quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Lei da memória histórica foi aprovada em Espanha

O parlamento espanhol aprovou hoje a Lei da memória histórica, em reconhecimento das vítimas do franquismo (em especial as da Guerra Civil de Espanha) e condenando esse regime como anti-democrático e usurpador do poder legítimo (vd. noticiário no diário espanhol Público). O respectivo anteprojecto fora aprovado em Julho passado, tal como então referimos neste post, em colaboração com o historiador Daniel Lanero Táboas.
Do lado positivo, destacam-se 9 pontos: 1) a condenação do franquismo, enquanto regime usurpador do poder democrático legítimo e opressor do povo espanhol (de acordo com o aprovado pela Comisión Constitucional del Congreso, em 2002, e pelo Conselho da Europa, em 2006); 2) a valorização da memória pública das vítimas da Guerra Civil de Espanha que lutaram pela defesa dos valores democráticos; 3) a ilegitimidade dos julgamentos franquistas relativos à Guerra civil; 4) a retirada dos símbolos franquistas de monumentos públicos e das igrejas (salvo se atentarem contra a integridade artística religiosa desses espaços), sob pena de suspensão de subsídios oficiais a essas entidades; 5) a proibição de celebrações políticas no Vale dos Caídos; 6) a possibilildade de concessão de indemnizações às vítimas caídas em nome da defesa da democracia; 7) a integração do Archivo General de la Guerra Civil de Salamanca no novo Centro Documental de la Memoria Histórica, tb. sediado naquela cidade; 8) a posibilidade de concessão da nacionalidade espanhola aos descendentes até ao 1.º grau de quem perdeu a nacionalidade espanhola pelo exílio, em consequência da Guerra civil ou da ditadura franquista; 9) facilidade de localização das fossas comuns e de identificação das vítimas do franquismo pelas autoridades públicas.
Do lado negativo, ressaltam 4 aspectos principais: 1) a não revisão dos processos judiciais franquistas ligados à Guerra civil; 2) as dificuldades na reabertura de fossas comuns de vítimas da repressão (os custos não são cobertos pelo Estado); 3) o futuro estatuto do monumento franquista Vale dos Caídos (que se mantém sem remoção da simbologia franquista); 4) o modo de se proceder à indemnização das vítimas.
Para uma reflexão mais aprofundada sobre esta importante questão recomenda-se a leitura do post "A «Ley de la memoria histórica», por Daniel Lanero Táboas" e das notícias "Las diez claves de la nueva ley" e "El Congreso aprueba la Ley de Memoria Histórica", ambas do diário espanhol Público.
Nb: imagem icónica do assassínio de defensor republicano durante a Guerra Civil de Espanha, vítima de disparos por fiéis aos nacionalistas de Franco (foto de Robert Capa).

Petição anti-Museu Salazar com 16 mil assinaturas será entregue na AR a 5 de Novembro

Uma petição contra o «Museu Salazar», organizada pela URAP, recolheu 16 mil assinaturas até 30 deste mês, informa hoje esta organização no seu site oficial.
Este museu foi projectado para Santa Comba Dão, ao arrepio das deliberações camarárias, com prejuízo para o erário público e albergaria bens do ditador, fazendo prever um museu apologético (ou, no mínimo, nostálgico) do regime deposto.
Após contestação pela opinião pública, o projectado «Museu Salazar» foi entretanto 'maquilhado' como «Centro Documental Museu e Parque Temático do Estado Novo», sem que tenham sido alterados os pressupostos iniciais.
A petição será entregue pela URAP no Parlamento no próximo dia 5 de Novembro, às 16h.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Encontros em lugares de Memória da Resistência - “Sem memória não há futuro”


Dia 27 decorreu a 2ª sessão de Encontros em Lugares de Memória da Resistência organizada pelo núcleo do Porto do Não Apaguem a Memória!

O jornalista Victor Melo do jornal 1º de Janeiro esteve presente e publicou o artigo que transquevemos:

O Movimento Não Apaguem a Memória! promoveu um encontro no Café Ceuta para ouvir relatos de protagonistas da luta contra a ditadura. Histórias de sofrimento contadas na primeira pessoa, num dos locais onde a liberdade era respirada, clandestinamente.

Sexta-feira, 24 de Março de 1967

Um tiro cruza a estrada e rebenta um dos pneus do velho Mini Morris, arrastando o veículo e os seus quatro ocupantes por uma ribanceira de 30 metros. Após uma queda revoltosa, imobiliza-se, capotado e em chamas. Dois dos ocupantes conseguem sair e retirar um outro por uma das exíguas janelas do já por si exíguo automóvel. O quarto ocupante, preso por um dos bancos, morreu queimado.

Jorge Pires recupera os sentidos deitado no alcatrão, com a visão de centenas de jornais a esvoaçar pela estrada. E foi precisamente com esses papéis e palavras proibidas a pairar à sua volta que seria algemado por dois agentes da PIDE, moribundo, ainda a ouvir os gritos de agonia do seu amigo a ser devorado pelas labaredas.

Com 21 anos, estudante do segundo ano da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e acabado de aderir ao partido comunista, tinha arrancado do Porto com destino a Lisboa. O carro foi interceptado na estrada nacional em Arrifana, perto de Santa Maria da Feira. Na bagageira seguia uma mala com centenas de jornais do Avante. “Na altura eram jornais clandestinos, proibidos. Bastava ser apanhado com um na mão para ser interrogado ou até preso”. As publicações eram impressas em tipografias sombrias, clandestinas, secretas. “Quando impressos no norte, eram distribuídos no sul ou vice-versa”.

O jovem estudante permaneceu hospitalizado durante quatro meses, sob ordem de prisão. “Era surreal, eu cheio de gesso dos pés à cabeça, a ser interrogado na enfermaria pelos agentes da PIDE, munidos de máquinas de escrever e ávidos por respostas”, recorda.

Em fins de Novembro é enclausurado nos calabouços da PIDE no Porto. Ali permanece, sem direito a visitas, tratamento hospitalar, ler ou escrever. Isolado do mundo sem nada mais do que a companhia omnipresente da luz acesa. Todos os dias descia da “tarimba” e caminhava, passos sem fim num espaço de três metros por dois. “Percorria aquilo de trás para a frente”, contando as vezes que fazia essa “viagem”. “Era a única forma de combater o stress”.
Recorda vividamente a espinha de bacalhau que lhe foi servida na cela na véspera de Natal, o balde dos dejectos, “as frias paredes de pedra, de branco sujo, com uma janela minúscula, gradeada, quase junto ao tecto”. Longe da vista, mas perto dos ouvidos. “Era angustiante. Ouvia o ruído dos carros, as pessoas a passarem na rua. Que dor era sentir o quotidiano das pessoas, indiferentes à minha presença naquela cela, à injustiça do meu cativeiro”.

A reminiscência é de Jorge Pires, 62 anos, professor de Filosofia e Psicologia e membro da Assembleia Municipal de Torres Vedras. As suas palavras são ouvidas no Café Ceuta, “local de inúmeras conversas secretas até às tantas da manhã, sempre na mira dos bufos fascistas”, no âmbito da iniciativa «Encontros em lugares de Memória da Resistência», protagonizada pelo núcleo do Porto do movimento «Não Apaguem a Memória!». Trata-se de um movimento cívico que visa a preservação da memória histórica das lutas de resistência à ditadura, promovendo encontros em lugares emblemáticos dessa resistência.

Tarrafal: foi há 70 anos que aí chegaram os primeiros presos políticos (documentário)

Um documentário sobre o campo de concentração do Tarrafal será exibido hoje na RTP2, às 23h30, precisamente no dia da chegada dos primeiros presos políticos ao seu interior. Chama-se Há setenta anos, o Tarrafal - os últimos sobreviventes, a autoria é de Fernanda Paraíso, e a produção cabe à Take 2000. Eis o resumo oficial do mesmo:
"Um documentário que assinala os 70 anos da chegada dos primeiros presos políticos ao Tarrafal A 29 de Outubro celebra-se a chegada dos primeiros 152 presos políticos ao campo de concentração do Tarrafal. Este documentário biográfico recolhe o testemunho de cada um dos cinco últimos sobreviventes do campo, nascidos entre 1914 e 1918 e que, com idades entre os 17 e os 20 anos, foram enviados para a chamada «colónia penal» onde passaram o melhor da sua juventude.
Cinco percursos paradigmáticos partilham o idealismo que vai conduzir estes jovens a cruzar os seus destinos no campo de concentração do Tarrafal...".

domingo, 28 de outubro de 2007

Andrée de Jongh in memoriam (1916-2007)


A condessa Andrée de Jongh, Dédée nos anos de resistência contra a ocupação nazi durante a 2ª Guerra Mundial, morreu no passado dia 13 num lar de terceira idade em Bruxelas.

Andrée foi uma heroína da luta contra as forças do Terceiro Reich.

A invasão da Bélgica em 1940 foi rápida e decisiva e a maior parte do país tolerou os ocupantes. Houve quem não o fizesse, porém, e com grande sacrifício e risco da própria vida, como o pai de Andrée, fuzilado depois de um julgamento sumário.

O que levou homens e mulheres a procederem contra a prudência colaboracionista dominante foi um imperativo moral simples que Andrée de Jongh descreveu assim: “Quando a guerra foi declarada eu sabia o que precisava de ser feito. Não houve uma hesitação. Não podíamos parar o que tínhamos a fazer, embora soubéssemos o custo. Mesmo que o preço fosse as nossas vidas, tínhamos de lutar até ao último alento.”

A acção a que Andrée se dedicou foi a recolha, abrigo e transporte até Espanha de militares aliados encontrados em território ocupado.

Entre 1941 e 1944, esta linha de evacuação, conhecida por Linha Cometa, salvou quase 700 aviadores aliados.

Até ser traída e presa em 1943 pela Gestapo no país basco francês, Dédée organizou e conduziu até ao norte de Espanha muitos homens cujas vidas foram assim salvas.

Depois da guerra, Andrée de Jongh, libertada de um campo de concentração alemão, recebeu a mais alta condecoração dada a estrangeiros na Grã-Bretanha, a medalha da Liberdade dos Estados Unidos da América, a Legião de Honra e a Cruz de Guerra belga.

Pouco depois, partiu para como enfermeira para uma leprosaria no Congo Belga e, anos mais tarde, para outra na Etiópia.

Só as maleitas da velhice a fizeram voltar à Bélgica.

É bom lembrar-nos dela.

Não podemos esquecer que um quarto da população alemã acha, hoje, que Hitler, afinal, também tinha o seu lado bom.

Fonte: José Cutileiro no Expresso de 27/10/2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Genealogia dos movimentos de libertação africana

No âmbito do seminário permanente Comunismos: História, Poética, Política e Teoria, organizado pelo Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE, sob coordenação de João Arsénio Nunes e José Neves, realiza-se na próxima quinta-feira, 25 de Outubro, uma sessão com António Tomás, dedicada ao tema "Entre Movimento Negro e Marxismo: Genealogia dos Movimentos de Libertação da África Lusófona". A sessão terá início às 17.30h no Auditório Silva Leal do ISCTE (Ala Autónoma).
António Tomás, doutorando em antropologia pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque, é antropólogo e jornalista. Colabora regularmente com jornais angolanos, como o Jornal de Angola e o Angolense. É autor do livro "O Fazedor de Utopias - Uma Biografia de Amílcar Cabral", que as Edições Tinta-da-China acabam de publicar.
Imagem: Amílcar Cabral (retirada daqui).

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Lançamento do Livro "A História da PIDE"


No próximo dia 30 de Outubro, às 18,30 horas, realiza-se na Torre do Tombo, em Lisboa, o lançamento do livro de Irene Pimentel A História da Pide.

O livro será apresentado pelo historiador José Medeiros Ferreira.

A História da PIDE é o resultado do trabalho de investigação que, durante quase seis anos, Irene Pimentel levou a cabo na Torre do Tombo e de que resultou a sua tese de doutoramento, agora publicada em livro pelas editoras Círculo de Leitores e Temas e Debates.

Sobre este trabalho, Irene Pimentel declarou ao Jornal de Notícias a 18 de Outubro:

"Sou de uma geração que viveu o tempo da PIDE. Era algo que gostava de perceber melhor para ajudar a eliminar os mitos e ver como funcionava. O que mais me surpreendeu nesta investigação foi a quantidade de informadores com que a antiga polícia política do Estado Novo podia contar. Na verdade nunca se chegará a saber o número exacto já que parte significativa desses registos foi destruída.

É um lado impressionante da sociedade portuguesa que por si só merecia um trabalho de investigação. Acho que ainda não fez o luto desta realidade."

domingo, 21 de outubro de 2007

As lágrimas de Edmundo Pedro no regresso do Tarrafal


A 17/09/2007, o jornalista Fernando Peixeiro do Diário de Notícias, publicou este artigo a propósito da última visita de Edmundo Pedro a Cabo Verde:


"Edmundo Pedro, antifascista e antigo preso político, soube que a ministra da Cultura ia estar três dias a visitar a ilha de Santiago, Cabo Verde, e meteu-se no mesmo avião para a acompanhar no dia que fosse ao antigo campo de concentração do Tarrafal.


Pagou do seu bolso uma viagem e estada para ir dizer que é preciso não deixar que a colónia penal fique abandonada, que deve ser construído ali um museu da resistência, e chorou quando recordou os quase 10 anos amargos que lá passou.


A iniciativa deste homem, de 89 anos, apanhou de surpresa a comitiva de Isabel Pires de Lima, que só soube do acompanhante já no avião de Lisboa para a Praia, capital de Cabo Verde.


Agastado com o alto preço da viagem, Edmundo Pedro era ainda assim um homem convicto, à chegada, como de resto foi toda a vida. "Quero aproveitar a presença da ministra para a sensibilizar. Quero que ajude a preservar algo que faz parte da história contemporânea, que ajuda a caracterizar o antigo regime e que está cada vez mais esquecido", disse. Edmundo Pedro tem um sonho: fazer da antiga colónia penal do Tarrafal, mandada construir por Salazar para alojar presos políticos e que funcionou entre 1936 e 1954, num museu, porque "o que lá está agora é uma caricatura de museu".


Na Cidade da Praia, o antigo "tarrafalista" foi recebido pelo Presidente da República, Pedro Pires, de quem é amigo e com quem comunga da mesma ideia: o Tarrafal, agora apenas o que resta dos edifícios e um pequeno centro de interpretação, à entrada, que explica como funcionou a prisão, deveria ser transformado num centro de convívio da CPLP, um local de amizade e um museu a sério, com testemunhos e objectos que fizeram a história do campo de concentração. Preso por ser do PCP, hoje filiado no PS, Edmundo Pedro diz também que toda a herança do Tarrafal tem sido monopolizada pelos comunistas e adianta que o campo de concentração tem de ser visto numa perspectiva nacional e não partidária. E se Pedro Pires quer promover, em Cabo Verde, um grande fórum sobre campos de concentração que o faça depressa. E se querem fazer um museu a sério que seja rápido. Edmundo Pedro tem muitos documentos e até a cópia de uma máquina de cortar tabaco feita por Bento Gonçalves, antigo secretário-geral do PCP que morreu no Tarrafal. Mas ele, Edmundo Pedro, tem também 89 anos e a certeza que poucos lhe restam para "contribuir para que a memória do Tarrafal não se apague". Mas não parece. Quando, com os ministros da Cultura de Portugal e Cabo Verde atravessa o portão de entrada do campo é como se voltasse a ter outra vez 17 anos, a 1936.


Num desenho do campo dessa altura aponta a segunda tenda de uma fila dupla, como sendo a sua (antes dos pavilhões terem sido construídos). Depois, na antiga cozinha, lembra o dia em que se reuniram ali 140 homens, a preparar uma fuga em massa, enquanto ele vigiava os guardas, ainda assim não impedindo que fossem descobertos e a tentativa abortada. Cá fora, ao sol, recorda a fuga mais espectacular e rocambolesca que protagonizou com o pai e mais três companheiros. A tentativa de fuga de barco, a perseguição, as peripécias, até serem apanhados finalmente. Edmundo Pedro conta tudo com pormenores, incluindo o castigo, 70 dias na "frigideira", uma construção sem janelas onde os presos quase "fritavam". "Chegava aos 50 graus", recorda, como recorda que estiveram três dias sem beber e que quando lhe deram um balde de água também não puderam matar a sede "porque a língua tinha inchado de tal maneira que ocupava a boca toda". Depois lembra a tentativa de suicídio do pai, as mortes frequentes de presos (assistiu a 32 óbitos) ou aponta o local dos ganchos onde eram atados os presos para serem chicoteados."Tenho uma recordação muito viva e trágica: foi a morte da minha grande referência ainda hoje, um grande amigo." Debaixo de uma árvore, Edmundo Pedro volta a ter 89 anos quando lembra a convivência, ali, com Bento Gonçalves."Chorávamos pelos que se iam embora e até por nós. Eu via passar os anos, via morrer os meus companheiros. Tive momentos em que chorei, às escondidas do meu pai. Mas é natural que se chore."


E por ser natural, 71 anos depois, 65 anos e dois dias depois da morte de Bento Gonçalves, Edmundo Pedro voltou a chorar no Tarrafal. Pelos que morreram mas também por ele."

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Audiência do Movimento com o Ministro da Justiça

Conforme estava agendado, realizou-se dia 17 de Outubro a 3.ª audiência do NAM com o Sr. Ministro da Justiça, Alberto Costa.

Nesta audiência o NAM fez-se representar por 5 elementos, 3 do Grupo de Trabalho do Aljube e 2 do Grupo de Ligação.

Uma vez mais foram expostos ao Sr. Ministro os nossos objectivos para que a antiga cadeia do Aljube venha a albergar um dos pólos do Museu da Resistência e da Liberdade. O Sr. Ministro referiu que o edifício do Aljube sendo da tutela do Ministério das Finanças, estava afecto ao Ministério da Justiça e que, por sua vontade, não o desafectaria enquanto não surgisse um projecto museológico que salvaguardasse a memória daquele espaço.

Foram durante a audiência aventadas pelo Sr. Ministro duas hipóteses de concretização do projecto:

1. ou através da constituição de uma fundação com o NAM como fundador e com o objectivo específico de criar e gerir o futuro museu, cedendo o Estado unicamente o espaço para o efeito;

2. ou a assunção pelo Ministério da Cultura do projecto de constituição do museu, a expensas estatais na qual o NAM teria a função de consulta e aconselhamento. Foi por nós referido ao Sr. Ministro que era esta última, no entender do NAM, a hipótese que nos parecia mais correcta, porquanto entendemos que o Estado tem de cumprir o DEVER DE MEMÓRIA.

Quanto à pretensão do NAM em ocupar uma parte do edifício do Aljube para o seu funcionamento, foi-nos comunicado que isso seria uma questão a ponderar, dependendo da decisão governamental de transformar ou não o Aljube no Pólo Museológico – Resistência e Liberdade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Encontros em lugares de Memória da Resistência - 2ª sessão


O núcleo do Porto do movimento Não Apaguem a Memória!, movimento cívico que visa a preservação da memória histórica das lutas de resistência à ditadura, promove os Encontros em Lugares de Memória da Resistência, esperando que as histórias contadas pelos protagonistas das acções de resistência anti-fascista venham enriquecer a nossa memória colectiva do fascismo.

Contando com os testemunhos dos que participaram nas lutas informais e nas actividades promovidas por associações de todo o tipo, como colectividades culturais, entidades cooperativas, organizações de jovens trabalhadores e associações estudantis, o Movimento Não Apaguem a Memória! convida todos quantos frequentaram os lugares simbólicos dessas acções.

Tendo-se iniciado este ciclo de tertúlias no café "Piolho", apelamos agora à sua participação activa, no próximo sábado, 27 de Outubro, às 15.30h no café CEUTA, local onde se realiza o segundo encontro.

O Núcleo do Porto do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Os despojos da Aliança

O livro Os despojos da Aliança. A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa (1945-1976), do historiador Pedro Aires Oliveira, será lançado na próxima 6.ª feira, às 18h, na Casa Fernando Pessoa. O discurso de apresentação cabe a José Medeiros Ferreira.
A obra, editada pelas edições Tinta da China, é uma versão da sua tese de doutoramento e aborda as relações diplomáticas entre Portugal e Reino Unido na fase do ocaso sangrento do colonialismo português.
Mais informações aqui.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

13º Plenário do Movimento "Não Apaguem a Memória"

Por decisão do 10º Plenário do NAM coube ao Grupo de Ligação (GL) apresentar uma proposta quanto ao modelo de institucionalização do Movimento, nomeadamente se deveria constituir-se enquanto Associação ou na base de um outro formato institucional. Entendeu o GL ser adequado ouvir a opinião de pessoas, com experiência e conhecimento neste particular, tendo sido ouvidos os companheiros Macaista Malheiros e Alfredo Caldeira.

Ao termo da discussão, diante dos argumentos expostos, houve convergência quanto à opção pelo modelo de Associação que apresentaria vantagens indiscutíveis em termos de facilidade e custo.

Começou, então, a ser discutida, no âmbito do GL, uma proposta elaborada pelo companheiro Martins Guerreiro que apresentava as bases de um modelo de Associação que visava sobretudo salvaguardar, tanto quanto possível, a forma de funcionamento deste movimento cívico, tal como foi aprovada na sua Carta (Plenário soberano, grupos de trabalho, núcleos locais/regionais, etc).

Nos últimos quatro meses esta proposta foi debatida no âmbito do GL. Porém, de forma a respeitar a decisão soberana do Plenário entendeu o GL dever apresentar, em Plenário, um texto sintético (que circulou pela Lista TODOS) pois haveria que saber, em primeiro lugar, se seria aprovada a transformação do NAM em associação antes de elaborar o seu modelo de organização e de funcionamento, consubstanciado num projecto de Estatutos.

No último Plenário teve início este debate que será prosseguido no próximo.
Dado que está em jogo o futuro do Movimento fazemos um apelo à participação a mais ampla possível dos apoiantes do NAM que representam actualmente quase 600 pessoas.

A Ordem de Trabalhos do 13º Plenário do Movimento Não Apaguem a Memória! é a seguinte:

1. Aprovação da Acta do Plenário anterior.
2. Discussão e votação da eventual transformação do Movimento em Associação.
3. Medidas decorrentes da decisão aprovada no ponto anterior.
4. Marcação do próximo Plenário.


A Mesa do Plenário
O Grupo de Ligação

Lembrar Adriano - "Há Sempre Alguém que resiste"


De 16 a 20 de Outubro decorre, na Voz do Operário, em Lisboa, uma Homenagem a Adriano Correia de Oliveira, a propósito dos 25 anos do seu desaparecimento.

Esta homenagem decorre sob o lema Há Sempre alguém que resiste.

A Comissão Promotora é composta pelos Amigos de Adriano a que se juntaram:
S.I.B. “A Voz do Operário”
CGTP-IN
Confederação Portuguesa das Colectividades
Junta de Freguesia de São Vicente de Fora
PCP- Organização Regional de Lisboa
Centro Cultural Regional de Santarém

Programa:
Dia 16 de Outubro 18:30h:

- Sessão Solene e Inauguração da Exposição sobre Adriano Correia de Oliveira (Presenças: Presidente da CML/Comissão Promotora/Familiares)

Poesia por: Maria do Céu Guerra, José Fanha e Carlos Paulo.

19:30h - Jantar de Confraternização

21:30h - Colóquio sobre a Vida e Obra de Adriano Correia de Oliveira, com a participação de Luís Cília, José Barata Moura, Lopes de Almeida, Vial Moutinho, Paulo Sucena, José Carlos Vasconcelos, Deolinda Bernardo, José Pires, Vítor Melancia, Tuna Académica de Lisboa.

17 a 20 de Outubro: das 10h às 22h - Visitas guiadas à Exposição, para escolas, instituições e população interessada, animadas com pequenos espectáculos de música e poesia.

20 de Outubro às 21:30h - Espectáculo Músical 25 Anos - 25 Canções Lembrar Adriano com a participação de Amélia Muge, Brigada Vítor Jara, Carlos Alberto Moniz, Fausto, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Janita Salomé, João Fernando, Luís Represas, Luísa Basto, Manuel Freire, Nuno do Ó, Paulo Saraiva, Paulo Vaz de Carvalho, Pedro Abrunhosa e Samuel.

24 horas: Serenata com a participação do Grupo de Guitarra e Cantares de Coimbra e do Centro Cultural Regional de Santarém.

O novo Museu do Neo-Realismo (guia de fontes sobre a resistência-II)

O novo edifício do Museu do Neo-Realismo será inaugurado no próximo sábado em Vila Franca de Xira. Na mesma ocasião formaliza-se a doação de 3 espólios literários: os legados do escritor Orlando da Costa (Lisboa), do ensaísta e dramaturgo Mário Sacramento (Aveiro) e parte do espólio do escritor Alves Redol (V. F. de Xira). Os três foram resistentes ao salazarismo, tendo sido membros do MUD e militado no PCP. Estes espólios irão juntar-se a muitos outros, que começaram a ser aí depositados em 1991 (o 1.º foi o do escritor Manuel da Fonseca; vd. restantes aqui).
Mostram-se então ainda 4 novas exposições: Batalha pelo conteúdo – Movimento neo-realista português (colectiva de iconografia, documentação e bibliografia); Uma arte do povo, pelo povo e para o povo – Neo-realismo e artes plásticas (colectiva de artes plásticas); The return of the real (ciclo de arte contemporânea); Sonhando para os outros (biobibliográfica de Arquimedes da Silva Santos).
A cerimónia de inauguração contará com a presença do presidente da República e da ministra da Cultura. O novo edifício é da responsabilidade do arq. Alcino Soutinho. O Museu foi originalmente criado em 1990 para acolher um Centro de Documentação sobre o movimento neo-realista português. Foi depois reforçado com uma colecção específica de artes plásticas, a melhor do género existente no país.

Serviços disponibilizados:
>visitas orientadas às exposições e oficinas educativas
>promoção de encontros, debates, conferências e colóquios
>consulta e pesquisa bibliográfica e documental especializada
>reprodução em fotocópia ou em meio digital de documentação
>itinerância de exposições
>edição e venda de publicações e catálogos

Horário de atendimento ao público:
>9h30-12h30, 14h-17h30 (2.ª a 6.ª feira)

Contactos do Museu do Neo-Realismo:
Rua José Dias da Silva, n.º 2, 2.º
2600-169 Vila Franca de Xira
Tel.: 263 285 600 (ext. 5870/ 5871/ 5872)
E-mail: neorealismo@cm-vfxira.pt

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Lançamento do Livro "Timor na 2ª Guerra Mundial"







Dia 18 de Outubro de 2007, pelas 18 horas, no Auditório da Fundação Mário Soares, O Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE e a Fundação Mário Soares apresentam o livro Timor na 2ª Guerra Mundial de António Monteiro Cardoso.







A apresentação da obra ficará a cargo do Professor Doutor José Medeiros Ferreira e do Escritor Luís Cardoso.







O Convite é assinado por Mário Soares e Maria Carlos Radich, em nome da Fundação e do CEHCP do ISCTE, respectivamente.








António Monteiro Cardoso lecciona a cadeira de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa.

Exerceu o cargo de Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Comunicação Social no Governo de António Guterres.

É autor do romance Boas Fadas que Te Fadem e de obras de investigação no domínio da História e da Comunicação Social, nomeadamente do livro A Guerrilha do Remexido, em co-autoria com António do Canto Machado.

É doutor em História Contemporânea pelo Instituto de Ciências Sociais do Trabalho e da Empresa (ISCTE).




O livro relata, através do Diário do Tenente Manuel Pires, a resistência do povo timorense à invasão dos japoneses na II Guerra Mundial.


Tomai lá do O'Neill

O documentário que o realizador Fernando Lopes fez em 2004 sobre o poeta Alexandre O’Neill (1924-1986) passa hoje, finalmente, na RTP2 (às 23h45).
Aborda a sua poesia e as histórias da sua vida, contadas por Antonio Tabucchi, Hellmut Wohl, Gérard Castello-Lopes, João Botelho e Afonso O’Neill, entre outros.
Nas palavras do realizador: "Trata-se de um tributo pessoal (…). Trata-se, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afectivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com quem tive o privilégio e conviver".
Breves notas da sua biografia cívica
Aos 23 anos, O'Neill foi um dos co-fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, Vespeira, Moniz Pereira, António Domingues e Fernando de Azevedo, um movimento que se inspirou no movimento surrealista criado em 1924 pelo francês André Breton.
Pela mão do maestro e compositor Fernando Lopes Graça e do seu grupo coral chamado Amizade (ligado aos movimentos juvenis da oposição), ele e Cesariny passam por várias colectividades do Barreiro para cantar ideais proibidos pelo regime salazarista. Como comentava O'Neill: "Politicamente, claro que era do contra: MUD juvenil". Nos anos 60 gritou contra o medo: "Penso no que o medo vai ter e tenho medo/ que é justamente/ o que o medo quer" ("Poema pouco original do medo", transcrito neste blogue aqui). Rebelou-se contra a "mediocridade do fascismo e do bota-de-elástico do Salazar", e inconformou-se com a passividade da maioria da sociedade, tendo então escrito um outro poema logo famoso, ao mesmo tempo amargurado e ácido:
"Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
" («Portugal», in Feira cabisbaixa, 1965).
Fontes: RTP e aqui (inclui bibliografia e poemas).

Ficha técnica do documentário
«Tomai lá do O'Neill»
Origem: Portugal - 2004
Duração: 52m
Realização: Fernando Lopes
Fotografia: Rui Poças
Com: Rogério Jacques, Rui Morrison, Antonio Tabucchi, Helmut Wohl, Gérard Castello Lopes, João Botelho, Afonso O'Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos

domingo, 14 de outubro de 2007

A guerra colonial, às terças na RTP1

Até Dezembro, às terças-feiras à noite, estarei em frente à televisão a ver a série documental "A Guerra" (do ultramar / colonial / de libertação), do jornalista Joaquim Furtado (RTP1).
Segundo li no Público de ontem, trata-se de um trabalho de jornalismo de investigação, com recurso a abundante material audiovisual da RTP, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, de particulares, a centenas de documentos textuais e fotográficos, a cerca de 200 entrevistas a militares, a políticos, a antigos colonos, a empresários, a religiosos. Além disso, muitas das entrevistas foram feitas em lugares da guerra, pondo frente a frente militares portugueses e combatentes africanos, desafiando e confrontando reconfigurações actuais, parcelares e concorrentes das memórias do conflito que marcou os últimos 13 anos do império.
Seis anos, o tempo que Joaquim Furtado levou a fazer esta série documental, não são muitos anos para um trabalho de fundo, sério e rigoroso sobre um tema extremamente sensível da nossa história recente. Sobretudo se ele contribuir, como espero, para desfazer a propaganda colonial e os mitos pós-coloniais, e nos devolver uma leitura crítica e problematizadora da guerra que opôs o exército português aos movimentos de libertação de Angola, da Guiné e de Moçambique, entre 1961 e 1974.

sábado, 13 de outubro de 2007

«A desobediência» de Aristides de Sousa Mendes

Estreou ontem a peça teatral «A desobediência», no Teatro da Trindade, em Lisboa. O texto é de Luiz Francisco Rebello e a encenação de Rui Mendes.
Paralelamente, começou a 2 deste mês um ciclo de conferências semanais dedicada ao cônsul Aristides de Sousa Mendes e ao seu gesto humanitário de concessão de vistos a cerca de 30 mil pessoas, a maioria dos quais para judeus perseguidos pelos nazis e seus cúmplices (vd. programa aqui).
Eis a sinopse da peça:
"No verão de 1940, quando as tropas alemãs invadiram a França, a salvação de milhares de homens e mulheres que fugiam do regime de terror instaurado na Europa pelo nazismo, dependia de um visto de trânsito para um país neutro. Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus, dividido entre o cumprimento das ordens ditadas por Salazar e a sua consciência, optou por obedecer a esta e desobedecer àquelas. O resultado seria a salvação de cerca de 30 mil judeus e o seu afastamento definitivo da carreira diplomática. É esse conflito dramático, as circunstâncias em que se desenrolou e as suas dolorosas consequências, que constituem o tema desta peça, escrita em 1995, publicada em 1998, traduzida em espanhol, hebraico, búlgaro e inglês".
Nb: imagem de apresentação da peça, retirada daqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A natureza do fascimo

A Conferência Internacional «The nature of fascism - 40 years on» inicia-se hoje no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (sala polivalente), concluindo-se os trabalhos no sábado (vd. programa aqui).
Neste encontro serão apresentadas comunicações de especialistas como Roger Griffin, Stein U. Larsen, Stuart Woolf, Adrian Lyteltton, entre outros. A organização está a cargo de António Costa Pinto (ICS-UL) e de Giulia Albanese (IUE), que também conferenciam.


Nb: na imagem figura a capa do livro The nature of fascism, de Roger Griffin, a qual foi retirada daqui.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A violência política sob o salazarismo

Saiu na edição deste mês do Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa uma recensão crítica ao livro Vítimas de Salazar, por Daniel Melo. O livro, da autoria de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha, trata da violência política sob a ditadura salazarista, abordando o aparelho repressivo oficial e as suas vítimas. A esta obra já aqui falámos, aquando do seu lançamento em Fev.º deste ano.
Um dos autores desse livro, Irene Pimentel, irá lançar uma versão da sua tese de doutoramento no final deste mês. Chama-se A história da PIDE, tem a chancela do Círculo de Leitores e da Temas & Debates e dele daremos notícia detalhada noutro post mais próximo da data.
Imagem: cela da Prisão do Forte de Peniche (foto de Pedro Medeiros retirada daqui).