por um buraco na parede. Também faltam... as diligências de Vítor Crespo, no posto de comando, em contacto permanente com Contreiras, instalado na cave do Ministério da Marinha, a evitar que a fragata Gago Coutinho, comandada por Seixas Louçã, bombardeie o Terreiro do Paço, como lhe ordena o primeiro ministro Marcelo Caetano, a partir do Quartel do Carmo.

Ainda assim o que está vale uma visita – palavra de repórter! A sala de operações tem em tamanho natural as estátuas dos “sete magníficos”, em cera e em acrilíco, nos locais que ocuparam naquela noite:
· Otelo Saraiva de Carvalho, major de artilharia, no seu blusão de cabedal, de pé, junto ao mapa de 1973 do Automóvel Clube de Portugal – “especial para sócios” – onde ia colocando as bandeirinhas assinalando os avanços de cada coluna militar pelas estradas do País.
· Amadeu Garcia dos Santos, tenente-coronel de transmissões, sozinho numa mesa, às voltas com os seus rádios, antenas e telefones.
· Fisher Lopes Pires, tenente-coronel de engenharia, com um telefone de discar, como eram todos naquele tempo, sempre com o cachimbo na boca, dizem os cronistas.
· Sanches Osório, major de engenharia, enviado por Vítor Alves como representante do Estado-Maior naquele grupo de comando, à esquerda de Lopes Pires, tomando notas.
· Luís Macedo, capitão de engenharia, responsável pela segurança do edifício, que protegeu com um perfeito “black-out”, com cobertores nas janelas, e organizara rondas permanentes no exterior: de pé, na única estátua de cera.
· Hugo dos Santos, major de transmissões, sozinho, ao lado, numa pequena mesa, com vários rádios.
· Vítor Crespo, capitão de fragata, de pé junto à porta do fundo, em uniforme de gala, azul-escuro, com botões dourados e o boné branco dos dias de festa
Junto às paredes, armários, tão austeros como as mesas, com brochuras e encadernações, de ordens de serviço do quartel e outros documentos.

No pavilhão há ainda um pequeno centro de documentação e um gabinete de imagens, presentemente com uma exposição de Fernando Lopes Graça. E há também um auditório, inaugurado por Jorge Sampaio, “equipado com modernos meios audiovisuais”. Com capacidade para 70 pessoas e “preparado para a realização de conferências e pequenos espectáculos”. Diz o folheto.
Nele podemos ver um filme, com imagens de arquivo da RTP, vistas milhares de vezes, sempre as mesmas e não há outras, com o Povo em cima das árvores naquele dia de Abril, no Largo do Carmo. Alguns membros do nosso grupo de visitantes também estiveram lá. E alguns extractos da reconstituição histórica, com actores profissionais, levada a cabo pela SIC, no filme “A Hora da Liberdade”, há poucos anos."

José Teles


Resta referir que, no final da visita, Raimundo Narciso fez uma interessante exposição sobre a vida na clandestinidade que viveu durante muitos anos, onde se encontrava no dia 25 de Abril, precisamente no que é hoje o Concelho de Odivelas,
e Jorge Martins, em nome do
Movimento, referiu os objectivos inerentes ao espaço visitado: Preservar a Memória do local em que na noite de 24 para 25 de Abril de 1974 foram dadas as directivas para que a Revolução fosse um êxito.

sábado, 12 de maio de 2007

A resistência à Ditadura Militar e a fuga de Aquilino

Acaba de ser publicado um inédito de Aquilino Ribeiro (1895-1963) onde este conclui o relato da sua fuga do presídio do Fontelo para França.
O texto alude à fase inicial de combate democrático à Ditadura Militar, 1927/8, incluindo as movimentações e conspirações republicanas em que o escritor beirão tomou parte activa.
Este relato é uma parte da sua autobiografia nunca publicada, Tempos do meu tempo, embora esta e outra fuga política do cárcere, em 1908, venham referidas nos seus livros O arcanjo negro (1947) e Um escritor confessa-se (memórias), obra póstuma, de 1974 (vd. excerto aqui). Jorge Reis recolheu os escritos do exílio parisiense de Aquilino em Páginas do Exílio. Cartas e crónicas de Paris (1988).
O relato agora publicado pelos Cadernos Aquilinianos é a continuação dum outro artigo editado no seu n.º 3, de 1995. Esta revista é editada em Viseu pelo Centro de Estudos Aquilino Ribeiro.
Mais informações na notícia "Aquilino inédito" (O Primeiro de Janeiro, 12/V).
O seu espólio particular, composto por 138 cxs., está depositado na BN (vd. aqui).
PS: em 2006 a RTP produziu uma série baseada no romance Quando os lobos uivam (vd. aqui), obra de 1958 na qual Aquilino ficciona a resistência campesina e que custaria ao autor a proibição do livro bem como uma inaudita perseguição política e judicial (este caso é relatado no ensaio Em defesa de Aquilino, de Alfredo Caldeira e Diana Andringa, bem como em "Aquilino Ribeiro e a justiça", de Martinho da Silva); tb. recentemente a Fundação Aquilino Ribeiro editou o Catálogo da Biblioteca de Aquilino Ribeiro.
Na imagem, o grupo fundador da revista Seara Nova (da esq.ª para a dir.ª): Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença e Câmara Reis; sentados: Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Brandão (Coimbra, IV/1921). Jaime Cortesão acompanhará Aquilino no exílio, onde se envolverão em organizações de resistência à ditadura.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

ESPAÇOS DA MEMÓRIA - 16 de Maio 2007, 21 horas


SEDE NACIONAL DA ORDEM DOS ARQUITECTOS
TRAVESSA DO CARVALHO 23, LISBOA
CONTRIBUTO PARA A ELABORAÇÃO DE UM “ROTEIRO DA MEMÓRIA E DA RESISTÊNCIA DA CIDADE DE LISBOA”


Lisboa, à imagem do país, teve ao longo dos 48 anos de ditadura fascista um longo percurso de momentos e locais que conduziram ao 25 de Abril de 1974:

MOMENTOS COMO AS GREVES DE 42 (estivadores, Carris, construção naval); as greves dos tanoeiros, da construção naval e outras (1947, 1950 e anos seguintes); os assassínios de Militão Ribeiro (1949), José Moreira (na PIDE, em 1950), Raul Alves (na PIDE, em 1958), Dias Coelho 1961), Fineza (1962), Ribeiro dos Santos (1972), e os mortos do 25 de Abril na António Maria Cardoso (1974); o atentado a Salazar; a preparação da “revolta da Sé” (1959);
LOCAIS DE TORTURA nas esquadras de polícia (antes de 1945) e na sede da PIDE na António Maria Cardoso; locais de prisão como o Aljube, a Penitenciária e as Mónicas; locais de destruição como a Sociedade Portuguesa de Escritores; locais de (in)“Justiça” como o Tribunal Plenário;
MANIFESTAÇÕES, AS GRANDES manifestações do “fim da guerra”, pró-aliados e de unidade anti-fascista (1945); manifestações e greves estudantis pelos mais diversos motivos (1945, 1947, 1952, 1957, 1962 e 1969); manifestações e repressão nas comemorações do 5 de Outubro; a recepção a Humberto Delgado em Santa Apolónia (1958); as manifestações do 1.º de Maio (nomeadamente em 1962); a fuga de Henrique Galvão do Hospital Santa Maria (1959); as diversas fugas do Aljube, do Porto, de Caxias e de Peniche; as veladas e vigílias pela paz e contra a guerra (S. Domingosem 1969 e Capela do Rato em 1972);
e finalmente o 25 de Abril, no Terreiro do Paço, no Carmo e na cidade inteira; e o 1.º de Maio da alameda ao estádio da “FNAT”.
A estes marcos da nossa História recente correspondem homens e espaços reais que (já) são hoje locais e momentos da nossa memóriacolectiva.
Em Outubro de 2005, uma manifestação de cidadãos junto da ex-sede da PIDE – que foi o centro da organização e funcionamento da repressão – exigiu que ali fique assinalada a memória deste sinistro local: aqui nasceu o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória que acordou, com a Câmara Municipal de Lisboa e o promotor imobiliário, na existência de um espaço museológico que, homenageando o Povo de Lisboa e o Povo Português, recordando o que de infame ali se passou, virá a integrar um futuro “Roteiro da Memória e da Resistência da Cidade de Lisboa”.



ESTA INICIATIVA CONJUNTA DO NÃO APAGUEM A MEMÓRIA E DA ORDEM DOS ARQUITECTOS PRETENDE DINAMIZAR ESTA QUESTÃO, NA SEQUÊNCIA DA RECENTE DISCUSSÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA QUE RECOMENDA O APOIO A INICIATIVAS DAS AUTARQUIAS E DA SOCIEDADE CIVIL A PROGRAMAS DE MUSEALIZAÇÃO QUE APROVEITEM EDIFÍCIOS QUE SEJAM HISTORICAMENTE IDENTIFICADOS COMO RELEVANTES NA RESISTÊNCIA À DITADURA.
Fica um apelo:
Que os “Espaços da Memória – repressão, resistência e liberdade” – não sejam destruídos, antes sejam preservados com a ajuda e colaboração de todos.
Que os compromissos assumidos pelo Não Apaguem a Memória, pela Câmara Municipal de Lisboa e pelo promotor imobiliário sejam respeitados e cumpridos.

Maio de 2007
RUA DA MISERICÓRDIA 95 1200-271 LISBOA
http://naoapaguemamemoria2.blogspot.com/

NA OCASIÃO É LANÇADO UM ÁLBUM DE SERIGRAFIAS DE NUNO TEOTÓNIO PEREIRA, “DESENHOS DE ARQUITECTURA”, PRODUZIDAS PELO CENTRO PORTUGUÊS DE SERIGRAFIA

1900 - de Bernardo Bertolucci






TÍTULO DO FILME: 1900 (Novecento, ALE/FRA/ITA 1976)
DIRECÇÃO: Bernardo Bertolucci
ELENCO: Robert De Niro, Gerard Depardieu, Burt Lancaster,
Dominique Sanda, Donald Sutherland, Ainda Valli, Stefania Sandrelli.
243 min www.fox.home

RESUMO
O filme faz uma retrospectiva histórica da Itália desde o início do século XX até ao término da Segunda Guerra Mundial, com base na vida de Olmo, filho bastardo de camponeses, e Alfredo, herdeiro de uma rica família de latifundiários. Apesar da amizade desde a infância, a origem social fala mais alto e coloca-os em pólos política e ideologicamente antagónicos.
Através da vida de Olmo e Alfredo, o fime retrata o intenso cenário político que marcou a Itália e o mundo nas primeiras décadas desse século, representado pelo fortalecimento das lutas trabalhistas ligadas ao socialismo em oposição à ascensão do fascismo.
"Novecento" tornou-se um épico aclamado no mundo inteiro, sendo considerado pela crítica internacional como uma das principais obras do grande cineasta italiano Bernardo Bertolucci.

CONTEXTO HISTÓRICO
A primeira metade do século XX foi avassaladora para a história da humanidade. Em menos de 50 anos o mundo viveu a Primeira Guerra Mundial, a Crise de 1929, a criação do primeiro Estado socialista, o totalitarismo nazifascista, além da Segunda Guerra Mundial que deixou um saldo de 50 milhões de mortos entre 1939 e 1945.
Os primeiros anosdo século XX ainda eram marcados pelo neocolonialismo, que dividindo o mundo afro-asiático entre as nações industriais, gerou uma ferrenha disputa de mercados, acirrando as divergências nacionalistas, que culminaram na Primeira Guerra Mundial em 1914. Com o término do conflito em 1918, a Europa, principal palco da guerra, estava parcialmente destruída e as democracias liberais fragilizadas pela crise económica generalizada. Esse cenário acabou criando condições historicamente favoráveis para a propagação de ideologias, que apesar de terem em comum o anti-liberalismo, se antagonizavam nos seus objectivos finais.
Por um lado, o socialismo começava a emergir como força política em vários países europeus, principalmente após o êxito inicial da Revolução Russa em 1917. Na Itália, a crise da monarquia parlamentar agravava-se com as lutas políticas entre católicos e socialistas que impediam a formação de um governo de coligação. As agitações sociais eram cada vez mais constantes e a alta burguesia, temerosa de um levante comunista, não hesitou em apoiar um grupo nacionalista ainda inexpressivo, mas decidido a manter a ordem, mesmo que pela força. Nessa conjuntura surgia o Partido Fascista, fundado em março de 1919 na cidade de Milão por Benito Mussolini, um ex-combatente socialista. Dirigindo o jornal, "Popolo Dâ?T Itália", Mussolini organizou as milícias fascistas (camisas negras), na luta contra socialistas e comunistas. Diante de pressões e ameaças, a monarquia italiana resolveu ceder e os fascistas fizeram a sua triunfal "Marcha sobre Roma". Assumindo o ministério, Mussolini, o "Duce" (chefe), através de ações criminosas foi aniquilando os seus adversários, como aconteceu em 1924, com o assassinato do deputado socialista Matteoti. Alguns meses depois quase toda oposição estava esmagada.
A proposta final de Mussolini era a formação da "Grande Itália", através de uma política militarista e expansionista, que faria ressuscitar a geopolítica do antigo Império Romano. Com uma organização política monopartidária e alimentando um nacionalismo histérico na defesa de um Estado corporativo e intervencionista, o fascismo definia-se como um regime totalitário de extrema direita refletindo uma reacção extremada da burguesia mais reaccionária, frente à crise das democracias liberais e, principalmente, ao avanço das organizações partidárias de esquerda.
Esse mesmo cenário de apreensões e incertezas, agravado pelo "crack" na bolsa de N. Y. favoreceu o fortalecimento do fascismo noutras nações. Na Alemanha, com base nos mesmos princípios do fascismo italiano, acrescidos do anti-semitismo, o nazismo recuperava a economia e o orgulho nacional da nação germânica, humilhada pelas imposições, notadamente francesas, estabelecidas pelo Tratado de Versalhes após o término da Primeira Guerra. Com investimentos maciços na indústria bélica, Hitler alimentou o militarismo expansionista para formação do III Reich e no dia 1 de setembro de 1939, invadiu a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial. A vitória dos aliados (EUA, França, Inglaterra e URSS) contra o eixo (Itália, Alemanha e Japão), deu-se somente em agosto de 1945, após o ataque atómico dos EUA sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.
Com a derrocada do nazifascismo, o cenário internacional do "pós-guerra" favoreceu tanto os governos liberais de carácter capitalista, como as repúblicas populares socialistas. As lutas de libertação nacional e a corrida armamentista nuclear entre os blocos capitalista (EUA) e socialista (URSS), estendeu-se até os anos 80, caracterizando o contexto da "guerra fria".




Bernardo Bertolucci (Parma, 16 de março de 1941) é um cineasta italiano.
Antes de fazer cinema, estudou na Universidade de
Roma e ganhou fama como poeta. Em 1961 trabalhou como assistente de direcção no filme Accattone, de Pier Paolo Pasolini. Em 1962, dirigiu La commare secca, mas obteve reconhecimento com seu segundo filme, Antes da revolução, em que já demonstrava o seu estilo político e comprometido com o seu tempo. Em 1967, escreveu o roteiro de Era uma vez no oeste, o melhor filme de Sérgio Leone.
Já nos
Estados Unidos, dirigiu O conformista (1970), que chegou a ser indicado para o Óscar de melhor argumento. Em 1972, a sua primeira obra-prima, O último tango em Paris, escandalizou meio mundo e deu a Bertolucci mais uma chance de concorrer ao Óscar, desta vez como director. Depois de fazer 1900, um filme monumental e muito ambicioso, Bertolucci partiu para o drama intimista em La Luna.
Poucos cineastas demonstram tanta versatilidade, mantendo sempre a sua marca autoral. Em
1987, consagrou-se com O último imperador, que recebeu nove Óscars, incluindo os de melhor filme e melhor diretor. Em O céu que nos protege (no Brasil), Um chá no deserto (em Portugal), nova obra-prima, rodado em 1990, em pleno deserto do Sahara, Bertolucci extraiu interpretações fantásticas de Debra Winger e John Malkovich. Seguiram-se O pequeno buda prejudicado por uma certa frouxidão narrativa.
Os seus últimos filmes falam de relacionamentos e sentimentos, são profundamente intimistas como e
Beleza roubada e Assédio. Bertolucci é um cineasta ousado, que gosta de movimentos de câmara sofisticados, roteiros inteligentes e não tem medo de experimentar, mesmo quando trabalha com grandes orçamentos. Está em plena atividade e certamente vai virar o século à procura de um novo "clássico" para a sua já ampla colecção.
Da Wikipédia

segunda-feira, 7 de maio de 2007

11º Plenário do Movimento - dia 09/05/2007 - 21:30 horas

Convoca-se o Plenário do Movimento Não Apaguem a Memória para o próximo dia 9 de Maio de 2007, às 21:30 horas, a realizar na sede da Associação 25 de Abril, na Rua da Misericórdia, 95 em Lisboa.

A Ordem de Trabalhos é a seguinte:

1. Leitura e Aprovação da Acta do Plenário anterior.

2. Grupos de trabalho – ponto de situação / próximas acções

3. Informações:

3.1. Organização do Movimento

3.2. Debate Parlamentar do dia 30 de Março e resolução a ser votada na A.R.

3.3. Arraial e 25 de Abril

4. Composição da Mesa do Plenário para os próximos Plenários

A Mesa do Plenário

Visita ao Posto de Comando do MFA - dia 12/05/2007 às 10:00


"Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária."


No cumprimento do objectivo fundador e central do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória, o Grupo de Trabalho “Roteiros da Memória” vai promover, no próximo dia 12, sábado, às 10.00h, uma visita ao Núcleo Museológico do Posto de Comando do M.F.A., instalado no Regimento de Engenharia 1, localizado na Pontinha, na sequência da colaboração acordada entre a Câmara Municipal de Odivelas e o NAM, que passará, entre outras iniciativas conjuntas, pela criação de um Roteiro de Odivelas da Memória da Resistência e da Liberdade, que terá como ponto central justamente o Posto de Comando.

Esta visita é particularmente importante, pois trata-se de preservar o edifício de onde o MFA dirigiu todas as operações do 25 de Abril de 1974. Foi ali que Marcelo Caetano esteve detido, levado pelo capitão Salgueiro Maia, tal como Silva Pais, director da PIDE/DGS e Ruy Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros. Foi ali que o programa do MFA foi dado a conhecer ao país pelo major Vítor Alves.

Instalado num quartel, o edifício do Posto de Comando está sempre dependente do futuro do mesmo. Assim, para que não lamentemos um dia o apagamento da memória do Posto de Comando do MFA, é imperioso que o divulguemos hoje e façamos dele um dos eixos de intervenção do nosso Movimento Cívico.

A visita do dia 12 terá como convidado especial o jornalista António Valdemar, que fez reportagem na primeira conferência de imprensa da Junta de Salvação Nacional, realizada na manhã de 26 de Abril de 74, justamente no Posto de Comando.

Para participar na visita, basta aparecer às 9.45h da manhã do próximo sábado à porta do quartel da Pontinha (a estação do Metro da Pontinha fica a 50 metros do quartel).

Apareçam. Não deixem apagar a memória do Posto de Comando do MFA!


Para lá chegar:
Descer na estação de metro da Pontinha e o quartel fica a 50 ou 100 metros. Basta perguntar onde é o quartel da Pontinha. O nosso companheiro Jorge Martins estará lá à porta.

domingo, 6 de maio de 2007

"Por teu livre pensamento" - a exposição

O verso de David Mourão Ferreira, cantado por Amália no "Fado Peniche", dá título a uma exposição de fotografias de João Pina (1980-), patente ao público no Centro Português de Fotografia (Porto), até 24 de Junho.
Esta exposição, tal como o livro homónimo, conta a história de cárcere de 25 ex-presos políticos portugueses. As 55 provas expostas apresentam os fotografados em espaços associados à sua própria história de resistentes antifascistas e/ou em locais relacionados com a sua actividade actual. Este trabalho é um roteiro com os meios e pelos lugares da memória da resistência ao Estado Novo e da luta pela democracia.
"A relação entre a fotografia e a preservação da memória é óbvia e de fácil constatação. No entanto, não se pode deixar de recomendar uma observação mais atenta de alguns pormenores que poderão escapar a um olhar menos precavido. Atente-se que, enquanto alguns dos retratados conseguem esboçar um sorriso quando, perante a câmara de João Pina, acederam recriar as célebres fotos de frente-perfil-três quartos que davam um rosto às fichas e cadastros da PIDE, para outros, mais de 30 anos após a queda do regime que os enclausurou e torturou, os traumas e hábitos causados pelas duras experiências a que estiveram submetidos parecem ainda não estar ultrapassados. Tal é facilmente constatável com um mero exercício de comparação das expressões adoptadas por muitos destes ex-presos políticos perante os “fotógrafos” da polícia política com as assumidas na produção deste trabalho, expressões fechadas que muitas das vezes, tinham por objectivo dificultar uma posterior identificação quando lograssem voltar a conquistar a liberdade." Rui Daniel Galiza (co-autor do livro).
Para quem está muito longe do Porto e não pode mesmo deslocar-se à Cadeia da Relação, o Expresso on-line desvenda 15 destas magníficas imagens.

CPF (Cadeia da Relação)
Horário
3ª a 6ª: das 15.00 às 18.00
Sábados, domingos e feriados: das 15.00 às 19.00
Encerrado à 2ª feira
Entrada livre
Visitas Guiadas
Mediante marcação prévia
Telef.: 222 076 310 / Fax: 222 076 311 / e-mail:
email@cpf.pt
Serviço Gratuito

sábado, 5 de maio de 2007

A história secreta do 25 de Abril

Ainda a propósito do 25 de Abril, acaba de sair uma entrevista inédita no relançado sítio de Internet do Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa.
Intitula-se Otelo, Vítor Alves e Vasco Lourenço – os três do 25 de Abril e foi realizada pelos jornalistas Ana Sá Lopes e António Melo, há 3 anos atrás. Esta entrevista nunca fora publicada na íntegra, dada a sua extensão.
Como consta da introdução, os 3 operacionais do 25 de Abril relatam aqui "as vicissitudes de um percurso que se iniciou em Setembro de 1973, quando Vasco Lourenço clamou «Isto só lá vai com um golpe militar!», e teve o seu desfecho ao meio-dia de 23 de Abril de 1974. Nesse dia, de um cansado duplicador, Otelo retirou as derradeiras instruções, que enviou às unidades do Movimento: ao som do «Grândola, Vila Morena», às 03h00, na Rádio Renascença, saem para cumprir as missões que lhes foram destinadas".
A entrevista tem os seguintes marcos principais:
- a prisão de Vasco Lourenço e o fracasso do 16 de Março;
- as lições do 16 de Março e o Programa do MFA;
- o programa, Spínola e a operação militar;
- neutralização da PIDE e o Regimento de Comandos;
- ligações partidárias e internacionais.
Nb: já não sei donde retirei esta imagem, alguém pode ajudar a identificar a fonte?

Pombas de Guerra


Pombas de Guerra - Quatro mulheres na Guerra Civil de Espanha - de Paul Preston

O livro de Paul Preston é uma visão muito interessante sobre um dos acontecimentos mais marcantes do século XX - A Guerra Civil de Espanha.

Do livro pode-se dizer que prima pela originalidade do tema, com uma escrita de fácil leitura.

Do Sunday Telegraph:
"Quatro mulheres extraordinárias, cujas histórias pessoais dissipam qualquer ilusão de que a Guerra Civil de Espanha foi uma guerra masculina...
O livro está repleto de histórias maravilhosas e observações perspicazes. Mas, acima de tudo, estes são dramas humanos onde as questões morais, o certo e o errado, o fascismo e o comunismo desaparecem."


"A aristocrata: Pip Scott-Ellis apaixonou-se por um príncipe espanhol e partiu para Madrid numa limusina com motorista. Acabou por ser enfermeira nos hospitais franquistas na linha da frente.

A comunista: Nan Green, por outro lado, viajou até Espanha em 3.ª classe. Deixou para trás os filhos, em Inglaterra, enquanto combatia do lado das Brigadas Internacionais.

A intelectual: Margarita Nelken era uma crítica de arte e escritora, que traduzira Kafka para espanhol. Acusada pela direita católica de ser uma prostituta, tornou-se uma política radical.

A fascista: Após o seu marido ter sido morto em combate, e ter abortado assim que ouviu a notícia, Mercedes Sanz- Bachiller fundou uma organização de beneficência que iria mudar a face de Espanha."


Paul Preston é Professor da cátedra Príncipe das Astúrias de História Contemporânea Espanhola e director do Centro Cañada Blanch na London School of Economics. É membro da Academia Britânica, Comendador da Ordem de Mérito Civil e foi nomeado para Comendador do Império Britânico (CBE) em 2000. Preston foi galardoado em 2005 com o Prémio Internacional Ramon Llull concedido pelo Instituto de Estudos Catalães e pelo Instituto Ramon Llull. A 20 de Junho de 2006, foi-lhe atribuída a cadeira Marcel Proust na Academia Europea de Youste.

De Paul Preston recomendo o livro A Guerra Civil de Espanha editado em Portugal pela edições 70

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Barreiro


É sabido que o Barreiro foi um bastião da luta anti-fascista.
Neste Concelho muitas lutas se fizeram contra a ditadura de Salazar, muitos foram presos e torturados.

No Barreiro, a vida foi diferente muitas vezes. Homens e Mulheres deixaram o seu quotidiano e fizeram-se à estrada do anti-fascismo com a generosidade própria de quem se liberta de si próprio e avança na estrada de todos.

Alguns ficaram na estrada da morte, outros na estrada da vida.
A Todos só temos que agradecer e recordar.

E o Barreiro é tão bonito!

Vejam esta página. É uma página de História:

  • Barreiro
  • quarta-feira, 2 de maio de 2007

    Livros proibidos pela Ditadura Militar e o Estado Novo

    Luísa Alvim elaborou em 1992, no âmbito do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o trabalho que agora se divulga. Trata-se de uma bibliografia dos livros censurados durante a Ditadura Militar e o Estado Novo (1926-1974), existentes em três bibliotecas de depósito legal: Biblioteca Pública do Porto, Biblioteca Pública de Braga e Biblioteca Nacional. A bibliografia está organizada por áreas temáticas, segundo o esquema da Classificação Decimal Universal (CDU), e é seguida por um índice de autores e responsáveis e por um índice de títulos.
    A pesquisa bibliográfica foi realizada nos catálogos manuais da Biblioteca Pública do Porto, da Biblioteca Pública de Braga, na Base Nacional de Dados Bibliográficos - PORBASE e numa biblioteca particular.
    Esta é uma boa ferramenta para o estudo da Censura e da política cultural do Estado Novo e está disponível, desde finais de Abril, no site E-LIS - E-Prints in Library and Information, um arquivo em livre acesso para documentação no domínio das Ciências da Informação.

    terça-feira, 1 de maio de 2007

    1º de Maio

    1º de Maio de 1974 em Lisboa
    Esta fotografia foi retirada do site da ATTAC-Portugal

    Meu Maio, de Vladimir Maiakovski

    A todos
    Que saíram às ruas
    De corpo-máquina cansado,
    A todos
    Que imploram feriado
    Às costas que a terra extenua –
    Primeiro de Maio!
    Meu mundo, em primaveras,
    Derrete a neve com sol gaio.
    Sou operário –
    Este é o meu maio!
    Sou camponês - Este é o meu mês.
    Sou ferro –
    Eis o maio que eu quero!
    Sou terra –
    O maio é minha era!

    1º de Maio de 1973 - o último sem liberdade

    (José Dias Coelho, 1961)


    Ler aqui, num outro blogue.

    segunda-feira, 30 de abril de 2007

    Roma, Cidade Aberta



    Revi hoje o filme Roma - Cidade Aberta de Rossellini

    Ficha Técnica
    Título Original: Roma, Città Aperta
    Gênero: Drama
    Tempo de Duração: 98 minutos
    Ano de Lançamento (Itália): 1945
    Estúdio: Excelsa Film / Minerva Film AB
    Distribuição: Arthur Mayer & Joseph Burstyn Inc.
    Direção: Roberto Rossellini
    Roteiro: Sergio Amidei e Federico Fellini, baseado em estória de Sergio Amidei e Alberto Consiglio
    Produção: Giuseppe Amato, Roberto Rossellini e Ferruccio de Martino
    Música: Renzo Rossellini
    Fotografia: Ubaldo Arata
    Desenho de Produção: Rosario Megna
    Direção de Arte: Rosario Megna
    Edição: Eraldo da Roma


    Elenco
    Aldo Fabrizi (Don Pietro Pellegrini)
    Anna Magnani (Pina)
    Marcello Pagliero (Giorgio Manfredi)
    Vito Annichiarico (Marcello)
    Nando Bruno (Agostino)
    Harry Feist (Major Bergmann)
    Giovanna Galletti (Ingrid)
    Francesco Grandjacquet (Francesco)
    Maria Michi (Marina Mari)
    Carla Rovere (Laurette)
    Joop van Hulzen (Major Hartman)


    Sinopse
    "Roma, 1944. Um dos líderes da Resistência, Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), é procurado pelo nazistas. Giorgio planeja entregar um milhão de liras para seus compatriotas. Ele se esconde no apartamento de Francesco (Francesco Grandjacquet) e pede ajuda à noiva de Francesco, Pina (Anna Magnani), que está grávida. Giorgio planeja deixar um padre católico, Don Pietro (Aldo Fabrizi), fazer a entrega do dinheiro. Quando o prédio é cercado, Francesco é preso pelos alemães e levado para um caminhão. Gritando, Pina corre em sua direção e é metralhada no meio da rua. Giorgio foge para o apartamento de sua amante, Marina (Maria Michi), sem imaginar que este seria o maior erro da sua vida.
    Para além de ser um filme fantástico em que, cada vez que o vejo, o cinema afirma a sua arte, é também um hino à resistência, à bondade do ser humano, ao amor entre os homens."


    Passado na época da Resistência italiana ao Fascismo, o filme retrata a sociedade italiana da época, na sua mais feroz repressão.

    Personagens que não podem ser esquecidos (Pina, Don Pietro, Francesco) são o exemplo daquilo de que os homens são capazes, sem pedir nada em troca a não ser a preservação da sua honestidade, a sua auto-estima, a verdade dos seus valores.

    De um só fôlego, Rossellini retrata uma lição de vida e, ao mesmo tempo, mostra-nos a morte como Luta, Resistência e Amor ao próximo.

    Uma Obra Prima.

    Homenagem a Palma Inácio



    Palma Inácio fez da sua vida a bandeira da liberdade

    Considerado «perigoso» foi preso e torturado pela PIDE. O amor pela liberdade nunca o deixou vergar-se perante a ditadura

    Participou numa tentativa de golpe de Estado, protagonizou o primeiro desvio político de um avião, participou no assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, planeou tomar a Covilhã. Aos 85 anos, Hermínio da Palma Inácio vai ser homenageado na sua terra-natal, Ferragudo.

    Foi nesta pequena aldeia de pescadores, no concelho de Lagoa, que nasceu em 1922, mas passou a juventude em Tunes, no concelho de Silves.

    Hermínio Palma Inácio foi um homem de combate pela liberdade e pela democracia.

    Sem partido ou ideologia, Palma Inácio, como um verdadeiro homem da terra, arregaçou as mangas e pôs mãos à obra contra a ditadura de Salazar. Ditadura que estrangulou Portugal durante 48 anos.

    Desde jovem que mostrou garra e vontade de mudar o cenário político. Aos 18 anos, abandonou Tunes e alistou-se voluntariamente na Aeronáutica Militar, sendo colocado na Base Aérea nº 1, em Sintra.

    Aqui tirou o curso de mecânico de aeronaves e o de piloto civil para aviação comercial. Foi também nesta altura que estabeleceu relações com Humberto Delgado e com os círculos contestatários a Salazar.

    Jovem sonhador e amante da liberdade, Palma Inácio viveu tentando cumprir a missão da sua vida: devolver a liberdade ao povo português.

    «Conheci-o em Paris, em 1969. Ele tinha acabado de fugir da cadeia», relembrou o médico Ruy Pereira, amigo do tempo de exílio em França, que hoje vive no concelho de Lagoa.

    «Encontrámo-nos como resistentes antifascistas. Palma era um combatente. Sempre preocupado com a acção. A sua única obsessão era a acção», contou ao «barlavento» Ruy Pereira.

    Palma Inácio conseguiu sempre fugir aos tentáculos da PIDE, tendo, pelo meio, protagonizado algumas das mais rocambolescas acções de luta pelo derrube da Ditadura.

    Em 1947, participou numa tentativa de golpe de Estado, ao lado de vários oficiais generais, entre eles o general Marques Godinho. O papel de Palma Inácio consistia em sabotar os aviões. Cumpriu a missão como planeado, mas a operação correu mal.

    Começou aqui a sua primeira fuga. Foi preso perto de Loures e encarcerado no Aljube. Torturado durante doze dias e impedido de falar durante cinco meses, Palma Inácio nunca revelou o nome do oficial que o tinha incumbido da operação.



    «Nós dizíamos que as celas [no Aljube] eram as gavetas. Tinham qualquer coisa como três metros por um metro e meio. Mantinham os presos isolados, para os intimidar. Era uma grande pressão psicológica, nomeadamente através da supressão do sono. Palma passou muitos dias em supressão de sono», explicou o amigo Ruy Pereira.

    Mas nada demoveu Palma Inácio. «Era um homem de combate à ditadura. A essência da sua luta era o derrube da ditadura e conquista da liberdade», asseverou Ruy Pereira.

    O algarvio fleumático protagonizou também o primeiro desvio político de um avião, que haveria até de fazer as manchetes nos jornais internacionais.

    Na manhã de 10 de Novembro de 1961, véspera das eleições gerais em Portugal, Palma Inácio e mais quatro operacionais tomaram de assalto o avião da TAP que fazia o percurso Casablanca para Lisboa, obrigando o piloto a sobrevoar a capital a baixa altitude, lançando panfletos antifascistas sobre a capital portuguesa.

    Mas foi o assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz que fez correr muita tinta nos jornais. O grupo de operacionais que acompanhavam Palma Inácio, e que viriam a formar a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária), estudaram as alternativas para angariar fundos para a sua causa.

    Para os revolucionários, deveria ser o próprio regime a pagar as ofensivas revolucionárias. O assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz foi considerado o mais rude golpe de que há memória nas finanças da Ditadura.

    O grupo levou cerca de 30 mil contos, fugiu num avião, que o trouxe até Vila do Bispo, de onde fugiu de carro para Espanha e depois França.

    Depois deste, talvez o seu plano mais arrojado tenha sido a tentativa de tomada da Covilhã. Tomar a cidade, fazendo explodir todos os seus acessos, nomeadamente estradas e pontes, era um dos objectivos desta operação da LUAR.

    No entanto, foi uma tentativa mal conseguida. Palma Inácio foi preso, seguiu para Lisboa para depois ser julgado no Porto. Através da ajuda da sua irmã, a residir em Londres, o algarvio evadiu-se novamente da prisão, sem deixar rasto.

    «O que mais admiro nele é a sua coragem, a sua honestidade em relação à luta. Tinha e tem uma personalidade íntegra, era muito preocupado com os aspectos pragmáticos», contou Ruy Pereira.

    Considerado pela PIDE como um dos indivíduos mais perigosos, quem o conheceu de perto sabe bem o valor de um homem que tudo fez para lutar contra a repressão.

    «Era uma pessoa calma. Comunicava segurança. Era desportista, tinha uma grande disciplina física e mental. O Palma era corajoso e a sua presença dava coragem aos outros».

    Hoje, com 85 anos, Palma Inácio reside num lar em Lisboa, fundado por antigos alunos da denominada «Velha Guarda Casapiana».

    Em breve, a terra o que o viu nascer vai prestar homenagem ao homem que se «casou com a revolução».


    «Revolucionário ingénuo» preocupado com as suas gentes

    Era ainda um jovem quando se alistou na Aeronáutica Militar. Aí aprendeu a profissão de mecânico e tirou o curso de piloto civil para a aviação comercial. O monstro da II Guerra Mundial pairava sobre a Europa.

    Atento ao racionamento de comida a que os seus conterrâneos estavam sujeitos, pegou num avião Tiger e lançou pelos ares alimentos.

    Numa entrevista à revista «Grande Reportagem», em 2000, o contestatário algarvio explicou que, durante a II Guerra, «havia falta de comida, sobretudo daquela que os portugueses mais gostavam, o bacalhau. E havia na Figueira da Foz uma grande seca de bacalhau que tinha ao lado um campo de aviação pequeno. Nós íamos lá, aterrávamos, comprávamos o bacalhau, embrulhávamos o bacalhau em plástico e depois lançava-o sobre Tunes [no Algarve]».

    Ferragudo mostra orgulho em Palma Inácio

    Nasceu na vila de Ferragudo, em 1922, no seio de uma família humilde de ferroviários. Na altura em que se comemoram os 33 anos da Revolução de 25 de Abril, a Junta de Freguesia de Ferragudo vai homenagear Hermínio da Palma Inácio.

    No dia 1 de Maio, às 11 horas, será atribuído o seu nome a um largo da vila, seguindo-se a inauguração de uma exposição sobre Palma Inácio, na ACD Ferragudo.


    Texto de Mara Dionísio, publicado no Jornal Barlavento na sua edição on-line

    domingo, 29 de abril de 2007

    Absolutamente imperdível!


    Férias Grandes com Salazar, está em cena no Teatro da Politécnica até dia 13 de Maio.
    Esta comédia corrosiva e bem documentada tem como cenário uma mercearia, cujo merceeiro é, obviamente, Salazar, que faz a rigorosa contabilidade do negócio dos ovos do galinheiro que também faz parte do cenário. Ao longo da peça desfilam: Maria, a poderosa e infeliz governanta do ditador; Christine Garnier, a jornalista francesa que foi o "anjo" de Salazar, ao escrever o livro que serviu de mote ao título desta peça ("Férias com Salazar", 1952); o atormentador fantasma do general Humberto Delgado; o indispensável Cardeal Cerejeira, a tentar casar Maria com o ditador, para que este não morresse em pecado; os pides Barbieri Cardoso e Silva Pais, sempre à escuta e várias outras figuras políticas da época.
    Trata-se de um excepcional texto do espanhol Manuel Martinez Mediero, numa visão do ditador e da ditadura tão distanciada quão rigorosa, irrepreensivelmente encenada por José Carretas e com um desempenho notável de punhado de actores, numa co-produção do Teatro das Beiras e do Teatro Nacional D. Maria II e com a colaboração da espanhola Junta da Extremadura.
    Para quem não sabe se deve rir ou chorar com as memórias das tristes figuras da ditadura, é obrigatório ver as "Férias Grandes com Salazar", pois chorará de tanto rir.
    Em Cena: até 13 de Maio
    Horário: de 3ª a domingo às 21h30 sábado e domingo também às 16h
    Preço: 10 euros
    Local: Rua da Escola Politécnica, nº 56
    Metro: Rato
    Reservas: 213955209

    Jorge Martins

    quinta-feira, 26 de abril de 2007

    Comunicado acerca dos incidentes ocorridos no dia 25 de Abril

    No passado dia 25 de Abril, ao fim da tarde, ocorreram, lamentavelmente, incidentes que foram noticiados como tendo sido protagonizados pelo Movimento Não Apaguem a Memória!

    Passamos, por isso, a divulgar o Comunicado à Imprensa que hoje foi enviado para a agência Lusa:

    COMUNICADO:

    O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! terminada a sua participação no desfile das comemorações do 25 de Abril, organizou uma concentração junto da antiga sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, para lembrar e dignificar a resistência de tantos portugueses que ali foram submetidos às mais bárbaras torturas e para expressar, uma vez mais, o seu protesto contra o não cumprimento do compromisso já assumido pela CM de Lisboa e pelo Promotor imobiliário do futuro condomínio, de criação de um espaço museológico, naquele local.

    Este acto cívico de protesto, no qual participaram muitas centenas de cidadãos, decorreu em condições de absoluta normalidade com as forças de segurança presentes no local.

    Por tal razão – e muito embora deplorando os confrontos posteriormente ocorridos no dia da celebração do 25 de Abril – o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! vem expressar o seu total repúdio pelas notícias difundidas, ontem e hoje, as quais de forma inaceitável pela desinformação que revelam, associaram repetidamente o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! a estes lamentáveis acontecimentos.


    O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!

    Lisboa, 26 de Abril de 2007

    quarta-feira, 25 de abril de 2007

    25 de Abril de 2007 - Desfile para a António Maria Cardoso

    Aqui a liberdade venceu a tortura
    Milhares de pessoas responderam afirmativamente ao convite do Movimento para prolongar o desfile do 25 de Abril até à Rua António Maria Cardoso, onde clamaram o seu desejo de a antiga sede da PIDE/DGS ser recordada como lugar por excelência da resistência à ditadura fascista do Estado Novo.
    Numa silêncio, que deve sublinhar-se depois de um desfile colorido como foi o do 25 de Abril, ouviram com extrema atenção em os testemunhos de Fernando Vicente e Garcia Pereira sobre o significado da manifestação: assegurar realmente que no condomínio que ali se constrói se reserve um espaço museológico que recorde para a história o que foi a luta pela conquista da democracia.













    Fernando Vicente, um dos presos políticos que mais sofreu a tortura do sono nos longos interrogatórios que ali se fizeram, foi directo e conciso na explicação que deu sobre o que era a polícia política do regime ditatorial.
    Ali interrogava-se até à morte para arrancar aos detidos a confissão que interessa ao ditador para se perpetuar no poder. Ali se concentrava um sistema de devassa da vida privada de todos os cidadãos, que era alimentado por uma rede de bufos sem rosto, pela violação sistemática da correspondência, por um sistema de escutas arbitrário e sem controlo, por buscas domiciliárias selvagens, por cargas policiais brutais. Ali a única lei que comandava era a que a PIDE decretava.

    Garcia Pereira deu o seu testemunho do dia 25 de Abril de 1974, quando ao fim da tarde um grupo de cidadãos se dirigiu à sede da sinistra polícia reclamando a sua extinção e por esta foi recebida a tiro. Recordou a rajada que ceifou de imediato quatro manifestantes e deu parte da sua convicção de que alguns dos feridos devem ter soçobrado, mas cujo falecimento deve ter ficado ignorado nos registos hospitalares. Recordou que quando chegaram as ambulâncias, das janelas da morte saíram duas granadas de fumos, para impedir o socorro às vítimas. Recordou que os únicos mortos que naquele dia da libertação ocorreram foram os praticados pelo polícia política fascista – nomeando o inspector da PIDE/DGS que comandou as acções homicidas, Óscar Cardoso.
    Fernando Vicente
    Garcia Pereira












    Fernando Vicente em palavras sucintas explicou a motivação daquela concentração.
    Há dois anos, no 5 de Outubro de 2005, um grupo de cidadãos reuniu-se junto da antiga sede da PIDE-DGS em Lisboa, para expressar o seu protesto pelo apagamento de qualquer referência à memória histórica daquele local. Desse acto nasceu o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! e surgiu igualmente a possibilidade de corrigir o erro: inserir numa parte do condomínio um espaço que testemunhe o papel da resistência democrática à ditadura. Deu conta dos contactos estabelecidos com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o promotor imobiliário, e como foi possível estabelecer um protocolo tripartido no sentido de concretizar esse espaço de memória e lhe conferir a dignidade indispensável.
    Chegado a esse ponto, o processo entrou num impasse devido à incapacidade da CML e o promotor chegarem a um entendimento suficientemente claro quanto à definição jurídico-administrativa a conferir ao futuro espaço museológico. As conversações arrastam-se desde Maio de 2006, daí a necessidade de repor o assunto na praça pública. Daí a justificação daquela concentração.
    O Movimento, reforçado com a adesão popular que a sua iniciativa alcançou, vai insistir com os seus interlocutores para que assumam os seus compromissos e dêem os passos necessários para que o projecto museológico se torne numa realidade a muito curto prazo.
    Por isso, e para lá destes contactos, o Movimento vai avançar para estudos concretos quanto ao desenho a conferir ao espaço – já referenciado – onde há-de construir-se a memória da liberdade que naquele lugar venceu a tortura.
    O primeiro passo nesse sentido vai dar-se no próximo 16 de Maio, com a realização de um colóquio na sede da Ordem dos Arquitectos (Edifício dos Banhos de São Paulo – Travessa do Carvalho, 23, em Lisboa), onde o grupo técnico, que o Movimento já mobilizou para esse trabalho, porá em discussão pública as ideias que já concebeu para um espaço que se quer que seja um hino à liberdade e à democracia.

    No final, num gesto espontâneo de respeito e amor, os cravos vermelhos foram colocados junto ao edifício.


    Manifestação do 25 de Abril de 2007

    A Manifestação do 25 de Abril contou com milhares de pessoas que quiseram, mais uma vez, manifestar a alegria da libertação, a celebração da Democracia e a afirmação da Liberdade.
    O Movimento Não Apaguem a Memória! esteve presente ao lado dos milhares de cidadãos e cidadãs que inundaram a Av. da Liberdade, em Lisboa.
    Sindicatos, Partidos, Movimentos Cívicos, reivindicações das chamadas “minorias”, Imigrantes e cidadãos anónimos juntaram-se para comemorar a data em que Portugal passou a ser uma nação, mais uma vez, orgulhosa de si e da sua história.
    Num dia bonito, em que a luz única desta cidade brilhou, o 25 de Abril de 1974 foi recordado e defendido pelo povo da cidade de Lisboa.
    25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais! foi a palavra de ordem mais gritada.
    Vale a pena guardar estas imagens.
    Não Apaguem a Memória!

    Cravos vermelhos para sempre

    O Povo está com o MFA!

    "Minorias"?

    Ninguém vai esquecer

    O futuro