terça-feira, 16 de outubro de 2007

Lembrar Adriano - "Há Sempre Alguém que resiste"


De 16 a 20 de Outubro decorre, na Voz do Operário, em Lisboa, uma Homenagem a Adriano Correia de Oliveira, a propósito dos 25 anos do seu desaparecimento.

Esta homenagem decorre sob o lema Há Sempre alguém que resiste.

A Comissão Promotora é composta pelos Amigos de Adriano a que se juntaram:
S.I.B. “A Voz do Operário”
CGTP-IN
Confederação Portuguesa das Colectividades
Junta de Freguesia de São Vicente de Fora
PCP- Organização Regional de Lisboa
Centro Cultural Regional de Santarém

Programa:
Dia 16 de Outubro 18:30h:

- Sessão Solene e Inauguração da Exposição sobre Adriano Correia de Oliveira (Presenças: Presidente da CML/Comissão Promotora/Familiares)

Poesia por: Maria do Céu Guerra, José Fanha e Carlos Paulo.

19:30h - Jantar de Confraternização

21:30h - Colóquio sobre a Vida e Obra de Adriano Correia de Oliveira, com a participação de Luís Cília, José Barata Moura, Lopes de Almeida, Vial Moutinho, Paulo Sucena, José Carlos Vasconcelos, Deolinda Bernardo, José Pires, Vítor Melancia, Tuna Académica de Lisboa.

17 a 20 de Outubro: das 10h às 22h - Visitas guiadas à Exposição, para escolas, instituições e população interessada, animadas com pequenos espectáculos de música e poesia.

20 de Outubro às 21:30h - Espectáculo Músical 25 Anos - 25 Canções Lembrar Adriano com a participação de Amélia Muge, Brigada Vítor Jara, Carlos Alberto Moniz, Fausto, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Janita Salomé, João Fernando, Luís Represas, Luísa Basto, Manuel Freire, Nuno do Ó, Paulo Saraiva, Paulo Vaz de Carvalho, Pedro Abrunhosa e Samuel.

24 horas: Serenata com a participação do Grupo de Guitarra e Cantares de Coimbra e do Centro Cultural Regional de Santarém.

O novo Museu do Neo-Realismo (guia de fontes sobre a resistência-II)

O novo edifício do Museu do Neo-Realismo será inaugurado no próximo sábado em Vila Franca de Xira. Na mesma ocasião formaliza-se a doação de 3 espólios literários: os legados do escritor Orlando da Costa (Lisboa), do ensaísta e dramaturgo Mário Sacramento (Aveiro) e parte do espólio do escritor Alves Redol (V. F. de Xira). Os três foram resistentes ao salazarismo, tendo sido membros do MUD e militado no PCP. Estes espólios irão juntar-se a muitos outros, que começaram a ser aí depositados em 1991 (o 1.º foi o do escritor Manuel da Fonseca; vd. restantes aqui).
Mostram-se então ainda 4 novas exposições: Batalha pelo conteúdo – Movimento neo-realista português (colectiva de iconografia, documentação e bibliografia); Uma arte do povo, pelo povo e para o povo – Neo-realismo e artes plásticas (colectiva de artes plásticas); The return of the real (ciclo de arte contemporânea); Sonhando para os outros (biobibliográfica de Arquimedes da Silva Santos).
A cerimónia de inauguração contará com a presença do presidente da República e da ministra da Cultura. O novo edifício é da responsabilidade do arq. Alcino Soutinho. O Museu foi originalmente criado em 1990 para acolher um Centro de Documentação sobre o movimento neo-realista português. Foi depois reforçado com uma colecção específica de artes plásticas, a melhor do género existente no país.

Serviços disponibilizados:
>visitas orientadas às exposições e oficinas educativas
>promoção de encontros, debates, conferências e colóquios
>consulta e pesquisa bibliográfica e documental especializada
>reprodução em fotocópia ou em meio digital de documentação
>itinerância de exposições
>edição e venda de publicações e catálogos

Horário de atendimento ao público:
>9h30-12h30, 14h-17h30 (2.ª a 6.ª feira)

Contactos do Museu do Neo-Realismo:
Rua José Dias da Silva, n.º 2, 2.º
2600-169 Vila Franca de Xira
Tel.: 263 285 600 (ext. 5870/ 5871/ 5872)
E-mail: neorealismo@cm-vfxira.pt

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Lançamento do Livro "Timor na 2ª Guerra Mundial"







Dia 18 de Outubro de 2007, pelas 18 horas, no Auditório da Fundação Mário Soares, O Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e a Fundação Mário Soares apresentam o livro Timor na 2ª Guerra Mundial de António Monteiro Cardoso.







A apresentação da obra ficará a cargo do Professor Doutor José Medeiros Ferreira e do Escritor Luís Cardoso.







O Convite é assinado por Mário Soares e Maria Carlos Radich, em nome da Fundação e do CEHCP do ISCTE, respectivamente.








António Monteiro Cardoso lecciona a cadeira de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa.

Exerceu o cargo de Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Comunicação Social no Governo de António Guterres.

É autor do romance Boas Fadas que Te Fadem e de obras de investigação no domínio da História e da Comunicação Social, nomeadamente do livro A Guerrilha do Remexido, em co-autoria com António do Canto Machado.

É doutor em História Contemporânea pelo Instituto de Ciências Sociais do Trabalho e da Empresa (ISCTE).




O livro relata, através do Diário do Tenente Manuel Pires, a resistência do povo timorense à invasão dos japoneses na II Guerra Mundial.


Tomai lá do O'Neill

O documentário que o realizador Fernando Lopes fez em 2004 sobre o poeta Alexandre O’Neill (1924-1986) passa hoje, finalmente, na RTP2 (às 23h45).
Aborda a sua poesia e as histórias da sua vida, contadas por Antonio Tabucchi, Hellmut Wohl, Gérard Castello-Lopes, João Botelho e Afonso O’Neill, entre outros.
Nas palavras do realizador: "Trata-se de um tributo pessoal (…). Trata-se, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afectivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com quem tive o privilégio e conviver".
Breves notas da sua biografia cívica
Aos 23 anos, O'Neill foi um dos co-fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, Vespeira, Moniz Pereira, António Domingues e Fernando de Azevedo, um movimento que se inspirou no movimento surrealista criado em 1924 pelo francês André Breton.
Pela mão do maestro e compositor Fernando Lopes Graça e do seu grupo coral chamado Amizade (ligado aos movimentos juvenis da oposição), ele e Cesariny passam por várias colectividades do Barreiro para cantar ideais proibidos pelo regime salazarista. Como comentava O'Neill: "Politicamente, claro que era do contra: MUD juvenil". Nos anos 60 gritou contra o medo: "Penso no que o medo vai ter e tenho medo/ que é justamente/ o que o medo quer" ("Poema pouco original do medo", transcrito neste blogue aqui). Rebelou-se contra a "mediocridade do fascismo e do bota-de-elástico do Salazar", e inconformou-se com a passividade da maioria da sociedade, tendo então escrito um outro poema logo famoso, ao mesmo tempo amargurado e ácido:
"Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
" («Portugal», in Feira cabisbaixa, 1965).
Fontes: RTP e aqui (inclui bibliografia e poemas).

Ficha técnica do documentário
«Tomai lá do O'Neill»
Origem: Portugal - 2004
Duração: 52m
Realização: Fernando Lopes
Fotografia: Rui Poças
Com: Rogério Jacques, Rui Morrison, Antonio Tabucchi, Helmut Wohl, Gérard Castello Lopes, João Botelho, Afonso O'Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos

domingo, 14 de outubro de 2007

A guerra colonial, às terças na RTP1

Até Dezembro, às terças-feiras à noite, estarei em frente à televisão a ver a série documental "A Guerra" (do ultramar / colonial / de libertação), do jornalista Joaquim Furtado (RTP1).
Segundo li no Público de ontem, trata-se de um trabalho de jornalismo de investigação, com recurso a abundante material audiovisual da RTP, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, de particulares, a centenas de documentos textuais e fotográficos, a cerca de 200 entrevistas a militares, a políticos, a antigos colonos, a empresários, a religiosos. Além disso, muitas das entrevistas foram feitas em lugares da guerra, pondo frente a frente militares portugueses e combatentes africanos, desafiando e confrontando reconfigurações actuais, parcelares e concorrentes das memórias do conflito que marcou os últimos 13 anos do império.
Seis anos, o tempo que Joaquim Furtado levou a fazer esta série documental, não são muitos anos para um trabalho de fundo, sério e rigoroso sobre um tema extremamente sensível da nossa história recente. Sobretudo se ele contribuir, como espero, para desfazer a propaganda colonial e os mitos pós-coloniais, e nos devolver uma leitura crítica e problematizadora da guerra que opôs o exército português aos movimentos de libertação de Angola, da Guiné e de Moçambique, entre 1961 e 1974.

sábado, 13 de outubro de 2007

«A desobediência» de Aristides de Sousa Mendes

Estreou ontem a peça teatral «A desobediência», no Teatro da Trindade, em Lisboa. O texto é de Luiz Francisco Rebello e a encenação de Rui Mendes.
Paralelamente, começou a 2 deste mês um ciclo de conferências semanais dedicada ao cônsul Aristides de Sousa Mendes e ao seu gesto humanitário de concessão de vistos a cerca de 30 mil pessoas, a maioria dos quais para judeus perseguidos pelos nazis e seus cúmplices (vd. programa aqui).
Eis a sinopse da peça:
"No verão de 1940, quando as tropas alemãs invadiram a França, a salvação de milhares de homens e mulheres que fugiam do regime de terror instaurado na Europa pelo nazismo, dependia de um visto de trânsito para um país neutro. Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus, dividido entre o cumprimento das ordens ditadas por Salazar e a sua consciência, optou por obedecer a esta e desobedecer àquelas. O resultado seria a salvação de cerca de 30 mil judeus e o seu afastamento definitivo da carreira diplomática. É esse conflito dramático, as circunstâncias em que se desenrolou e as suas dolorosas consequências, que constituem o tema desta peça, escrita em 1995, publicada em 1998, traduzida em espanhol, hebraico, búlgaro e inglês".
Nb: imagem de apresentação da peça, retirada daqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A natureza do fascimo

A Conferência Internacional «The nature of fascism - 40 years on» inicia-se hoje no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (sala polivalente), concluindo-se os trabalhos no sábado (vd. programa aqui).
Neste encontro serão apresentadas comunicações de especialistas como Roger Griffin, Stein U. Larsen, Stuart Woolf, Adrian Lyteltton, entre outros. A organização está a cargo de António Costa Pinto (ICS-UL) e de Giulia Albanese (IUE), que também conferenciam.


Nb: na imagem figura a capa do livro The nature of fascism, de Roger Griffin, a qual foi retirada daqui.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A violência política sob o salazarismo

Saiu na edição deste mês do Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa uma recensão crítica ao livro Vítimas de Salazar, por Daniel Melo. O livro, da autoria de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha, trata da violência política sob a ditadura salazarista, abordando o aparelho repressivo oficial e as suas vítimas. A esta obra já aqui falámos, aquando do seu lançamento em Fev.º deste ano.
Um dos autores desse livro, Irene Pimentel, irá lançar uma versão da sua tese de doutoramento no final deste mês. Chama-se A história da PIDE, tem a chancela do Círculo de Leitores e da Temas & Debates e dele daremos notícia detalhada noutro post mais próximo da data.
Imagem: cela da Prisão do Forte de Peniche (foto de Pedro Medeiros retirada daqui).

Homenagem a Ribeiro dos Santos


A 12 de Outubro de 1972, o estudante Ribeiro dos Santos, militante do MRPP, foi assassinado pela PIDE/DGS durante uma reunião de estudantes contra a repressão fascista de Marcelo Caetano na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa.

O funeral de Ribeiro dos Santos foi marcado pelos confrontos entre a PIDE e os estudantes que acorreram em massa.



Passam agora 35 anos deste acontecimento marcante na luta estudantil. Na Biblioteca-Museu República e Resistência decorre uma homenagem de que damos conta.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Homenagem em vida a Óscar Lopes

Óscar Lopes celebrou hoje 90 anos, o que foi aproveitado para o início duma grande homenagem a Óscar Lopes na sua cidade natal, o Porto. O programa «A busca do sentido na obra e na vida de Óscar Lopes» inclui exposições, livros, concertos, encontros e um colóquio.
Entre outros livros inéditos, será lançado o estudo Óscar Lopes - um homem maior do que o seu tempo, esta 5.ª feira às 21h, sendo à tarde anunciado o vencedor do Prémio de Ensaio Óscar Lopes. Daquele livro saiu hoje no Público o texto "Um homem maior do que o seu tempo", do escritor e amigo Baptista Bastos. Os escritores Bento da Cruz, Fernando Guimarães, José Manuel Mendes, Manuel da Silva Ramos, Mário Carvalho e Urbano Tavares Rodrigues estarão presentes num dos encontros.
Vida profissional, política e cívica
Óscar Lopes nasceu a 2/X/1917, em Leça da Palmeira, Matosinhos.
Licenciou-se em Filologia Clássica pela FLUL, em 1941, e depois em Histórico-Filosóficas, pela FLUC. Foi professor liceal entre 1941 e 1974. Entre 1967 e 1971 foi bolseiro do Instituto de Estudos Pedagógicos da Fundação Calouste Gulbenkian. É autor duma vasta obra nos domínios da Linguística e, sobretudo, da História da literatura.
Foi colaborador regular das mais importantes revistas literárias portuguesas, incluindo algumas ligadas à oposição antisalazarista: Seara Nova, Vértice, Mundo Literário, além da Colóquio/Letras, da Camões e do suplemento literário do jornal O Comércio do Porto.
Com António José Saraiva elaborou uma das mais influentes obras da cultura oposicionista sob o Estado Novo, a famosa História da Literatura Portuguesa, editada em 1955 e com mais de 20 reedições posteriores.
A partir de 1942 envolve-se em intensa actividade política e cívica oposicionista, tendo pertencido ao MUNAF, ao PCP (desde 1945), ao MUD, ao MND e à CDE. Entre outros envolvimentos associativos, foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores, fundador da Universidade Popular do Porto e dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras. A sua intervenção cívica e a militância no PCP foram represaliadas pela ditadura com a prisão por duas vezes, a proibição de saída do país durante um longo período e o afastamento da universidade. Só depois da revolução pôde ser professor na FLUP. Foi membro do Comité Central do PCP entre 1976 e 1996.
Além de várias medalhas de honra municipais, recebeu os prémios Rodrigues Sampaio (1967, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto), Seiva Trupe (id., 1985) e Jacinto do Prado Coelho (1985, do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários).
Foi condecorado em 1989, com a Ordem da Instrução Pública e em 2006 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, esta atribuída pelo presidente da República Cavaco Silva.

Julieta Gandra in memoriam (1917-2007)

Faleceu recentemente Julieta Gandra, resistente antifascista e lutadora pela independência de Angola, do que só hoje tive conhecimento. A médica Julieta Gandra foi presa em Angola pela PIDE em 1959, sob a acusação de pertença a movimentos ilegais e «subversivos», o MPLA e o PCP. Foi condenada no 1.º julgamento político do nacionalismo angolano moderno, conhecido como «processo dos cinquenta» e deportada para a prisão de Caxias em Lisboa (sobre os movimentos independentistas vd. aqui).
Anos depois, e também devido aos graves problemas de saúde por que passou na cadeia, seria considerada "Prisioneira de Consciência de 1964" pela Aministia Internacional (sobre o que é um prisioneiro de consciência vd. aqui). Esta atenção internacional obrigou a ditadura salazarista a libertá-la pouco depois. A este propósito recomenda-se o texto Julieta Gandra - Conspiradora de Esperança, de Diana Andringa.
Aproveita-se ainda para reproduzir um texto que nos chegou de homenagem a Julieta Gandra, por Adolfo Maria, agradecendo publicamente ao seu autor:
"A morte de Julieta Gandra não foi notícia
Não foi notícia, na comunicação social portuguesas a morte de Julieta Gandra, a médica portuguesa incriminada pela PIDE em 1959 e condenada no primeiro julgamento político do nacionalismo angolano moderno, o chamado «processo dos cinquenta», onde a par de muitas militantes angolanos figuravam alguns portugueses como António Veloso, Calazans Duarte e Julieta Gandra, que foram deportados para cadeias em Portugal, tendo os angolanos sido deportados para Cabo Verde, onde ficaram internados no campo de concentração do Tarrafal que assim reabria as suas portas em 1960, agora para outros presos políticos, os angolanos.
O falecimento de Julieta Gandra não foi notícia para jornais, rádios ou televisões de Portugal.
Apenas a SIC passou em rodapé uma breve informação.
Outras pessoas, alguma de bem menor envergadura que J. Gandra preencheram o obituário da comunicação social portuguesa.
Nos anos 50 do século XX, Julieta Gandra, ginecologista (especialidade raríssima na Luanda de
então) atendia no seu consultório da Baixa as clientes da sociedade colonial, tirando daí os seus proventos, e, nos musseques, atendia em modesto consultório, a preço simbólico, as mulheres desses bairros suburbanos. Simultaneamente participava em actividades do Cine-Clube e da Sociedade Cultural de Angola realizando também actividade política em organização clandestina do nacionalismo angolano.
Por isso foi presa pela polícia do regime salazarista, condenada a pesada pena de prisão, internada em cadeias de Portugal. Quer nos interrogatórios da PIDE, quer nas cadeias, portou-se com uma dignidade exemplar. Em 1964 foi considerada a presa do ano pela Amnistia Internacional.
Esta breve resenha da vida cívica de Julieta Gandra cabia em qualquer jornal ou bloco informativo de rádio ou televisão mas os profissionais da comunicação social, sem brio nem remorsos, omitem uma curta e última referência a esta médica portuguesa que foi marco na luta pela liberdade da Mulher e dos Povos".
Lisboa, 10 de Outubro de 2007
Adolfo Maria
Imagem: 1.º emblema do MPLA, retirado daqui.

domingo, 7 de outubro de 2007

Audiência na Assembleia da República



Nota enviada aos Órgãos de Comunicação Social:

No passado dia 4 de Outubro, uma delegação do NAM, da qual fizeram parte, a Dr.ª Maria Barroso, o Arquitecto Nuno Teutónio Pereira, o ex-deputado Raimundo Narciso e a socióloga Lúcia Ezaguy Simões foi recebida pelo Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama e pelo Presidente da 1ª Comissão Parlamentar - Direitos, Liberdades e Garantias - Deputado Osvaldo de Castro. Nesta audiência foi reafirmada a urgência da aprovação de uma Resolução parlamentar que vincule o Estado português ao “Dever de Memória”.

O Dr. Jaime Gama destacou a importância da assinalar os lugares e edifícios que têm um valor histórico e simbólico no combate da resistência à Ditadura.

Nesta mesma ordem de ideias, a Dr.ª Maria Barroso realçou o valor de manter viva a memória da resistência e da liberdade conquistada em Abril de 74, destacando o dever de transmissão às novas gerações do legado de conhecimento da nossa história recente para que sejam consolidados os valores da democracia e da liberdade.

Após o ponto de situação sobre a Petição apresentada pelo NAM, o Dr. Osvaldo de Castro informou que pretende dar seguimento às negociações com todos os grupos parlamentares no sentido de alcançar o acordo, o mais amplo possível, para que seja aprovada uma Resolução parlamentar que venha atender os objectivos do NAM.

Para assinalar dois anos de existência do Movimento, foi entregue ao Presidente da Assembleia da República, ao termo da audiência, o texto
(já publicado neste blogue) que destaca algumas das “bandeiras” que têm mobilizado o Movimento desde a sua origem: a constituição de um espaço museológico no edifício ex-Sede da PIDE/DGS, em Lisboa (e também no Porto) e a criação do Museu da Resistência e da Liberdade, nas instalações da antiga cadeia do Aljube.

Lisboa, 4 de Outubro de 2007

Mulheres do meu país: Maria Lamas (1893-1983)

Faz hoje 114 anos que nasceu a escritora e jornalista antifascista Maria Lamas. Nascida em Torres Novas, casou-se aos 17 anos com o ten. Ribeiro da Fonseca, com quem viveu em Angola durante 3 anos (1911-13).
Regressada à «metrópole», inicia colaboração em publicações locais, com poemas alusivos à destruição provocada pela guerra, em plena «Grande Guerra», assinando como Maria Fonseca ou com o pseudónimo Serrana d’Ayre.
Divorcia-se em 1919, ficando com as suas duas filhas a seu cargo. Fixa-se em Lisboa, em casa dos pais, mudando-se mais tarde para uma casa em Benfica.
É na Agência Americana de Notícias, onde trabalha em 1920, que conhece o jornalista monárquico Alfredo da Cunha Lamas, com quem se casa no ano seguinte e do qual adopta o apelido por que ficará conhecida. Deste segundo casamento nasce a filha Maria Cândida.
Em 1925 inicia colaboração em revistas e publicações infantis, escrevendo a partir de então vários contos infantis.
Inicia-se como jornalista no diário O Século, em 1928, tendo pouco depois sido convidada para dirigir o seu suplemento semanal Modas e Bordados, onde se debruça sobre os problemas das mulheres e do qual é demitida em 1947, por pressão de Salazar.

Activismo político e cívico
A partir dos anos 40 envolve-se na resistência antifascista e na defesa das mulheres, integrando diversas organizações.
Assim, em 1945 assina a lista fundadora do MUD-Juvenil e integra o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), associação fundada na I República e que seria perseguida e encerrada pela ditadura salazarista em 1948. Torna-se presidente do CNMP em 1947, ano em promove uma mostra de grande alcance social, cívico e político: «Exposição dos livros escritos por mulheres». No MUD desempenhará também cargos de direcção.
A sua ligação ao CNMP permitiu-lhe deslocar-se pelo país para tomar conhecimento das condições de vida da mulher portuguesa. As reflexões sobre este périplo são dadas à luz no livro As mulheres do meu país, uma monumental obra em 3 volumes publicada entre 1947 e 1950 (esta obra seria publicada em fascículos para escapar ao crivo censório). Sobre a condição feminina editará outros livros: A mulher no mundo (1952) e o Mundo dos deuses e dos heróis da mitologia geral (1959-61).
Participa no congresso fundador da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM) em 1946. Em 1953 é eleita membro do Conselho Mundial da Paz, organismo que vários autores dizem ter sido hegemonizado pelo PCUS e a que se associaram cientistas como Joliot Curie, Bertrand Russell e Albert Schweitzer. Representará várias vezes as mulheres portuguesas e os pacifistas nos congressos destas organizações.
Devido à sua intervenção política e cívica foi presa pela polícia política várias vezes: em 1949, sob acusação de difusão de notí­cias falsas e apelo à libertação dos presos polí­ticos, tendo estado incomunicável durante 4 meses; em 1950, pelo crime de defender a paz; e em 1953, no regresso dum Congresso Mundial da Paz, realizado na URSS. Tais detenções vão afectar-lhe a saúde e são um dos motivos porque se decide pelo exílio político, tendo residido em Paris entre 1962 e 1969.
Após a revolução de 25/IV/1974 torna-se militante do PCP, do qual era simpatizante. Foi presidente honorária do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) entre 1975 e 1983 e directora da revista Mulheres.
Em 25/IV/1980 é condecorada pelo Presidente da República Ramalho Eanes com a Ordem da Liberdade.
Faleceu aos 90 anos, em Lisboa, a 6/XI/1983. Em 2008 passarão 25 anos sobre a sua morte.

Estudos e fontes
O espólio documental de Maria Lamas está depositado na BN (vd. aqui).
Sobre Maria Lamas existem, entre outros, os seguintes estudos:
*FERREIRA, Eugénio Monteiro (2004), Cartas de Maria Lamas, Porto, Campo das Letras (correspondência trocada por Maria Lamas e o escritor angolano Eugénio Ferreira entre 1942 e 1968).
*FIADEIRO, Maria Antónia (2003), "As mulheres do meu país: uma obra ímpar", História, Jan.º.
*FIADEIRO, Maria Antónia (2003), Maria Lamas. Biografia, Lisboa, Quetzal.
*MASCARENHAS, João, MARQUES, Regina (org.; 2005), Maria Lamas. Uma mulher do nosso tempo, Lisboa, BMRR.
*MUCZNIK, Lúcia Liba (coord.; 1993), Maria Lamas, Lisboa, BN (catálogo).
*PEREIRA, José Pacheco (2003), "A propósito de Maria Lamas", blogue Estudos sobre o Comunismo, 7/XII.
*RAMOS, Wanda (1996), "Lamas, Maria da Conceição Vassalo e Silva", in José Maria Brandão de Brito & Fernando Rosas (dir.), Dicionário de História do Estado Novo, Lisboa, Círculo de Leitores, vol. I, p. 506/7.
Fontes principais: MDM; PS- Mulheres PS20; O Leme; Notícias da Amadora; blogue Almocreve das Petas; imagem retirada daqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

5 de Outubro de 2005

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! nasceu de uma acção de protesto realizada no dia 5 de Outubro de 2005 por um grupo de cidadãos indignados com a demolição do antigo edifício-sede da polícia política portuguesa, a PIDE, e sua substituição por um condomínio fechado, sem que nele figurasse uma menção à memória do sofrimento causado pelo regime ditatorial, que vigorou durante quase 50 anos, aos portugueses que lutaram pela liberdade e ali foram submetidos a interrogatórios, vexames e tortura.

Desta iniciativa cívica resultou um vasto movimento de cidadãos, democrático, plural e aberto, motivado pela exigência da salvaguarda, investigação e divulgação da memória da resistência antifascista. Este Movimento considera ser responsabilidade do Estado a preservação condigna desta memória para o que lhe incumbe tomar iniciativas e apoiar outras que lhe sejam propostas e considere adequadas.

Pese embora a intensa mobilização cidadã, as diversas audiências havidas com representantes de todos os grupos parlamentares, com membros do Governo e com vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, é forçoso admitir que o Movimento está longe de ter alcançado os resultados possíveis dois anos após a sua criação, nomeadamente nos casos que a seguir se mencionam.

Assembleia da República:
O conjunto de acções levadas a cabo pelo Movimento culminou com a entrega, na Assembleia da República, de uma petição nacional que reuniu 6.007 subscritores – entre eles os antigos Presidentes da República, Jorge Sampaio e Mário Soares – e que foi objecto de debate parlamentar no passado dia 30 de Março.


A petição deu origem a dois projectos de Resolução parlamentar e espera-se a aprovação de uma resolução que recomende um conjunto de medidas, de ordem política e jurídica, passíveis de criar condições para a concretização da memória da resistência à ditadura e da liberdade conquistada em Abril de 74.


Câmara Municipal de Lisboa:
As negociações com vista à constituição de um espaço museológico no edifício ex-Sede da PIDE/DGS, em Lisboa, apesar do promotor imobiliário ter disponibilizado um espaço no futuro condomínio da Rua António Maria Cardoso e das diversas reuniões havidas do Movimento com a anterior vereação do Urbanismo e da Cultura da Câmara Municipal, não lograram qualquer resultado.


A expectativa do Movimento é de que a nova Presidência da CML retome, o mais breve possível, este processo negocial, de forma a estabelecer bases sólidas para a elaboração do projecto arquitectónico e museológico já em discussão. Este projecto conta com a colaboração de um grupo técnico de arquitectos, designers e historiadores que apoiam esta iniciativa e do qual fazem parte, entre outros, o designer Henrique Cayatte e os arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Raul Hestnes Ferreira.

Ministério da Justiça:
A promessa do Ministro da Justiça, em audiência havida com o Movimento, de ceder as instalações da antiga cadeia do Aljube criou a expectativa da criação do Museu da Resistência e da Liberdade que venha a constituir-se como importante centro dinamizador, em articulação com universidades e outras instituições e organizações que desenvolvem relevante actividade neste domínio. No entanto não foram ainda tomadas medidas no sentido da concretização desta expectativa.


É nossa expectativa de que, a curto prazo, tendo em conta a audiência para o efeito já acordada, o Senhor Ministro da Justiça dê início a este processo.

No momento em que comemora dois anos de existência, o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! Apela aos poderes públicos para que seja dado andamento a estas iniciativas e se mantenha aberto ao diálogo relativamente a outras iniciativas que lhe sejam colocadas.


Passadas mais de três décadas após o derrube da Ditadura e a instauração da Democracia, urge adoptar medidas que tornem efectiva a preservação da memória da resistência e da liberdade conquistada pelo povo português em Abril de 74.

Lisboa, 5 de Outubro de 2007

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Comemoração dos 50 anos do I Congresso Republicano



6 de Outubro de 1957 - Congresso Republicano: Liberdade de Aveiro na ditadura




A 6 de Outubro de 1957 realizou-se, no Teatro Aveirense, em Aveiro, o I Congresso Republicano

No próximo sábado, no mesmo local de há meio século, rememora-se o histórico encontro.

"A realização do evento, em pleno salazarismo, com autorização concedida pelo então governador civil, Vale Guimarães, ainda hoje é vista como acontecimento surpreendente, que alguns dos documentos que vão estar em exposição no Teatro Aveirense, durante as comemorações, poderão ajudar a compreender.

Na evocação daquele que foi o primeiro dos congressos oposicionistas, sobressaem as figuras de Mário Sacramento e Vale Guimarães.

O primeiro, médico com afinidades conhecidas ao PCP, foi reconhecidamente o grande impulsionador da sua realização, ainda que tivesse deixado ao republicano histórico Manuel das Neves a presidência da comissão promotora, provavelmente por entender que essa era a opção mais acertada para tornar o encontro mais abrangente entre a oposição democrática.

O segundo, Vale Guimarães, colega de Liceu e amigo pessoal de Mário Sacramento, o que não deixará de contribuir também para a viabilização do Congresso, teve o mérito de conceder a autorização, que tanto surpreendeu situacionistas e oposicionistas."


Fonte: Lusa

O programa consta de uma sessão evocativa, na manhã do dia 06 e, à noite, um concerto pela Filarmonia das Beiras com Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

No mesmo espaço vai estar patente uma exposição de material alusivo à época, com um espólio constituído por fotografias, manuscritos e recortes de imprensa.

A efeméride será ainda assinalada pela cedência pelo Estado ao Município da peça «Liberdade», de Vieira da Silva, que integra a colecção de arte contemporânea.

sábado, 29 de setembro de 2007

Assembleia Municipal do Porto aprovou Recomendação para a classificação do Edifício onde funcionou a PIDE/DGS

Foi aprovada no dia 24, na Assembleia Municipal do Porto, uma recomendaçâo à Câmara Municipal, apresentada pelo companheiro do NAM José Machado Castro, que é representante do Bloco de Esquerda nessa assembleia. Essa recomendação foi aprovada por maioria, com dois votos contra e sem abstenções em 52 presenças.
Como podem ver no texto, é um passo importante para posterior classificação do edifício que foi sede da Pide no Porto.

Recomendação

“Não se deve apagar a memória das polícias políticas, da censura, dos “peniches” e tarrafais” onde tombaram resistentes e se exerceu a tortura. Há um dever de memória perante aquelas e aqueles que de forma abnegada contribuíram para o reencontro dos portugueses consigo próprios e com os povos do mundo”.
O movimento “Não apaguem a Memória” é um movimento cívico que pugna pela salvaguarda da memória da resistência à Ditadura Militar e ao Estado Novo, para que seja dignificada a luta pela liberdade e pela democracia. O seu núcleo do Porto tem vindo a desenvolver iniciativas com vista à criação, nas instalações da antiga Pide/DGS, de um espaço que preserve a memória da luta antifascista.
O imóvel, sito à Rua do Heroísmo nº 345 (onde actualmente está instalado o Museu Militar do Porto), consta já no PDM do Porto como Imóvel com Interesse Patrimonial sob o nº de seq. B014. Só que tal classificação não condiciona a ocupação futura do espaço, apenas impõe medidas de protecção do edificado.
Dada a importância da preservação da memória dos acontecimentos ali vividos, impõe-se a sua classificação como bem de interesse público, para a adequada salvaguarda e tutela do imóvel.
Assim, a Assembleia Municipal do Porto reunida em 24/09/07 recomenda ao Executivo camarário que:
- impulsione, conforme prevê a Lei 107/2001 de 8/9 (Regime de protecção e valorização do património cultural), a abertura do procedimento de classificação de interesse público do imóvel da rua do Heroísmo nº 345 onde está instalado o Museu Militar do Porto e onde funcionou a delegação do Porto da Pide/DGS.

O grupo municipal do BE"

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Pela memória, em defesa da História

A propósito do movimento de opinião que pretende evitar o encerramento da História, revista que tem dado especial atenção à história contemporânea de Portugal, recebemos do cineasta Lauro António informação útil que, dada a sua relevância, tomamos a liberdade de reproduzir:
"A revista «História», única no género em Portugal, deixou de contar com alguns apoios oficiais (porte pago, apoio do IPLB, etc), e deu por terminada a publicação no nº 100 desta nova série. Fernando Rosas despediu-se de director em cargo, mas Luís Farinha procura meios para retomar a publicação. Apoios de qualquer género precisam-se: mecenato de um banco, de uma empresa, de uma fundação, anúncios, recolha de assinantes, apoios estatais, etc. Com cerca de mais 10.000 euros/ ano, a revista volta às bancas. É algo de irrisório. Não se pode deixar morrer uma publicação que tem mais de 30 anos de história. Uma publicação que era/ é mais publicada pela carolice de alguns (Entre os quais este vosso amigo, colaborador da «História» há muitos anos).
Assinem a petição, no link que aí vai por baixo, divulguem, protestem.
Se estiverem de acordo com o movimento.
http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?magazin
Um abraço- Lauro António"

Joaquim Magalhães Mota in memoriam (1935-2007)

Faleceu ontem Joaquim Magalhães Mota, lutador pela liberdade e pela democracia, vítima de doença prolongada.
Foi deputado à Assembleia Nacional de 1969 a 1973, integrando a Ala Liberal, tendo-se batido pela extinção da censura e pela instauração das liberdades fundamentais no país. Face à ausência de acolhimento por parte do ditador Marcelo Caetano, esta corrente resolve abandonar o hemiciclo.
Foi ainda fundador e dirigente da SEDES (Assoc. para o Desenvolvimento Económico e Social), uma entidade de reflexão e estudos criada em 1970, então de certo modo ligada à Ala Liberal, e ainda hoje actuante.
Depois da revolução, foi ministro (I-IV e VI governo provisórios) e um dos co-fundadores do Partido Popular Democrático (PPD), actual PSD. Abandona o PPD em 1979, ingressando no ano seguinte na Associação Social-Democrata Independente (ASDI).
Nb: para mais informações vd. aqui; imagem retirada daqui.

domingo, 23 de setembro de 2007

Homenagem a Adriano




25 anos após o desaparecimento de Adriano Correia de Oliveira, decorre nos dias 12 e 13 de Outubro, na Academia de Santo Amaro, em Lisboa, um espectáculo de homenagem a esse grande expoente da canção da Resistência.

Sobre Adriano, o site
  • Adriano Sempre
  • a ele dedicado diz o seguinte:

    "Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu em Avintes, em 9 de Abril de 1942, no seio de uma família tradicionalista católica. Tirou o curso do liceu no Porto. Em Avintes iniciou-se no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes. Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou Direito. Foi solista no Orfeon Académico de Coimbra e fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica. No ano seguinte editou o primeiro EP acompanhado por António Portugal e Rui Pato. Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil Fado de Coimbra que continha Trova do Vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, consequência da sua resistência ao regime Salazarista, e que as suas movimentações levaram a gravar, que foi o hino do Movimento Estudantil.

    Além disso, Adriano Correia de Oliveira tornou-se militante do PCP no início da década de 60. Em 1962 participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).

    Em 1967 gravou o vinil Adriano Correia de Oliveira que, entre outras canções, tem Canção com lágrimas.

    Quando lhe faltava uma cadeira para terminar o curso de Direito, Adriano trocou Coimbra por Lisboa e trabalhou no Gabinete de Imprensa da Feira Industrial de Lisboa (FIL) e foi produtor da Editora Orfeu. Em 1969 editou O Canto e as Armas, tendo todas as canções poesia de Manuel Alegre. Nesse mesmo ano ganhou o Prémio Pozal Domingues. No ano seguinte, sai o disco de vinil Cantaremos , em 1971, Gente d'Aqui e de Agora, que marca o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, que tinha vinte anos. José Niza foi o principal compositor neste disco que precedeu um silêncio de quatro anos. É que Adriano recusou-se a enviar textos à Censura.

    Em 1975 lançou Que Nunca Mais, com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como Artista do Ano.

    Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último album, Cantigas Portuguesas, em 1980. No ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava degradada rompeu com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta nos, num Sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, nos braços da mãe, vitimado por uma "hemorragia esofágica."

    CONGRESSO INTERNACIONAL «A RESISTÊNCIA DA GALIZA AO FRANQUISMO»

    Organizado pela Associação da Galiza de Vítimas do Genocídio Franquista, realiza-se de 8 a 12 de Outubro, em Ferrol, o O Congresso Internacional A Resistência da Galiza ao Franquismo:

    PROGRAMA:

    Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

    MANHÃ

    9,30: Acto de Abertura com personalidades convidadas.
    10,00: CONFERÊNCIA: Ferrol Derrota o Golpe de Mola: Os Cabos Republicanos da Armada.
    10,45: Comunicações e Colóquio.
    11,00: Pausa
    11,15: CONFERÊNCIA: Benjamim Balboa.
    12,00: Comunicações e Colóquio.
    12,15: Pausa.
    12,30: CONFERÊNCIA: Acontecimentos no «Libertad», «Cervantes», «Jaime I»: os Protagonistas.
    13,15: Comunicações e Colóquio.

    TARDE

    16,00: CONFERÊNCIA: A Batalha de Ferrol, dias 20, 21 e 22 de Julho de 1936.
    16,45: Comunicações e Colóquio.
    17,00: Pausa.
    17,15: CONFERÊNCIA: Ferrol franquista decissivo para a derrota da República.
    18,00: Comunicações e Colóquio.
    18,15: Pausa.
    18,30: CONFERÊNCIA: os Verdugos Franquistas em Ferrol.
    19,15: Comunicações e Colóquio.
    19,30: CONCLUSÕES.

    Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

    MANHÃ

    10,00: CONFERÊNCIA: A Participação da Alemanha de Hitler na Guerra contra a República (tropas, frota, aviação, artilharia, blindados, Legião Côndor, etc.).
    10,45: Comunicações e Colóquio.
    11,00: Pausa
    11,15: CONFERÊNCIA: Ferrol, Vigo, A Crunha, a Galiza bases nazistas durante uma década, 1936-46.
    12,00: Comunicações e Colóquio.
    12,15: Pausa.
    12,30: CONFERÊNCIA: A Participação da Itália de Mussolini na Guerra contra a República.
    13,15: Comunicações e Colóquio.

    TARDE

    16,00: CONFERÊNCIA: A Participação do Portugal Salazarista na Guerra contra a República.
    16,45: Comunicações e Colóquio.
    17,00: Pausa.
    17,15: CONFERÊNCIA: A Participação dos EUA, GB, França, etc. na Guerra contra a República: financiamento, combustível, transporte, etc.; o Comité de Não Intervenção.
    18,00: Comunicações e Colóquio.
    18,15: Pausa.
    18,30: CONFERÊNCIA: Franco desencadeia a II Guerra Mundial ?
    19,15: Comunicações e Colóquio.
    19,30: CONCLUSÕES.

    Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

    MANHÃ

    10,00: CONFERÊNCIA: A Solidariedade Internacional Não Governamental: as Brigadas Internacionais.
    10,45: Comunicações e Colóquio.
    11,00: Pausa
    11,15: CONFERÊNCIA: A Solidariedade Internacional Governamental: URSS, México, etc.
    12,00: Comunicações e Colóquio.
    12,15: Pausa.
    12,30: CONFERÊNCIA: O Tribunal Militar Internacional de Nuremberga (Mercedes Nunhez).
    13,15: Comunicações e Colóquio.

    TARDE

    16,00: CONFERÊNCIA: O Tribunal Militar Internacional de Nuremberga: o Caso da Áustria.
    16,45: Comunicações e Colóquio.
    17,00: Pausa.
    17,15: CONFERÊNCIA: O Tribunal Militar Internacional de Nuremberga: o Caso da Checoeslováquia.
    18,00: Comunicações e Colóquio.
    18,15: Pausa.
    18,30: CONFERÊNCIA: O Tribunal Militar Internacional de Nuremberga: o Caso da República espanhola.
    19,15: Comunicações e Colóquio.
    19,30: CONCLUSÕES.

    Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

    MANHÃ

    10,00: CONFERÊNCIA: A Resistência Popular da Galiza.
    10,45: Comunicações e Colóquio.
    11,00: Pausa
    11,15: CONFERÊNCIA: A Resistência Armada da Galiza (1936-1965).
    12,00: Comunicações e Colóquio.
    12,15: Pausa.
    12,30: CONFERÊNCIA: A Resistência Política da Galiza.
    13,15: Comunicações e Colóquio.

    TARDE

    16,00: CONFERÊNCIA: A Resistência Diplomática da Galiza.
    16,45: Comunicações e Colóquio.
    17,00: Pausa.
    17,15: CONFERÊNCIA: A Resistência à Espoliação Económica da Galiza.
    18,00: Comunicações e Colóquio.
    18,15: Pausa.
    18,30: CONFERÊNCIA: A Resistência Linguística e Cultural da Galiza.
    19,15: Comunicações e Colóquio.
    19,30: CONCLUSÕES.

    Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

    10,00: A VOZ DAS VÍTIMAS DO FRANQUISMO e actos poético-musicais.
    12,00: Roteiro em auto-carro pela cidade: Cantão, Arsenal, Escola Obreira, Ponte das Cabras, Alcampo, Trincheira, as Pedras de Carança, Vilar Quinte e Serantes com homenagem.
    13,30: Entrega de Diplomas.
    14,30: Comida-Festa de Fraternidade.