quarta-feira, 25 de abril de 2007

Há 33 anos caiu o Fascismo!


Há 33 anos:
00h20 – Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.

Comunicado do MFA às 04,20 horas
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

Comunicado do MFA às 04,45 horas
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos.
Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas.
Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem, por qualquer forma, conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.


Comunicado do MFA às 05,15 horas
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Atenção elementos das forças militarizadas e policiais. Uma vez que as Força Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa.
A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída.
Deverão, por conseguinte, conservar-se dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas.
Os comandos das forças militarizadas e policiais serão severamente responsabilizados caso incitem os seus subordinados à luta armada.


Comunicado do MFA às 07,30 horas
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Conforme tem sido transmitido, as Forças Armadas desencadearam na madrugada de hoje uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder decidida e implacavelmente a qualquer oposição que se venha a manifestar.
Consciente de que interpreta os verdadeiros sentimentos da Nação, o Movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que se recolha às suas residências.
No momento presente encontram-se já dominados e ocupados os seguintes objectivos:
- Rádio Marconi
- Rádio Clube Português
- Emissora Nacional
- Radiotelevisão Portuguesa
- Banco de Portugal
- Quartel General do Porto
- Aeroporto da Portela
- Terreiro do Paço
- Quartel General de Lisboa
As tropas prosseguem decididamente no desempenho das missões que lhes foram atribuídas.
Viva Portugal!



12h30 - É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC.

12h45 - Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia.

13h00 - Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso.
- Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho. Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos.

Comunicado do MFA às 19,50 horas
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.Continuando a dar cumprimento à sua obrigação de manter o País ao corrente do desenrolar dos acontecimentos, o Movimento das Forças Armadas informa que se concretizou a queda do Governo, tendo Sua Ex.ª o Prof. Marcelo Caetano apresentado a sua rendição incondicional a Sua Ex.ª o General António de Spínola.
O ex-presidente do conselho, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e o ex-ministro do Interior encontram-se sob custódia do Movimento, enquanto Sua Ex.ª o Almirante Américo Tomás e alguns ex-ministros do Governo se encontram refugiados em dois aquartelamentos que estão cercados pelas nossas tropas e cuja rendição se aguarda para breve.O Movimento das Forças Armadas agradece a toda a população o civismo e a colaboração demonstrados de maneira inequívoca desde o início dos acontecimentos, prova evidente de que ele era o intérprete do pensamento e dos anseios nacionais.Continua a recomendar-se a maior calma e a estrita obediência a todas as indicações que forem transmitidas. Espera-se que amanhã a vida possa retomar o seu ritmo normal, por forma a que todos, em perfeita união, consigamos construir um futuro melhor para o País.Viva Portugal!


c. 20h30 - Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Diário do 25 de Abril - 24/04/1974


Preparativos para a transmissão da senha para início das operações:
Álvaro Guerra é o elemento de ligação com Carlos Albino (ambos jornalistas do diário República), a quem pede a transmissão da canção «Venham mais Cinco» no Limite de 25 de Abril. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença embora a censura oficial a tolerasse. Sugeridas alternativas, entre as quais e à cabeça, a canção «Grândola».

MFA. Preparativos para a Acção:
No início da manhã, Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva da Grândola como senha nacional e a hora da sua transmissão no programa «Limite»: das 0h 20m para as 0h 22m. Carlos Albino contacta outro elemento da equipa do «Limite», Manuel Tomás. Por precaução e para evitar atrasos e imprevistos na emissão da senha, fazem todas as diligências necessárias à gravação de um alinhamento de programa com cerca de 10 minutos em que a leitura da primeira estrofe da Grândola aparecia ligada à leitura de outros textos. Pedem a um dos locutores habituais do «Limite», Leite de Vasconcelos, que grave esse alinhamento de textos, mas mantêm segredo sobre o verdadeiro destino dessa gravação.

Organização do posto de comando do MFA em Engenharia 1, na Pontinha.

NATO:
Várias unidades da NATO (StaNavForLant) chegam ao porto de Lisboa alegadamente para tomarem parte nas manobras aero-navais «Down Patrol», programadas para o dia 26 no Mediterrâneo. A Fragata portuguesa Almirante Gago Coutinho integra a força.

Preparativos para a transmissão da senha para início das operações:
Álvaro Guerra novamente serve de elo de ligação de Almada Contreiras com Carlos Albino, a quem comunica a escolha definitiva de «Grândola Vila Morena» como senha para o movimento militar. Carlos Albino garante a transmissão, sem que qualquer outro elemento do Limite soubesse da decisão. Carlos Albino adquire na então Livraria Opinião, a Madeira Luís, o disco "Cantigas de Maio" para garantia, sabendo que os estúdios e escritórios do Limite poderiam ser devassados pela polícia política, a qualquer momento. Desde Dezembro de 1973, havia indícios de que a PIDE preparava o assalto dos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.

Carlos Albino opta por chamar à colaboração o elemento da sua maior confiança no Limite e que era o responsável técnico e de sonoplastia, Manuel Tomás que adere por completo. Encontro decisivo com Manuel Tomás, para a execução da senha e garantia de transmissão contornando as duas censuras que o Limite enfrentava: a da Rádio Renascença e a oficial (um coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos). Carlos Albino e Manuel Tomás decidem sair dos estúdios para um local onde possam prosseguir com segurança o diálogo. Ajoelhados na Igreja de S. João de Brito e simulando rezar, Carlos Albino e Manuel Tomás combinam todos os pormenores técnicos da senha.


03h00 - O agente de ligação entrega ao major Albuquerque, do Centro de Instrução e Condução Auto 1 (CICA 1), as ordens de operações referentes às unidades da Zona Norte.

Madrugada – Recepção, no Regimento de Infantaria 14 (RI 14), em Viseu, da ordem de operações. O capitão Ferreira do Amaral transmite as instruções a Lamego e o capitão Aprígio Ramalho à Guarda.

08h00 - O capitão Castro Carneiro e o alferes Pêgo, do CICA 1, iniciam a viagem destinada a entregar as ordens de operações às unidades de Lamego (capitão Delgado da Fonseca), Vila Real (capitão Mascarenhas) e Bragança (Capitão Freixo).

08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada.

c. 09h30 - O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, entrega ao major Cardoso Fontão a ordem de missão referente ao Batalhão de Caçadores 5 (BC 5).

10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de Grândola Vila Morena como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.

c. 10h00 - Otelo envia, da estação dos CTT da rua D. Estefânia, o telegrama cifrado a Melo Antunes, contendo o GDH.

11h00 - Carlos Albino adquire na então livraria Opinião o disco «Cantigas de Maio», para garantia, já que, desde Dezembro de 73 havia indícios de que a PIDE se preparava para um assalto aos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.
- O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis e informa-o que o sinal foi antecipado em uma hora.

14h00 - O jornal República insere uma curta notícia, intitulada «LIMITE», com o seguinte teor: "O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória.»

14h?? - O major Neves Rosa comunica a Otelo que o último elemento de ligação tinha cumprido a missão.

15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa Limite que regressara de Moçambique com fama de democrata) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo o Limite um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da Rádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos. Para maior segurança, retiram-se dos estúdios para um local seguro.

15h30 - Na Igreja de S. João de Brito, simulando rezar, combinam todos os pormenores técnicos da senha.

17h00 - Os tenentes Baluda Cid, Ramos Cadete e Silva Aparício saem da EPC e dirigem-se a Lisboa, com a missão de "controlar", "aliciar" alguns oficiais e tentar "inoperacionalizar" algumas viaturas blindadas do RC 7.
- Manuel Tomás convoca Leite de Vasconcelos (um outro responsável pelo referido programa, companheiro de Manuel Tomás em Moçambique), em dia de folga na locução do Limite, para «gravar poemas». Carlos Albino escreve textos para serem visados pelo censor.

17h30 - Os graduados milicianos da EPC ultimam os preparativos para a operação, designadamente quanto a material e equipamentos.

19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco com a duração de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas Geografia e Revolução Solar, da autoria de Carlos Albino, e a canção Coro da Primavera.

20h00 - Na Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos procede à gravação dos textos que lhe são apresentados, desconhecendo o seu objectivo.

21h00 - Otelo entrega ao capitão António Ramos, no Jornal do Comércio, o conjunto de documentos finais e um saco com granadas. Pede-lhe para permanecer toda a noite junto de Spínola, juntamente com outros oficiais de confiança, assegurando-lhe que uma força militar iria garantir a segurança próxima da residência do general, sita na rua Rafael Andrade, ao Paço da Rainha.
- Os oficiais da Força Aérea (tenente-coronel Sacramento Gomes, majores Costa Neves e Campos Moura e capitães Correia Pombinho, Mendonça de Carvalho, Santos Silva e Santos Ferreira) que constituem o «10º Grupo de Comandos» reúnem-se em frente ao Grill do Hotel Ritz e iniciam a vigilância ao Rádio Clube Português

21h30 - Fecho da porta de armas da EPC. Os militares contactados, que haviam saído da unidade, fazem a sua entrada, trajando à civil, para não alertar os elementos da PIDE/DGS que rondam o quartel.

21h50 - O tenente miliciano Sousa e Silva, oficial da dia na EPC, é substituído nesta função, para poder tomar parte na operação.

c. 21h45 - O capitão Santos Coelho, do RE 1, junta-se aos seus camaradas do «10º grupo de comandos» e distribui-lhes armas e munições. Procede, em seguida, à leitura da ordem de operações e à recapitulação das missões.

22h00 - Otelo regressa ao RE 1, onde se farda. Recebe do major Sanches Osório os primeiros quatro comunicados, entregues por Vítor Alves, bem como a notícia de que o Regimento de Infantaria 1 (Amadora) não adere, deixando, assim, de garantir o cerco à prisão de Caxias e a protecção de Spínola. Entrega os comunicados ao seu adjunto para que este os faça chegar ao grupo de comandos que tomará o R.C.P.
- O capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na "Operação Fim Regime", dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem de Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.

22h30 - No Posto de Comando encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).

c. 22h48 - Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção.

c. 22h51 - Restabelecimento da emissão dos E.A.L..

22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.

23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade da Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
- Recolhem à Escola Prática de Infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo.
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, LP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2):
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA. A adesão é total.
- O capitão António Ramos abandona as instalações do Jornal do Comércio e dirige-se para a residência do general Spínola, aonde acorreram, durante a madrugada, o tenente-coronel Dias de Lima e o major Carlos Alexandre de Morais.

23h25 - O capitão Garcia Correia chega à porta de armas da EPC, acompanhado do 2º comandante, tenente-coronel Henrique Sanches, que nessa noite havia convidado para jantar em sua casa, na expectativa de o aliciar para o movimento, o que se revelara infrutífero. Este, verificando que o oficial de dia fora substituído, ordena-lhe que retire imediatamente o braçal, no que não é obedecido.

23h30 - Henrique Sanches convoca para o seu gabinete o major Costa Ferreira, os capitães Garcia Correia e Correia Bernardo, o tenente Ribeiro Sardinha e o oficial de dia substituto, capitão Pedro Aguiar. O seu objectivo é demovê-los da acção revolucionária. No entanto, é informado da sua determinação em prosseguir a acção, bem como de todos os oficiais presentes nessa noite na EPC.

(Estes textos foram retirados dos Sites da Associação 25 de Abril e Instituto Camões)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Visita à sede da PIDE no Porto


Conforme anunciado, decorreu, no passado dia 21, a visita à ex-sede da PIDE-DGS no Porto.

Joana Soares, jornalista do Primeiro de Janeiro, faz, na edição de hoje do Jornal, o relato do que lá se passou. A foto é de José Freitas.

Encontro dos que foram perseguidos pelo Estado Novo

“Não esteve no 25 de Abril? Nem sabe o que perdeu”

Opositores do fascismo salazarista. Ícones da liberdade. Abusaram da liberdade que havia no período que antecedeu o 25 de Abril. Estiveram em cativeiro, apanharam sovas da PIDE, e as marcas que carregam não transpiram um pingo de arrependimento. Pensaram-se loucos quando a liberdade lhes entrou pela rede da cela, nas instalações da ex-PIDE, no presente Museu Militar do Porto. Por favor, “não apaguem a memória”.

“Estou louco”. Estava no ano de 1974, do dia 24 de Abril deitado na cama, num quarto escuro, do estabelecimento da PIDE/DGS - Polícia Internacional e Defesa do Estado/ Direcção-Geral de Segurança na delegação do Porto, onde agora mora o Museu Militar.
Lá fora corriam palavras que não correspondiam à sua realidade. No seu entender aquela gente estava louca ou ele próprio, Jorge Carvalho, cognome «Pisco», 60 anos, “de tanto ter levado”, estava louco. “Morte à PIDE e seus apoiantes”, ouve Pisco, a tentar imaginar o que não podia ver. “Não pode ser”, exclamou para si mesmo. “Não percebia aqueles cantares. No recreio percebia que gente corria de lá p’ra cá”, Pisco dizia recorrendo aos retalhos de sua memória. “Há noite havia um cheiro a queimada” - quando não se pode ver, todos os outros sentidos ficam mais apurados. “Diziam-nos são manifestações, são flores queimadas”, tentavam enganar os sentidos de Pisco. Mas Pisco notava “à medida que avançava a noite e que o barulho” ecoava mais ferozmente pelo quarto que não era nada disso. “Foi o golpe de Spínola”, desvendou-se por fim. Depois viu-se “andar solto” pelo edifício “e ver pides”. Pisco chega, enfim, à varanda da sede da PIDE/DGS no Porto, e dali observou a Revolução dos Cravos, do povo, do 25 de Abril. E observou-se a ele mesmo: o último preso da PIDE no Porto. “Não esteve no 25 de Abril? Nem sabe o que perdeu”, jubilava Jorge Pisco. Estende-se na varanda do museu e recorda: “Foi daqui que vi os pides passar”. “Vi a Virgínia Moura [militante do Partido Comunista Português - PCP] a ser abraçada pelo advogado Arnaldo Mesquita, com tanta força que ela até caiu cheia de dores”, lembra Pisco incentivando uma gargalhada na sala do Museu Militar, onde se encontraram ex-presos, sejam políticos ou não, para trazerem ao presente a sua história passada.
No limiar do seu discurso, Jorge Pisco incita: “Isto [Museu Militar] devia ser Museu da Resistência já há muito tempo, e espaço de memória”.

“Não apaguem a memória”
Memória. A História tem que ver com esta palavra. Desfazer lugares é maquilhar a História. Perder a memória e perder traços do passado. Para “não apagar a memória”, como incentivou o coronel Manuel Pereira de Carvalho, responsável pelo actual Museu Militar. “Há factos que se podem apagar da memória”, preocupava-se o director do Museu, onde funcionou a PIDE. “Não apaguem a memória”, sublinhava o coronel, remetendo o recado para a juventude que vai percebendo menos e menos. “É preciso dizer sempre à juventude o que foi isto”, exortava. Enfim, “é preciso” continuar a “barafustar”. Para a memória ter o lugar dela - na lembrança, não no esquecimento. E, por isso, já está erigido o Movimento Cívico «Não apaguem a memória». Mas mesmo antes de falar sobre o movimento cívico, Manuel Pereira de Carvalho repetiu o trilho que aguardava a visita anual de todos aqueles que o conhecem de cor e salteado. “Começamos no rés-do-chão onde se resguardavam os presos, após o interrogatório, depois vamos visitar os gabinetes, onde funcionavam as enfermarias, e por fim vamos aos armazéns, onde eram as celas comuns”, explicava a agenda para a tarde, dando conta que este último espaço está decrépito e qualquer dia vai mesmo “cair”. “Às vezes não existe dinheiro para determinadas situações”, lastimou. E, por isso, “a memória vai ser mesmo apagada para sempre”. A assistência familiarizada com o local ansiava por aquele momento.
“Ainda tem a palavra PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa pelo Estado)? - perguntava um elemento do conjunto de visitantes. “Tem, tem” - ironizava o coronel, completando que “três ex-directores tentaram pintar a parede, mas é impossível aquela tinta continua ali”. Ou seja, a parede alinha com o recente movimento cívico - “não apaguem a memória”.

“As reuniões faziam-se como piqueniques”
Maria José Ribeiro é militante do PCP, e isto foi o passaporte para ser das primeiras e poucas mulheres, na altura do Estado Novo, a ser presa pela PIDE, torturada psicologicamente, com apenas 23 anos. Dos 23 anos aos 30, viveu assim - a ser torturada pela PIDE. Era considerada, então, “perigosa”. Não lhe falta uma vírgula para descrever os tempos “de malvadez” por que passou ao enfrentar o fascismo. E mesmo sentada no lugar, onde outrora foi maltratada, não lhe sobressaí pinta de arrependimento. Esta palavra não existe em nenhuma cara.
“Não estou comovida. Olho em redor e não reconheço este espaço”, atira Maria José, contrapondo que “a memória fica sempre, não se apaga assim”.
“Tenho 71 anos, e aos 23 vim para aqui pela primeira vez”, assim começou a ex-presa pela PIDE a sua história de vida. A sala silencia até ao último som. “Na época não era normal uma rapariga fazer parte dos grupos, e muito menos apanhadas pela PIDE”, diz. “As reuniões faziam-se como piqueniques”, conta Maria José, dando conta que inicialmente passava despercebido, mas depressa a PIDE alastrava o seu faro, ou então os “bufas” alastravam a sua boca, até à PIDE. “A PIDE detectava, torturava e prendia”. Estas palavras ganham outros contornos quando os espaços de tortura e prisão são (re)visitados. “Aqui são as salas onde a PIDE fazia os interrogatórios, e os outros presos esperavam à medida que ouviam os seus gritos”, comentava um visitante, a acompanhar os amigos ex-presos e ex-torturados pelo regime do Estado Novo.
Mas, naquela altura, Maria José não percebia o teor da prisão. A juventude não deixava. “Era natural conversar, porquê prender”, questionava. A ex-perseguida pelo fascismo português decidiu, “no meio de tantas detenções e perseguições”, não casar. “Tanta gente a ser presa, podia acontecer-me a mim”, reflectiu na altura. Mais tarde, decidiu levar avante a sua decisão - foi feliz durante 15 dias, porque a PIDE bateu-lhe à porta passados 15 dias de casar. “Uma malvadez”, repetia incansável Maria José. “Diziam que o casamento não ia sobreviver, a mim e ao meu marido”. “Uma tortura”. “Mas havia mais, muito mais e pior”, agudizava. Maria José falava em sustenido maior. A cada passo de avanço de cada palavra e a história agudizava, aumentava o volume, transpirava em dó maior - como numa orquestra.
“Numa manifestação, onde se queria tudo o que não se podia ter - a emancipação da mulher, a descolonização - senti uma mão nas minhas costas - era o meu pai”, relembra Maria José, “depois corremos os dois a rua 31 de Janeiro e ai, quando parámos, senti uma mão pesada”. “Fomos ambos levados”, reporta-se àquele tempo. Os pides afirmavam, parafraseados por Maria José, “são eles os cabecilhas”. “Uma pancadaria daquelas. De esquecer. Até insultos”, espelhava entre pausas. “Eu fiquei de joelhos, não podia levantar-me. O meu pai partiu a cabeça”, transpareceu. “Uma malvadez”.

Não sabe andar de bicicleta?
José Castro, deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Porto, recorda-se do “parlatório”, onde “os presos podiam ver os familiares e amigos, mas num espaço pequeno e através de uma rede”. “Quando aqui chegávamos tiravam-nos os cordões dos sapatos, o relógio e até os óculos. Ficávamos despojados dos nossos objectos”, conta Castro. O acto não é inocente, continua o deputado, “atribuía mais fragilidade ao preso”. “Estive aqui entre 6 a 20 de Abril de 1973, num período mais decente”, apelava à memória José Castro, para depois remeter para a razão que lhe serviu de bilhete para lhe bater à porta a PIDE. “Ocorreu uma acção de sabotagem aquando a candidatura de António Cruz para a direcção da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Fui chamado por causa disto”, partilhou, acabando por anunciar que “não houve explicação para a minha saída”. “No dia seguinte disseram que por ser Páscoa, poderia sair para estar com família”, citou a PIDE na altura.
Jorge Carvalho, de cognome «Pisco» revivia o edifício e a vida antes do 25 de Abril a cada cela e departamento cruzado. “Aqui era a enfermaria [hoje são os escritórios] onde o patife do Campilho, o médico, encharcou-me de álcool, depois de ter apanhado da PIDE”, agravou a voz e deplorou: “Ainda por cima quando me viu esmurrado perguntou-me se não sabia andar de bicicleta”. Mas quem Pisco não suportava era o «pide da brilhantina», como lhe chamavam: “Com ele ficávamos dois dias, dias, de estátua”. “Almoçávamos de pé, de frente para a parede, não nos podíamos mexer e se o fizéssemos, o que acabávamos sempre por o fazer, apanhávamos nas costas”, lembrava Jorge, o Pisco. Mas havia um que era mais benevolente. “Havia uns que a PIDE era um trabalho e que não nos faziam nada”. Mas pior do que a tortura da estátua, era mesmo a tortura do sono: “Adormecíamos, vinham, acordavam-nos para subir e descer as escadas, voltávamos para dormir, éramos novamente acordados, subíamos e descíamos as escadas”.
O director do Museu, reportava-se àquele lugar, o dos tempos da PIDE, como “sinistro”. “O antigo embaixador José Augusto Seabra conseguiu ludibriar a PIDE”, exortava Manuel Pereira de Carvalho. “Enviou um recado à mãe, que lhe trazia a alimentação, dentro da garrafa vazia do vinho a dizer, ajuda-me”, contava a história aos ex-presos, que davam sinal de confirmação com a cabeça. “Sim, porque a PIDE expressava sempre que não havia tortura”, lembrou. A PIDE negava os feitos, e “metia os bufas” nas celas juntamente com os outros presos para ver se caçava alguma coisa. Jorge Pisco apanhou dois: “Eu tinha metido um papel debaixo do bolo que veio dividido para comermos. Acabei por comer o papel para não ser apanhado”. “Quem foi?” vociferava Pisco. “Foram os dois bufas”, respondeu. O essencial ficou sublinhado, “não apaguem a memória”.

Jantares-convívio do 25 de Abril

Lembramos que amanhã, dia 24, se realiza o Jantar comemorativo do 25 de Abril da Associação 25 de Abril.O Jantar realizar-se-á a partir das 19:00 na FIL (Parque das Nações) e as inscrições podem ser feitas através do telefone 213241420, do FAX 213241429 ou para a25a.sec@25abril.org.

Agradecemos que os membros do Não Apaguem a Memória! nos comuniquem também a inscrição para paulacabecadas@sapo.pt.

Diário do 25 de Abril - 23/04/1974


A partir das dezoito horas, Otelo Saraiva de Carvalho entrega aos elementos de ligação as «Instruções Finais» e o «Anexo de Transmissões», em envelopes fechados e dissimulados no jornal A Época, operação realizada no Parque Eduardo VII. Entrega ainda alguns emissores receptores, destinados a equipar as unidades que não dispunham de aparelhos apropriados para entrarem nas redes de transmissão previstas.

Ao final da manhã, Álvaro Guerra, enviado por Almada Contreiras, encontra-se com Carlos Albino e comunica-lhe que o Movimento precisa de utilizar o programa «Limite», na madrugada do dia 25, para emitir o sinal de código para o desencadear das operações militares. O Movimento propõe a canção de José Afonso Venham mais cinco para funcionar como código. Carlos Albino sabe que essa é uma das músicas censuradas internamente na Rádio Renascença. Sugere outras alternativas, entre elas Grândola, Vila Morena.

Distribuição das «Instruções finais para as equipas de ligação», que incluem a «Hora H» e a senha e contra senha, e do Anexo de Transmissões.

Ficam definitivamente assentes as «Instruções Finais para as Equipas de Ligação» que Neves Rosa se encarrega de dactilografar. Delas constam data e hora do início das operações (25 de Abril, às três horas da manhã), algumas alterações às missões anteriormente recebidas pelas unidades, senha e contra-senha a utilizar pelas forças intervenientes (inicialmente «Fé imensa na vitória» e «Garantia melhor futuro» passam, respectivamente, a «Coragem» e «Pela vitória») e ainda outras instruções transmitidas a algumas unidades.

Reunião em casa de Vítor Crespo com a presença de vários oficiais da Armada. A Direcção do Movimento, aí representada por Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves , obteve a garantia da neutralidade dos Fuzileiros Navais.

Reunião no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, entre Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos e Jaime Neves. Fica pronto o Posto de Comando.

Álvaro Guerra é o elemento de ligação com Carlos Albino (ambos jornalistas do diário República), a quem pede a transmissão da canção «Venham mais Cinco» no Limite de 25 de Abril. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença embora a censura oficial a tolerasse. Sugeridas alternativas, entre as quais e à cabeça, a canção «Grândola».

00h15 - Otelo Saraiva de Carvalho e Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, avistam-se, no Apolo 70, com João Paulo Diniz. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, "Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus»", através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o País.- Deslocam-se, seguidamente, para junto da Penitenciária de Lisboa, onde aguardam que o ex-locutor do Programa das Forças Armadas em Bissau obtenha informação no Rádio Clube Português sobre a constituição da equipa que entrará de serviço na madrugada de 25. Este apura que o serviço de noticiário estará a cargo de Joaquim Furtado mas, conhecendo-o mal, não arrisca estabelecer contacto.

Manhã - Otelo carrega, no porta-bagagem do seu automóvel, estacionado na Academia Militar, os aparelhos rádio Racal, obtidos por Garcia dos Santos, que se destinam às unidades que não dispõem de material de transmissões, designadamente o Centro de Instrução Anti-Aérea e de Costa (CIAAC) e o Regimento de Cavalaria 3 (RC 3).

Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo Limite - um programa independente que aluga tempo de antena à Rádio Renascença - a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção Venham mais cinco, de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Sugere alternativas, entre as quais Grândola, Vila Morena.

15h00 - Otelo entrega ao major Neves Rosa os documentos finais para policopiar (anexo de transmissões, alterações de missão, indicação do grupo data-hora (GDH) de execução, modo de confirmação da Hora H e a senha e contra-senha a utilizar nos contactos com tropas). Esta missão é efectuada num período inferior a três horas, numa firma de artigos electrónicos na Rua Luciano Cordeiro, 78, pertencente ao referido oficial que coordena o sector da ligação operacional, coadjuvado pelo capitão Sousa e Castro.

Tarde - Encontro de Otelo com o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comando do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.

18h00 - Otelo inicia, na Avenida Sidónio Pais, junto ao Parque Eduardo VII, a entrega dos sobrescritos lacrados contendo as instruções finais, bem como de um exemplar do jornal Época - porta-voz do regime, código escolhido para identificar as equipas de ligação (dois oficiais por unidade, circulando cada um na sua viatura e seguindo preferencialmente itinerários diferentes, de modo a prevenir diversas eventualidades) - e, ainda, em alguns casos, material de transmissões.

20h00 - Na residência do comandante Vítor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha.- O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, procede à entrega, na residência do capitão Teófilo Bento, da ordem de missão referente à Escola Prática de Administração Militar (EPAM).

2?h00 - Otelo decide pernoitar, por razões de segurança, no RE 1.

23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria. Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que já se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia.

23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação.

23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da República, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância.

(Estes textos foram retirados dos Sites da Associação 25 de Abril e Instituto Camões)

domingo, 22 de abril de 2007

Manifestação do 25 de Abril


Há dois anos, no 5 de Outubro de 2005, um grupo de cidadãos reuniu-se junto da antiga sede da PIDE-DGS em Lisboa para expressar o seu protesto pelo apagamento de qualquer referência à memória histórica daquele local.

Desse acto nasceu o Movimento Não Apaguem a Memória!.

Desse protesto surgiu igualmente a possibilidade de corrigir o erro: inserir no vasto condomínio em que se está a transformar a antiga sede da polícia política um espaço que testemunhe a coragem da resistência democrática à ditadura e ao fascismo vulgar.


Das conversas havidas até à data com as diversas partes implicadas (o nosso Movimento, a Câmara Municipal de Lisboa e o promotor da obra) estabeleceu-se algum consenso tendo em vista a criação de um espaço dessa Memória no edifício:

O Não Apaguem a Memória! criou um grupo técnico para estudar a melhor solução para a concretização desse espaço;

a Câmara Municipal de Lisboa designou um vereador para dialogar sobre a matéria;

o Promotor imobiliário dispôs-se a aceitar trabalhar com esta equipa técnica e designou duas arquitectas para acompanhar os estudos.

No entanto, o que parecia dever resolver-se num prazo de tempo que não iria além de meses, arrasta-se desde Maio de 2006, numa situação em que o estado de ingorvenabilidade camarária influencia o andamento da construção do Núcleo Museológico da António Maria Cardoso, resultando num arrastamento absurdo e inaceitável.

Por isso decidimos repor o assunto na praça pública.

Nada melhor para isso do que o desfile do 25 de Abril, que celebra a data em que a PIDE-DGS foi derrotada. Em sangue e raiva, acentue-se, recordando aqui os cidadãos anónimos que nesse dia ali caíram, vítimas da derradeira barbárie dos torcionários do sinistro regime do “Estado Novo”.

Do Rossio, onde termina o desfile do 25 de Abril, partiremos para a Rua António Maria Cardoso. Ali reforçaremos o protesto do 5 de Outubro de 2005.

É preciso que a CML e o promotor se entendam de uma vez por todas sobre a definição jurídico-administrativa ao espaço de memória a instalar no espaço da antiga prisão fascista.

É preciso que o memorial em homenagem às vítimas da PIDE-DGS se torne realidade.
Como Vladimir Jankélévitch, também dizemos: Os deportados, os massacrados, só nos têm a nós para pensar neles. Os mortos dependem inteiramente da nossa fidelidade (L’imprescriptible, Ed.du Seuil).

A Concentração do Movimento para a Manifestação é às 14,30 horas na Av. Duque Loulé.

A Concentração para o desfile para a António Maria Cardoso é junto ao Café Nicola, após a Manifestação.


O Grupo de Ligação

Diário do 25 de Abril - 22/04/1974


- Reunião em casa de Vítor Alves de um pequeno núcleo de oficiais do Exército, da Força Aérea e da Armada. Melo Antunes lê a primeira versão do programa político do Movimento, sendo por todos aprovada.
- Melo Antunes comunica que, por ironia do destino, em resultado de um pedido seu, deferido apenas naquela altura (!), irá partir nessa noite para Ponta Delgada, devido a ter sido colocado no Comando Territorial .....dos Açores (CTIA). Fica combinado o célebre telegrama em código que o irá informar do grande momento: "Tia Aurora segue dia...Um abraço António".

- O comandante Almada Contreiras acompanha Melo Antunes ao aeroporto, sendo apresentado por este a Álvaro Guerra, jornalista do República.

00h01 - A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais. - A Escola Prática de Transmissões (EPTm), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se, sem demora, a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. Tal iniciativa viria a permitir ao Posto de Comando do MFA o acesso permanente às escutas das redes de transmissões militares e das forças de segurança, missão de apoio técnico cometida à primeira unidade militar, em que se destacaram os capitães Fialho da Rosa, Veríssimo da Cruz e Madeira.
c. 11H00 - O capitão FA Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Rádio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, que o tivera como subordinado no Comando Chefe na Guiné, com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita, depois de muito instado, aprazar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta.
Noite - Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.

Contactos do Movimento com elementos dos Emissores Associados de Lisboa e com a Rádio Renascença, para a transmissão de duas senhas através da rádio: «E depois do Adeus» de Paulo de Carvalho e «Grândola Vila Morena» de Zeca Afonso.

Junção do Anexo de Transmissões, elaborado por Garcia dos Santos, ao plano de operações do movimento militar.

(Estes textos foram retirados dos Sites da Associação 25 de Abril e Instituto Camões)

sábado, 21 de abril de 2007

Arraial do 25 de Abril


Arraial do 25 de Abril 2007

Lisboa - Largo do Carmo - 24 de Abril - das 18h ás 02h


O Arraial do 25 de Abril parte da iniciativa da Associação ABRIL, com a colaboração e participação de várias Associações e Grupos de carácter cívico e cultural e realiza-se na noite de 24 de Abril, no Largo do Carmo.

Um programa rico e diversificado, com ênfase na homenagem a José Afonso e com participações ao nível da música, poesia, artesanato, dança e gastronomia.

Esta Festa é também um apelo para que a chama dos ideais do 25 de Abril permaneça acesa no coração de todos.


Este evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Associação de Turismo de Lisboa, da Comunicasom e da Associação 25 de Abril.

O Movimento Não Apaguem a Memória! associa-se a este evento e, lá, terá uma pequena banca.

Diário do 25 de Abril - 21/04/1974


Encontro, na marginal em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spínola) e Fausto Marques, com vista a obter a adesão do Regimento de Caçadores Páraquedistas, comandado pelo último oficial, iniciativa que se revela inconclusiva.

(Este texto foi retirado do Site do Instituto Camões)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Cartas a uma ditadura (ante-estreia)

O filme «Cartas a Uma Ditadura», de Inês de Medeiros, tem ante-estreia marcada para o próximo dia 23 de Abril, às 21h30, no Centro Cultural Malaposta (Odivelas).
A Malaposta solicita confirmação até dia 19 de Abril, visto a reserva estar sujeita à lotação da sala. Pode ser que ainda sobre algum bilhete...
«Cartas a Uma Ditadura» já foi exibido no DocLisboa de 2006 e dele já aqui falámos na altura. Fica aqui a sinopse do filme, a ficha técnica e contactos:
"Uma centena de cartas, escritas por mulheres portuguesas, em 1958, foram encontradas por acaso num alfarrabista que não as leu por achar que eram cartas de amor.
Respondem a uma circular enviada por um misterioso Movimento de apoio à ditadura do qual não há referência nos livros de história.
A circular a que respondiam nunca chegou a ser encontrada mas, pelas respostas que temos em mãos, percebe-se que era um convite para que as mulheres se mobilizassem em nome da paz, da ordem, e sobretudo em defesa do salvador da pátria: Salazar. Em todas as cartas, estas mulheres falam da gratidão e da admiração que têm pelo ditador.
Mas, como se a necessidade de falar fosse mais forte, por entre chavões e frases feitas, surgem por vezes o medo, a tristeza, o isolamento em que se vivia em Portugal nos anos 50. Uma costureira, muitas professoras primárias, donas de casa, algumas esposas de homens importantes do regime assinam as cartas.
Ao confrontar, hoje, estas mulheres com os fantasmas do passado, e graças a um material de arquivo inédito, Cartas a uma ditadura é um mergulho perturbador no obscurantismo que dominou Portugal por mais de 50 anos.

FICHA TÉCNICA:
Argumento e realização Inês de Medeiros
Ideia Original António Mendes Godinho / Sérgio Tréfaut
Consultora Histórica Irene Flunser Pimentel
Produtor Sérgio Tréfaut
(Portugal - Faux)
Co- Produtores Aurélien Bodinaux / Jean Christophe Zelis
(Bélgica – Néon Rouge Production)
Pascal Verroust
(França – ADR Production)
Música Original Anne Victorino D’Almeida
Montagem Inês de Medeiros / Dominique Pâris
Imagem Marta Pessoa / João Ribeiro
Som Raquel Jacinto / Armanda Carvalho
Narração Inês de Medeiros (Português e Francês)
Maria de Medeiros (Inglês)
Arquivos de imagem RTP – Radiotelevisão Portuguesa
ANIM – Arquivo Nacional das Imagens em Movimento
Arquivos de som RDP – Radiodifusão Portuguesa


Contactos de Imprensa:
Magda Gomes e Vera Almeida (Gabinete de Relações Públicas e Divulgação)
Centro Cultural Malaposta
Rua Angola
2620 - 492 Olival Basto
Telf.: 21 938 31 00"

Jantares comemorativos do 25 de Abril

Lembramos que hoje, dia 20, às 20h, no Espaço Ribeira (sito no Mercado da Ribeira) se realiza um jantar comemorativo do 25 de Abril. É a sua 5.ª edição e da Comissão Promotora fazem parte vários membros do movimento Não apaguem a Memória! (tels. de contacto: 213474098 - livraria do restaurante; 914548986 - Júlia Coutinho). A sessão contará com as intervenções públicas dos activistas do movimento arq.ª Helena Roseta e «capitão de Abril» Martins Guerreiro, além doutros membros da Comissão Promotora. José Afonso será evocado.

Diário do 25 de Abril - 20/04/1974


- Finalmente, na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima), na residência, então vaga, do pai do tenente Américo Henriques, em Cascais.

- Conclusão do essencial dos textos políticos (em cuja redacção, coordenada por Vítor Alves, participaram Franco Charais, Costa Brás, Vasco Gonçalves, Nuno Lopes Pires e Pinto Soares, pelo Exército; Vítor Crespo e Lauret, com a participação menos activa de Teles e Contreiras, pela Marinha e a ocasional presença do major Morais e Silva e do capitão Seabra).

- A partir desta data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da lavra do general algumas das modificações introduzidas, nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar.

(Este texto foi retirado do Site do Instituto Camões)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O Centro Republicano Almirante Reis faz 96 anos

O Centro Escolar Republicano Almirante Reis (CERAR) celebra o seu 96.º aniversário a 21 de Abril, sábado. Ali se realizaram importantes encontros da Oposição ao Estado Novo, nomeadamente reuniões do MUD.
O programa das comemorações inclui uma palestra sobre a implantação da República (às 18h) e um jantar (às 20h). Estará patente ao público uma exposição sobre a história do CERAR no contexto da história contemporânea de Portugal.
A sede do CERAR fica na Rua do Benformoso, n.º 77, Lisboa (metro Martim Moniz). Todos os que se quiserem associar às comemorações devem dirigir-se à Associação República e Laicidade.




Heróis da Resistência


Foi inaugurada a 14 de Abril, na Galeria de Exposições do Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, a mostra fotográfica Heróis da Resistência, de Rogério Pedro.

Esta exposição, que se insere nas comemorações do 33º aniversário da Revolução dos Cravos, vai estar patente até ao dia 29 de Abril.

A ditadura, o fascismo, as prisões, as torturas, a censura, a guerra colonial são alguns dos temas retratados na mostra Heróis da Resistência.

Os museus da resistência no mundo

Uma efectiva política da memória da resistência à ditadura e da luta pela democracia deve incluir uma componente museológica.
Este tem sido o caminho trilhado internacionalmente, tanto nos países europeus que se libertaram da opressão dos países do Eixo como nos países latino-americanos que tiveram ditaduras militares sob a Guerra Fria.
Aqui ficam alguns exemplos e respectivos links, por países.
A maioria dos museus são museus da resistência, da memória da perseguição aos judeus ou a activistas políticos, do Holocausto, ou ligados à denúncia da tortura.
Alemanha: é inevitável falar dos campos de concentração nazis: sobre os lugares de memória relativos aos campos de Buchenwald e Mittelbau-Dora vd. o labor da Fundação da Memória de Buchenwald e Mittelbau-Dora, que articula investigação com divulgação científicas. Também a Fundação da Topografia do Terror fornece informação sobre os crimes contra a Humanidade perpetrados pelo regime nazi.
Argentina: relativamente à Ditadura Militar argentina (1976-83), foi criado recentemente um Museu na sede do tenebroso campo de concentração e tortura Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), de que demos conta aqui.
Brasil: quanto ao caso brasileiro, existem vários memoriais em homenagem às vítimas da Ditadura Militar local (1964-84), o mais importante dos quais é o Memorial da América Latina, concebido pelo arq. Óscar Niemeyer. Ignoro se existe algum museu específico. Existem várias associações activas, incluindo as relativas às lutas estudantis, que tiveram forte eco internacional, sobretudo a de 1968.
Chile: o caminho da memória da resistência à Ditadura militar de Pinochet (1973-90) tem sido mais difícil, e só possível graças à acção de associações cívicas como a Corporación de Promoción y Defensa de los Derechos del Pueblo, a qual foi fundada em plena Ditadura militar de Pinochet (1980), a Derechos Chile e o Proyecto internacional de Derechos Humanos, criado em Londres.
Espanha: em homenagem às vítimas da Guerra Civil (1936-39) foi criado o Museu da Paz, da Fundação Museu Guernica, no País Basco. Refira-se ainda a assumida criação do Centro Documental de la Memoria Histórica, por pressão da sociedade civil (vd. aqui e aqui), e a recente inauguração, em Madrid, de um memorial às vítimas do Holocausto, da autoria de Samuel Nahon (vd. Sofia Branco, «Parque de Madrid acolhe escultura em memória do Holocausto», Público, 16/IV, p. 15).
EUA: aqui os principais memoriais são relativos às guerras da Secessão e do Vietname. Ademais, existem inúmeras associações de defesa dos direitos cívicos, das minorias e do Holocausto; sobre estes vd. o excelente site The Holocaust History Project.
França: destaque para o Musée de la Résistance Nationale, com sede em Paris (Champigny-sur-Marne) e 7 núcleos dispersos pelo país (em Bourges, Champigny, Châteaubriant, Givors, Montluçon, Varennes-Vauzelles e Nice). Edita a revista Notre Musée. Este museu é juridicamente representado por uma federação, a Fédération Musée de la Résistance Nationale, que agrega 12 associações de amigos, parte delas responsáveis pelos núcleos museológicos referidos. É uma rede reconhecida oficialmente, pelos Musées et des Archives de France e pelo Ministère de la Jeunesse et des Sports. O núcleo museológico de Nice chama-se Musée de la Résistance Azuréenne. Menção especial ainda para o Centre d'Histoire de la Résistance et de la Déportation, um museu criado na ex-sede da Gestapo em Lyon. Nele existe, segundo informação de Helena Romão, um espaço para exposições temporárias sobre ditaduras/resistências (presentes ou passadas) em todo o mundo.
Holanda: a Casa de Anne Frank e o Dutch Resistance Museum Amsterdam são os locais obrigatórios para quem visita Amesterdão.
Hungria: dos países do ex-Leste comunista, refira-se o Museu da Casa do Terror.
Itália: aqui cabe mencionar o Museu Virtual do Anti-fascismo e da Resistência (da Província de Arezzo) e o labor do Istituto Nazionale per la Storia del Movimento di Liberazione in Italia, que tem ramificações por todo o país.
Japão: há vários museus relativos às vítimas da II Guerra Mundial, destacando-se o Museu da Paz de Hiroxima e o Peace Osaka, de que demos informação aqui.
Paraguai: destaque para a actividade da Coordinadora de Derechos Humanos, que desenvolve actividades por todo o país, inclusivé no Museu de Las Memorias, sedeado numa casa que funcionou como centro de tortura durante a Ditadura de Stroessner (1954-89) e que foi transformada em memorial do sofrimento, após muita luta das organizações de direitos humanos. Embora com material rico e interessante este museu conta só com o apoio da sociedade civil (vd. aqui).
Reino Unido: a especialidade britânica relaciona-se com a História oral, onde se evidencia o Refugee Communities History Project e o projecto Voices of the Holocaust do British Library. Saliente-se ainda a Exposição dedicada ao Holocausto patente no Imperial War Museum, que aí se mantém desde 2000, devido à grande procura.

Diário do 25 de Abril - 19/04/1974


MFA. Preparativos para a Acção:

Reunião de Otelo com delegados das unidades do Sul.


Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Sul (Sierra), em casa do major Fernandes da Mota.

(Estes textos foram retirados dos Sites da Associação 25 de Abril e Instituto Camões)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Diário do 25 de Abril - 18/04/1974


Otelo Saraiva de Carvalho encontra-se com Alexandre Aragão, representante do Movimento em Bissau, a quem informa do plano previsto e com quem combina uma alternativa de acção, caso o Movimento venha a falhar em Lisboa. A alternativa consistia na execução do plano já preparado pelo MFA da Guiné, que previa a neutralização de todos os comandos que se opunham ao Movimento e a abertura de negociações com o PAIGC vinte e quatro horas depois da acção em Portugal.

Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Centro (Charlie), em sua casa, contando-se entre estes o capitão Correia Bernardo, em representação da Escola Prática de Cavalaria (Santarém).

(Estes textos foram retirados dos Sites da Associação 25 de Abril e Instituto Camões)

Para quando um guia das fontes?

Com este post queremos chamar a atenção para a necessidade de se proceder à elaboração de um guia das fontes de arquivo para a história da resistência ao Estado Novo. Esse guia podia ser um trabalho de equipa, que resultasse do contributo de todos os activistas do movimento «Não apaguem a Memória!» que quisessem disponibilizar informação.
Essas fontes fazem parte integrante de inúmeros fundos documentais públicos e privados, produzidos por pessoas individuais e colectivas, à guarda de arquivos, bibliotecas e centros de documentação públicos, de instituições particulares, de famílias e de indivíduos.
No Arquivo Nacional da Torre do Tombo encontram-se os principais fundos documentais produzidos pelo Estado Novo, a saber: o Arquivo Oliveira Salazar, o Arquivo Marcelo Caetano, o Arquivo da PIDE/DGS, o Arquivo do Ministério do Interior, o Arquivo dos Serviços de Coordenação e Centralização da Informação de Angola e o seu congénere de Moçambique, o Arquivo dos Serviços de Censura, os arquivos da Mocidade Portuguesa, da Mocidade Portuguesa Feminina, da Legião Portuguesa e da União Nacional. Também se encontram na Torre do Tombo, à guarda do Arquivo Distrital de Lisboa, os processos do Tribunal Plenário de Lisboa.
Na capital, há muitas outras instituições públicas com arquivos importantes para o estudo do Estado Novo, do colonialismo e das resistências antifascista e anticolonialista: o Arquivo Histórico-Militar, o Arquivo do Tribunal Militar Especial - Santa Clara, o Arquivo Geral do Exército, o Arquivo Geral da Marinha, o Arquivo Histórico Ultramarino, etc.
A Biblioteca Nacional (Lisboa) e o Centro de Documentação do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, dispõem de espólios literários de escritores e intelectuais antifascistas.
A Fundação Mário Soares tem vindo a acolher e a tratar dezenas de acervos particulares de opositores ao Estado Novo e ao colonialismo português.
O Centro de Documentação 25 de Abril (Universidade de Coimbra) disponibiliza um extenso guia de espólios, que lhe foram doados por particulares, relativos ao Estado Novo, à Oposição, ao Movimento Estudantil e ao 25 de Abril.
Por todo o país, diversos arquivos distritais e municipais têm à sua guarda documentação para a história local da oposição à ditadura e ao Estado Novo.
Há também um enorme manacial de informação no Arquivo do Partido Comunista Português (que urge divulgar), na posse de particulares e nas "arcas" da memória (para quando um arquivo virtual das gravações áudio ou vídeo com histórias de vida e testemunhos orais que historiadores e outros cientistas sociais têm, para trabalhos académicos, recolhido?).

Faltam 7 dias...

que a liberdade está (quase) a passar por aqui...

(foto de Eduardo Gageiro, retirada daqui)

terça-feira, 17 de abril de 2007

Conversas com a História


Conversas com a História é um projecto da revista História em parceria com a FNAC-Chiado.


Na próxima quinta-feira, dia 19 de Abril, às 18.30h, António Reis e Jorge Martins falarão sobre o 25 de Abril e o Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA.


No dia seguinte, sexta-feira, dia 20, é a vez de António Louçã e Sónia Almeida falarem sobre Revolução e Democracia.


Finalmente, no dia 2 de Maio, Irene Pimentel falará sobre a Polícia Política de Salazar.


Todas as tertúlias terão lugar no espaço café da FNAC-Chiado.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Diário do 25 de Abril - 17/04/1974


MFA. Preparativos para a Acção.
Início das reuniões de Otelo com delegados das unidades para distribuição das missões previstas no plano de operações (Unidades do Norte). Otelo Saraiva de Carvalho reúne-se com Eurico Corvacho e Gertrudes da Silva, aos quais distribui missões e fornece todos os elementos constantes da Ordem de Operações.

(Este texto foi retirado do Site da Associação 25 de Abril)

Fundação do Partido Socialista - 19/04/1973


No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas.

Fundadores:

António Macedo, Mário Soares, Tito de Morais, Francisco Ramos da Costa, Francisco Salgado Zenha, José Magalhães Godinho, Gustavo Soromenho, Raúl Rego, Joaquim Catanho de Menezes, Teófilo Carvalho dos Santos, José Ribeiro dos Santos, Vasco da Gama Fernandes, Mário Cal Brandão, Fernando Valle, Álvaro Monteiro, Albano Pina, Herculano Pires, António Carlos Campos, António Arnaut, Fernando Antunes Costa, Maria de Jesus Barroso, Arnaldo Cândido Veiga Pires, José Neves, Maria Emília Tito de Morais, Carlos José Queixinhas, Gil Francisco Ferreira Martins, Áurea Rego, Manuel da Costa Melo, Francisco Tinoco de Faria, Augusto Sá da Costa, Júlio Montalvão Machado, Manuel Belo, Luís Nunes da Ponte, Fernando Loureiro, João Sarmento Pimentel, Francisco Sarmento Pimentel, Pedro Coelho, Armando Nunes Diogo, Artur Cunha Coelho, Alfredo Barroso, Jaime Gama, José Luís Nunes, Rui Mateus, Carlos Candal, Alfredo Carvalho, Fernando Grade Silvestre, Sebastião Dantas Baracho, José Emídio Figueiredo Medeiros, Fernando Raposo, Eduardo Ralha, Carlos Torres d'Assunção, Firmino Silva, Abílio Mendes, Luís Roseira, Manuel Cabanas, Alberto Arons de Carvalho, Joaquim Lourenço Gago, Alfredo Costa Azevedo, Inácio Peres Fernandes, Paulo de Lemos, Adelino Cabral Júnior, Luís Castro Caseiro, Alberto Oliveira e Silva, António Coimbra Martins, Armando Cardoso Meireles, João Manuel Tito de Morais, Vítor Cunha Rego, Manuel Tito de Morais, Rodolfo Crespo, Dino Monteiro, Manuel António Garcia, Carlos Carvalho, Maria Carolina Tito de Morais P. de Oliveira, Augusto Pereira de Oliveira, Beatriz Cal Brandão, Joaquim Rocha e Silva, António Santos Cartaxo Júnior, Jorge Campinos, Armando Soares, Luís Gaspar da Silva, José Tiago de Oliveira, João da Costa Neves, Olindo Figueiredo, Júlio Carrapato, Fernando A. Borges, Mário Mesquita, Nuno Godinho de Matos, José Maria Roque Lino, Dieter Dellinger, Francisco Marcelo Curto, Maria Teresa Cunha Rego, Francisco Seruca Salgado, Mário Sottomayor Cardia, António Reis, Armando Bacelar, Bernardino Carmo Gomes, Liberto Cruz, Manuel Pedroso Marques, Jaime Vilhena de Andrade, José Rabaça, Lafayette Machado, Eduardo Jorge Santiago Campelo, Joaquim António Calheiros da Silveira, António Paulouro, António Neves Gonçalves, Álvaro Guerra, João Gomes, Augusto Duarte Roseira, João Lima, José Leitão, Francisco de Barros Calhapuz, Maia Cadete, Carlos Alberto Novo, António G. Pereira, Lucas do Ó.

Maria Natália Duarte Silva Teotónio Pereira (1930-1971)


domingo, 15 de abril de 2007

Festejar Abril

Faltam 10 dias para o 25 de Abril!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Visita à sede da PIDE no Porto

"O Núcleo do Porto do movimento cívico «Não apaguem a Memória!» vai realizar a 21 do corrente mês de Abril, entre as 15 e as 17 horas e 30 minutos, a segunda visita guiada por ex-presos políticos às instalações do actual Museu Militar do Porto, edifício onde funcionou uma delegação da polícia política do Estado salazarista, a PVDE/PIDE/DGS.
Com esta iniciativa, pretende-se afirmar a importância do edifício no roteiro dos locais de memória da resistência ao Estado Novo.
O núcleo do Porto deste movimento cívico plural e aberto tem efectuado diligências junto das autoridades administrativas locais e centrais visando a criação de um Museu da Resistência no edifício onde longamente esteve instalada delegação do Porto da PVDE/PIDE/DGS.
Espera-se que da convergência da acção cívica dos cidadãos e das cidadãs da área metropolitana do Porto, motivados pelo aprofundamento da educação histórica e pela defesa da preservação da memória histórica das lutas anti-fascistas, resulte uma renovada dinâmica de participação e de cidadania."
Nota de imprensa do Núcleo do Porto do movimento Não apaguem a Memória!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A cooperativa PRAGMA - há 43 anos


A Pragma foi fundada por um grupo de católicos em 11 de Abril de 1964, data propositadamente escolhida por nela se comemorar o primeiro aniversário da publicação da encíclica Pacem in Terris. Ao elegerem esta espécie de “patrocínio”, esses católicos deram um sinal do que os movia. A Pacem in Terris tinha sido para eles um reconforto, uma tábua de salvação. Passaria a ser também um meio de pressão.
Constituíram a Pragma como uma “Cooperativa de Difusão Cultural e Acção Comunitária”, o que concretizou os objectivos que se propunham e, simultaneamente, permitiu que tirassem partido de uma lacuna legislativa: as cooperativas não tinham sido abrangidas pelas limitações impostas ao direito de associação e, por essa razão, nem os seus estatutos eram sujeitos a aprovação legal, nem a eleição dos seus dirigentes a ratificação pelas entidades governamentais. Forçando uma porta entreaberta por um lapso do poder, os fundadores da Pragma puseram mais uma peça no puzzle da oposição ao regime – cuidadosa e imaginativamente.»
«A história da Pragma é uma bela história. Ela ilustra bem alguns ambientes da última década do fascismo. Mobilizou muita gente, abriu horizontes, influenciou muitos jovens que foram chamados para combater na guerra colonial – alguns desertaram, outros tiveram um papel activo, como milicianos, na alteração de mentalidades, e na preparação do 25 de Abril.»

Excertos de A cooperativa Pragma – uma boa ideia e uma bela história, in Joana Lopes, Entre as Brumas da Memória – Os Católicos Portugueses e a Ditadura, Âmbar, Lisboa, 2007, p.61 e p.79.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Tributos a Adriano (1942-1982)

O cantautor da resistência Adriano Correia de Oliveira é hoje homenageado na Marinha Grande, por ocasião da passagem do 65.º aniversário do seu nascimento (programa aqui).
A iniciativa parte dum grupo de amigos de Adriano e tem o apoio do município local e de várias personalidades.
Inicia-se pelas 21h15 com uma sessão solene de homenagem, na presença dos filhos Isabel e José Manuel Correia de Oliveira, do compositor José Niza e do poeta e deputado Manuel Alegre. Segue-se canto livre com Francisco Fanhais, Luísa Maio e João Miguel e o lançamento do disco «Adriano Sempre!», com temas interpretados por músicos de diversas gerações e áreas musicais. Neste dia é ainda inaugurada a exposição «Adriano Sempre!», dedicada à sua vida e obra.
A homenagem é retomada a 21 de Abril, com um espectáculo musical em que participam os músicos intervenientes no disco «Adriano Sempre!» (pav.º municipal de exposições da Marinha Grande, 22h).
Os Erva de Cheiro também editaram um disco de homenagem «Cantaremos Adriano» e dão espectáculos alusivos em Avintes (28/4, 21h30) e Loulé (30/4, 21h30, Cine-Teatro Louletano). O conjunto é formado por Alexandre Pinto, João Queiroz, Jorge Jordan, Nuno Faria, Paulo Cavaco, Rui Sousa e Vitor Sarmento. Para ouvir as músicas dos Erva de Cheiro e ter acesso a informação inédita sobre Adriano vd. o blogue Cantaremos Adriano.
Para uma biografia de Adriano vd. aqui ou aqui.
Sugere-se ainda a consulta dos sites Adriano Sempre! e Adriano Correia de Oliveira (da Esc.ª Sec.ª Emídio Navarro).

domingo, 8 de abril de 2007

3º Congresso da Oposição Democrática (1973)





Entre 4 e 8 de Abril de 1973 realizou-se o 3º Congresso da Oposição Democrática.


A Comissão Executiva era composta por:



Álvaro Seiça Neves (Advogado)
António Neto Brandão (Advogado)
António Pinho Regala (Estudante)
Carlos Candal (Advogado)
Flávio Sardo (Advogado)
João Sarabando (Publicista)
Joaquim da Silveira (Advogado)
Manuel Andrade (Advogado)
Mário Bastos Rodrigues (Estudante)

(E ainda, nos termos do artº 8º do regulamento, por dois delegados escolhidos por cada uma das Comissões Distritais)

Não podendo estar presente, por se encontar exilado no Brasil, Ruy Luis Gomes enviou (por telegrama) as palavras de abertura que foram lidas por Álvaro Seiça Neves:



"Profundamente sensibilizado convite presidir Congresso saúdo companheiros consciente da importância deste Congresso para objectivos centrais nossa luta liberdades democráticas povo português independência povos coloniais declaro aberta a sessão ".


CONCLUSÕES DO CONGRESSO:
Situação e perspectivas políticas, nos planos nacional e internacional

Declaração final
do III Congresso da Oposição Democrática aprovada na sessão de encerramento de 8 de Abril de 1973


1) – Os milhares de democratas presentes no III Congresso da Oposição Democrática, reunido em Aveiro de 4 a 8 de Abril de 1973, têm a consciência de que esta reunião – a que o Governo foi obrigado por pressão das condições internas e para tentar melhorar a sua imagem internacional – constituiu uma grande vitória das forças democráticas. A larga mobilização de democratas efectuada em todo o País em torno da organização dos trabalhos, da elaboração das teses e do debate dos problemas apresentados, veio no seguimento da movimentação democrática crescente, ao mesmo tempo que traduz o descontentamento cada vez maior da população portuguesa em face do constante agravamento dos problemas fundamentais do País.

2) – Manifestam os democratas em Congresso o seu firme e veemente protesto contra as múltiplas acções repressivas com que o Governo procurou intimidar, dificultar e impedir a sequência dos trabalhos. Tais acções vão desde as prisões de numerosos democratas quando em vários pontos do país colavam cartazes do Congresso, à proibição de sessões de trabalho preparatórias, desde o corte sistemático de noticias sobre o Congresso pela Censura, ao encerramento do parque de campismo em Aveiro para evitar o alojamento das camadas trabalhadoras e da juventude estudantil; desde a retenção de excursões do «rápido» em Avanca para identificação dos passageiros – tornando Aveiro uma cidade cercada – a criarão de um clima de inquietação, propalando notícias falsas sobre pseudo-violências em Aveiro e tudo culminando com a ferocidade com que as forças policiais atacaram a romagem dos democratas à campa de Mário Sacramento na manhã de domingo 8 de Abril, causando feridos. Reconhecendo ser a violência um direito dos oprimidos, o Congresso pretende que o exercício da violência pelas autoridades contra o povo pacífico e indefeso toma o nome de desumanidade e brutalidade.

3) – Realiza-se o Congresso num momento em que os problemas do povo português são cada vez mais graves e se verifica a total incapacidade das forças dominantes para os resolver.

Doze anos de guerra colonial representam um crime contra a Humanidade pela destruição de populações e culturas africanas e um sacrifício absurdo que tem sangrado o país em vidas e recursos, constituindo profunda causa de depressão das energias morais de um povo que precisa de as mobilizar para a construção do futuro.

0 crescente domínio do capital monopolista internacional e nacional agrava pesadamente as condições de trabalho e de vida das massas trabalhadoras, transfere para essas massas trabalhadoras o custo da inflação e das pseudo-medidas para a debelar, reduz ainda mais os direitos sindicais, transformando-os em meros simulacros, esconde a sua incapacidade para responder aos problemas e exigências reais com a proclamação de projectos de ensino, habitação, saúde e segurança social que nada resolvem e deixam intactas as verdadeiras causas da gravíssima situação de carência em todos esses domínios.

0 agravamento das contradições internas do regime e a limitação da sua base política de apoio tem levado o Governo, como resposta a essa agudização, a acentuar a escalada repressiva em todos os aspectos e sectores da vida nacional, criando uma situação em que para se ser acusado de subversão e receber os golpes de um poder que não conhece limites, e suficiente tomar consciência dos problemas do país e legitimamente procurar-lhes caminhos de solução.

4) – Perante este quadro, que foi pormenorizadamente analisado por cerca de duas centenas de teses e comunicações e em vinte e cinca longas e largamente participadas sessões de trabalho, os democratas presentes no III Congresso da Oposição Democrática concluem que os objectivos imediatos, possíveis de atingir através da acção unida das forças democráticas, são:

- Fim da guerra colonial;
- Luta contra o poder absoluto do capital monopolista;
- Conquista das liberdades democráticas.

A luta por objectivos parciais e imediatos, sendo nas actuais condições amplamente mobilizadora, não deve no entanto fazer-nos esquecer o objectivo final da conquista do socialismo, o qual é indispensável para a construção de uma sociedade justa e digna.

5) – Perante a expansão das forças democráticas e a sua crescente projecção no povo português, perante a radical oposição entre o movimento democrático e o regime na analise e nas linhas de solução dos problemas fundamentais do país, não resta outra alternativa ao Governo a não ser a repressão total da movimentação democrática ou o reconhecimento da realidade política nacional.

0 primeiro caminho, alem de ferir os direitos elementares de qualquer povo, revelar-se-ia inoperante como a experiência histórica demonstra.

Por isso, deve ser igualmente objectivo imediato de acção a conquista do reconhecimento da organização democrática e da sua plena liberdade de actuação.



Tal como se esperava, o Congresso sofreu a repressão das forças fascistas, não só contra os Congressistas, mas também contra os repórteres estrangeiros que faziam a sua cobertura:




A repressão sofreu o repúdio da imprensa estrangeira:

O protesto dos jornalistas estrangeiros contra a repressão (comunicado de 8.4.73)

Os correspondentes da imprensa estrangeira que se deslocaram à cidade de Aveiro para informar sobre o III Congresso da Oposição Democrática, acto perfeitamente legal e autorizado pelo governo português, desejam por este meio protestar da maneira mais enérgica contra a agressão brutal desencadeada pela polícia durante a manifestação realizada na manhã de hoje, domingo, 8 de Abril de 1973, durante a qual foram agredidos sem motivo algum duas jornalistas, uma delas de mais de 60 anos de idade, da imprensa suiça e alemã respectivamente, e um enviado especial do jornal italiano «Il Giorno» que foi derrubado e agredido selvaticamente por quatro polícias ao mesmo tempo, e a quem roubaram a máquina fotográfica. Também a um enviado especial do agência latino-americana Prensa Latina lhe foi roubado o filme que havia tomado dos acontecimentos.
Nós, jornalistas estrangeiros, somos trabalhadores da imprensa dos nossos países, e desempenhamos uma função estritamente profissional, cumprindo a nossa tarefa de informar a opinião pública.
Consideramos que a atitude da polícia em Aveiro violou os mais elementares princípios da liberdade de imprensa e, ao mesmo tempo, foi desnecessariamente brutal e agressiva, pelo que protestamos energicamente junto dos nossos colegas portugueses e perante a opinião pública deste país.

a) Ginninger ( « New York Times»); Rameier («AZ» de Viena de Áustria) ; Herrman ( imprensa suiça e alemã) ; Hora ( Agência Prensa Latina) ; Kesseber («Suddeutsche Zeitung», Munique- RFA) ; Haubrich (« Frankfurter Allgemeine Zeitung» - RFA); Muller («Sudwest Press» - RFA); Gerhardt ( Rádio Alemã); Ochetto («Il Giorno»-Itália) ; Goertz (« Die Welt» - RFA).

sábado, 7 de abril de 2007

Formação para professores

Curso para Professores em Lisboa (21-04 a 09-05) e Faro (28-04 a 26-05)
Portugal: Ditadura, Revolução, Democracia
A Associação 25 de Abril em parceria com a Associação de Professores de História, promove um curso de divulgação de História Contemporânea para professores dos ensinos Básico e Secundário.
Módulos:
1. O Estado Novo no pós-II Guerra Mundial (Professor Fernando Rosas e Professor António Reis)
2. A guerra colonial (Coronel Aniceto Afonso e Coronel Matos Gomes)
3. A conspiração e a acção militar do 25 de Abril (Coronel Vasco Lourenço)
4. A descolonização (General Pezarat Correia e Almirante Vítor Crespo)
5. A transição do poder revolucionário para o poder democrático (Coronel Vasco Lourenço, Almirante Martins Guerreiro e Coronel Rosado da Luz).
Programa e ficha de inscrição aqui.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Por teu livre pensamento – histórias de 25 ex-presos políticos portugueses

Ainda no âmbito das comemorações do 25 de Abril, será lançado a 21 um novo livro com testemunhos de resistentes antifascistas, Por teu livre pensamento, de Rui Daniel Galiza e João Pina. Dada a relevância da obra aproveitamos para reproduzir a informação que amavelmente foi cedida pelos autores.
"A Assírio & Alvim promove no próximo dia 21 de Abril, pelas 16:00H, no Centro Português de Fotografia na cidade do Porto, o lançamento do livro «POR TEU LIVRE PENSAMENTO – Histórias de 25 ex-presos políticos portugueses», de autoria de Rui Daniel Galiza e João Pina, obra prefaciada por S. Exa. o Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama.
Este lançamento irá acontecer em simultâneo com a inauguração da exposição que reúne o trabalho fotográfico de João Pina, 55 provas distribuídas por duas salas e uma instalação multimédia, patente ao público de 21 de Abril a 24 de Junho de 2007.
Ambos os eventos irão decorrer no Centro Português de Fotografia, instituição situada no edifício da antiga cadeia da relação, local onde estiveram detidas várias figuras marcantes da cultura portuguesa, como são os exemplos de Camilo Castelo Branco e do ensaísta e professor universitário, Óscar Lopes, detido naquele estabelecimento pela polícia política. Está já confirmada a presença de vários dos ex-presos políticos que figuram na obra.
O livro e a exposição «POR TEU LIVRE PENSAMENTO» são o resultado de 25 entrevistas efectuadas a igual número de ex-presos políticos, por dois jovens sem qualquer memória pessoal do período em questão, que pela sua acção de luta contra o Estado Novo e em prol da implementação da Democracia em Portugal, viveram experiências de privação de liberdade e maus tratos nas prisões do fascismo.

Uma das lamentações que os nossos entrevistados mais transmitiram foi o facto de, na sua opinião, Portugal ser 'um país sem memória'. Se com este modesto contributo conseguirmos dar um pouco a conhecer o que era viver no Portugal de há poucos anos atrás, e lutar pela sua transformação num país melhor, a nossa tarefa está cumprida. Rui Daniel Galiza - Textos
Exactamente um ano, um mês e um dia antes de a 'Grândola Vila Morena' passar no Rádio Clube Português e os militares saírem à rua, morreu uma pessoa que marcou a minha vida, apesar de nunca o ter conhecido pessoalmente: o meu avô materno, Guilherme da Costa Carvalho. Ele foi o protagonista de várias histórias que ouvi, todas elas recheadas de detalhes das suas peripécias – as fugas de Peniche e Caxias, o paludismo que apanhou no Tarrafal, onde passou períodos na 'Frigideira'. João Pina – Fotografia

Disponível nas livrarias a partir de 18 de Abril, com um preço de capa de €30, «Por Teu Livre Pensamento» é um projecto que pretende dar maior visibilidade a factos e figuras da história recente de Portugal, factos e figuras essas que parecem simultaneamente tão próximas e tão distantes da memória colectiva de todos nós, principalmente das gerações que os sucederam, para quem a democracia e a liberdade são factos consumados.
Para que não se esqueça.

Para informações adicionais contactar, P.F.:
Vasco David –
vasco.david@assirio.pt
Duarte Azinheira –
duarte.azinheira@assirio.pt
Telef.: 21 3583030

Data: Sábado, dia 21 de Abril, às 16:00H.
Local: Centro Português de Fotografia
Antigo edifício da Cadeia da Relação
Campo Mártires da Pátria
4050-368 Porto
"

ADENDA- cabe tb. registar aqui a lista dos 25 ex-presos políticos antifascistas homenageados nesta obra:
AIDA MAGRO
ALBERTINA DIOGO
ANTÓNIO TERESO
CARLOS BRITO
CARLOS COUTINHO
CONCEIÇÃO MATOS
DIAS LOURENÇO
EDMUNDO PEDRO
EMÍDIO GUERREIRO
ERNESTO PEREIRA
EUGÉNIA VARELA GOMES
ILÍDIO ESTEVES
ISABEL DO CARMO
IVONE DIAS LOURENÇO
JOÃO VARELA GOMES
JOSÉ MÁRIO BRANCO
LIGIA CALAPEZ
MANUEL PEDRO
MANUEL SERRA
MARIA LUISA CABRAL
NUNO TEOTÓNIO PEREIRA
PEDRO BAPTISTA
SALDANHA SANCHES
SÉRGIO VILARIGUES
SOFIA FERREIRA