quarta-feira, 2 de abril de 2008

Colóquio sobre Maio de 1968



MAIO' 68
POLÍTICA * TEORIA * HISTÓRIA


Colóquio Internacional
Lisboa, 11 e 12 de Abril de 2008
Instituto Franco-Português
Av. Luís Bívar, 91 METRO: São Sebastião - Campo Pequeno.

Tradução Simultânea
Entrada Livre
Mais informações: lisboa1968@gmail.com (+351) 213111468

Organização:
Instituto Franco-Português
Instituto de História Contemporânea
Le monde diplomatique – edição portuguesa

Apoios: FCT Fábrica de Braço de Prata Goethe Institut Antígona

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Maio de 1968. Em Paris anuncia-se o início de uma luta prolongada. Quatro décadas depois, este colóquio internacional reúne um conjunto de reputados intelectuais cujas investigações permitiram voltar a olhar para 1968 nas suas mais variadas dimensões. Levando o debate mais além das repetidas alusões ao cariz geracional e estudantil da revolta, mapeando 1968 para lá das fronteiras da França, o colóquio confronta a importância de 1968 na emergência de novas subjectividades políticas, analisa a dimensão de luta de classes que atravessa o período e discute a persistência de Maio'68 nos conflitos políticos contemporâneos.
Os coordenadores,

Bruno Peixe (NÚMENA)
Luís Trindade (IHC-UNL/U.Birkbeck)
José Neves (ICS-UL)
Ricardo Noronha (IHC-UNL)
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PROGRAMA

11 DE ABRIL
9h30
Sessão de Abertura

10h Maio no Mundo
Fernando Rosas
Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia

Gerd-Rainer Horn
Um conto das duas europas

Manuel Villaverde Cabral
Maio de '68 como revolução cultural

14h30 Ideias de Maio
Anselm Jappe
Maio de 68, do «assalto aos céus» ao capitalismo em rede. O papel dos situacionistas

Daniel Bensaid
Como será possível pensar que se possa quebrar o ciclo vicioso (da dominação)

Judith Revel
1968, o fim do intelectual sartriano


12 DE ABRIL
10h Maio em Movimento

Maud Bracker
Participação, encontro, memória: os imigrantes e o Maio de 68

João Bernardo
Estudantes ou trabalhadores?

Franco Berardi (Bifo)
68 e a génese do cognitariado


14h30 O Outro Movimento Operário

Xavier Vigna
As greves operárias em França em 1968

Yann Moulier Boutang
Maio de 68, herança por reclamar na divisão de perdidos e achados da História

John Holloway
1968 e a crise do trabalho abstracto


18h 1968 - 2008

Bruno Bosteels
A revolução da vergonha

François Cusset
Os embalsamadores e os coveiros


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RESUMO DAS COMUNICAÇÕES

Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia
Fernando Rosas
Pretende-se discutir o papel que o "Maio de 68" em Portugal, ou seja, a contestação estudantil de 1969, desempenhou na radicalização da luta política em geral e na alteração das relações de hegemonia em favor das mundivisões marxizantes e revolucionárias na sociedade portuguesa da época.
Fernando Rosas, Historiador, Professor catedrático da FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Autor de bibliografia sobre a História do séc. XX em geral e a História do Estado Novo português em particular.

Um conto de duas Europas
Gerd-Rainer Horn
Em quase todo o lado o meio estudantil universitário serviu de catalisador para "1968", e isto será exemplificado com um breve olhar sobre as origens do 1968 Belga. Contudo, podemos distinguir dois padrões bem distintos na Europa Ocidental e nos Estados Unidos em 1968. Na "Europa do Norte" e nos Estados Unidos, 1968 representou sobretudo uma série de movimentos sociais de base estudantil. Na "Europa do Sul", 1968 foi muito mais transclassista, com a classe operária a assumir um papel proeminente.
Gerd Rainer Horn ensina no departamento de Hiatória da Universidade de Warwick e escreveu The Spirit of '68.

Maio de '68 como revolução cultural
Manuel Villaverde Cabral
Testemunho pessoal sobre o momento mais alto de um movimento social internacional que não queria o poder, mas que nem por isso – ou talvez por isso – deixou de mudar o mundo.
Manuel Villaverde Cabral nasceu em 1940. Fugiu à PIDE em 1963, indo para Paris onde trabalhou e estudou. Voltou a Portugal em 1974, ingressou na carreira docente no ISCTE, entrou para o antigo Gabinete de Investigações Sociais em 1975, passando para a carreira de investigação quando foi criado o Instituto de Ciências Sociais na Universidade de Lisboa em 1982. Foi Director da Biblioteca Nacional entre 1985 e 1990.

Maio de 68: do «assalto ao céu» ao capitalismo em rede. O papel dos situacionistas
Anselm Jappe
Começaremos por abordar a questão de saber qual foi a «influência» dos situacionistas em Maio de 68 bem como na sua preparação, opondo a outros movimento políticos e intelectuais mais visíveis da época a sua própria agitação subterrânea. Sublinharemos de seguida que Maio de 68 constituiu simultaneamente um esforço de emancipação mas também o início da passagem para uma nova forma mais subtil de dominação capitalista. Neste contexto, recorreremos às ideias de Guy Debord para compreender esta evolução tirando daí algumas consequências.
Anselm Jappe ensina estética na Escola de Belas Artes de Frosinone (Itália). É autor de Guy Debord (edíção portuguesa da Antígona prevista para 2008) e As aventuras da mercadoria. Para uma nova crítica do valor.


Lançamento do livro Guy Debord, pela Editora Antígona
12 de Abril 21h30
Fábrica de Braço de Prata
Apresentação por Ricardo Noronha


«Como será possível pensar que se possa quebrar o ciclo vicioso [da dominação]?»
Daniel Bensaïd
Era esta a questão colocada, logo em 1964, por Herbert Marcuse, em L'homme unidimensionnel, e que assolava a sua época. A exuberância dos acontecimentos de Maio terá significado um princípio de resposta à questão ou confirmado, pelo contrário, o fecho daquele ciclo vicioso, como parece indicar a evolução posterior da obra de Debord ou de Baudrillard: depois do espectáculo, estado supremo do fetichismo da mercadoria, o simulacro, estado supremo do espectáculo?
Daniel Bensaïd é Professor de Filosofia na Universidade de Paris VIII (Vincennes) e dirigente da Ligue Communiste Révolutionnaire (IV Internacional). Participante no movimento estudantil em Maio de 1968, é autor, entre outras, das seguintes obras: Mai 1968: Une répétition générale (1968), Walter Benjamin sentinelle messianique (1990), Marx l'intempestif : Grandeurs et misres d'une aventure critique (1996).

1968: o fim do intelectual sartriano
Judith Revel
1968 não constitui apenas o levantamento de uma geração que não quer mais viver de forma semelhante à dos seus pais, alimentando-se da mesma memória – de Vichy, das guerras coloniais – e reconhecendo-lhe os valores. Constitui também uma outra forma de conceber a tomada da palavra e a acção colectiva, os modos de intervenção política e os processos de subjectivação. Nesta grande transição de uma época à outra, a própria função dos intelectuais vê-se profundamente redefinida: o modelo sartriano de envolvimento político cede pouco a pouco o lugar a uma outra figura que, por seu turno, implica já uma análise diferente das relações de poder e do papel do conhecimento, da função das lutas e dos usos colectivos da palavra. De Sartre a Foucault, trata-se pois de uma passagem de testemunho em forma de ruptura – que quarenta anos depois não deixa de suscitar mal-entendidos.
Judith Revel, filósofa, italianista e tradutora, docente (maître de conférences) na Universidade de Paris-I Sorbonne. Especialista em pensamento contemporâneo, particularmente no de Michel Foucault, a quem consagrou numerosos livros e artigos, trabalha actualmente sobre as categorias políticas anteriores e posteriores a 1968. Integra a redacção das revistas Posse (em Itália) e Multitudes (em França), e o gabinete científico do Centre Michel Foucault. Membro da equipa de investigação ANR «La bibliothéque foucaldienne. Michel Foucault au travail" (CNRS-ENS-EHESS).

Participação, encontro, memória: os imigrantes e o Maio de 68
Maud Bracker
Esta comunicação debruça-se sobre alguns dos modos pelos quais os principais grupos que encabeçaram o Maio de 68 em França – estudantes, intelectuais, sindicalistas – tentaram compreender a emergência do mundo pós-colonial, e integraram essa passagem ao pós-colonialismo na sua oposição ao capitalismo. Contudo, as teorias e a acção em solidariedade com os trabalhadores imigrantes que se desenvolveram durante e após 1968 herdaram das formas mais antigas do anti-imperialismo marxista europeu alguns dilemas não-resolvidos.
Maud Bracke dá aulas de História Moderna Europeia na Universidade de Glasgow. É autora de Which socialism, whose détente? West European communism and the Czechoslovak crisis of 1968.

Estudantes ou trabalhadores?
João Bernardo
Será paradoxal que os participantes num movimento que jornalistas e historiadores insistem em classificar como estudantil colocassem principalmente problemas políticos e sociais relativos à classe trabalhadora? O desenvolvimento do capitalismo, com as pressões ao aumento da produtividade e com a necessidade de qualificar a força de trabalho, converteu universidades de elite em universidades de massa e transformou a maioria dos estudantes universitários em futuros trabalhadores.
João Bernardo é doutor pela Unicamp (Brasil). Em 1965 foi expulso por oito anos de todas as universidades portuguesas. Desde 1984 tem leccionado como professor convidado em universidades públicas brasileiras. É autor de numerosos artigos e livros.

1968 e a génese do Cognitariado
Franco Berardi (Bifo)
O movimento de 1968 representa o efeito da escolarização de massas e a primeira manifestação política da emergência do cognitariado, classe do trabalho cognitivo, composição social que se tornou predominante no final do século, com a difusão da rede.
Rádios piratas, cibercultura, net-art, são as manifestações sucessivas do trabalho cognitivo em busca da sua própria autonomia. Só reencontrando o fio (actualmente submerso) da revolta de sessenta e oito poderá o trabalho cognitivo empreender um processo de recomposição e autonomia.
Franco Berardi (Bifo), militante do Potere Operaio nos anos 60, redactor da Radio Alice em 1976 e fundador da revista A/traverso. Autor de Contro il lavoro, Mutazione Ciberpunk e Felix. Colabora actualmente com a revista on-line www.Rekombinant.org, ensina em Bologna numa escola para trabalhadores emigrantes e em Milão na Accademia di Belle Arti.

As greves operárias em França em 1968
Xavier Vigna
O movimento de Maio e Junho de 1968 em França constitui o mais importante fenómeno grevista de toda a história do país. Alarga-se a todo o território e mobiliza também operários de que até então não se falava: os jovens, as mulheres, os imigrantes. Retoma um vigoroso repertório de acções e levanta questões que não encontraram ainda resposta quando finalmente se retoma o trabalho em Junho de 1968. Nessa medida, o movimento grevista de Maio-Junho de 1968 constitui um evento que inaugura um período de dez anos de insubordinação operária: a década de 68.
Xavier Vigna, docente (maître de conférences) em história contemporânea na Universidade de Bourgogne, trabalha sobre a conflituosidade social e política na segunda metade do século XX. Publicou recentemente L'insubordination ouvrière dans les années 68. Essai d'histoire politique des usines.

Maio de 68, herança por reclamar na divisão de perdidos e achados da História
Yann Moulier Boutang
Começou por ser grande o interesse na recuperação de Maio de 68, depois na sua liquidação. Abordaremos aqui um ponto de vista radicalmente diferente relativamente ao qual trataremos dois aspectos: 1) Que foi realmente Maio de 68? Canto do cisne do movimento operário, outro movimento operário, proclamação oculta do verdadeiro sujeito da renovação radical do capitalismo? 2) Qual o legado não reclamado mas efectivo de Maio de 1968? Concluímos que o evento foi e continua a ser critério de demarcação entre duas fases, embora não necessariamente do modo condensado pelas diferentes cristalizações fantasmáticas que gerou e continua a produzir.
Director da Redacção da revista Multitudes. Professor universitário de ciências económicas (Universidade de Tecnologia de Compiègne e Escolas de Arte e Design de Saint Etienne).

1968 e a Crise do Trabalho Abstracto
John Holloway
1968 tornou evidente que a crise do trabalho é a crise do capital, que a luta contra o trabalho é a chave da luta contra o capital. Em 1968, o fazer fendeu o trabalho e transbordou. Falar hoje de 1968 não é falar de um legado histórico, mas sim das reverberações causadas por essa fissão.
John Holloway é professor na Universidade Benemérita de Puebla, no México. É autor de vários livros, publicados em vários países, o mais recente dos quais, Mudar o Mundo sem Tomar o Poder.

A revolução da vergonha
Bruno Bosteels
Partindo do famoso poema de Octavio Paz, publicado pouco depois do massacre de Tlatelolco no México em 2 de Outubro de 1968, poema inspirado nas cartas de Karl Marx ao seu amigo Arnold Ruge, discutirei o destino da esquerda no período posterior a 1968 em termos de vergonha e de melancolia, de coragem e de justiça. Não é apenas Sarkozy e os seus acólitos pseudo-intelectuais que pretendem acabar com o legado de 1968; na realidade, semelhante legado vê-se igualmente corroído a partir do seu interior por uma forte tendência de negação, a favor de um certo recuo do político, que se proclama mais radical que qualquer noção de revolucionarização da vergonha.
Bruno Bosteels é Professor Associado de estudos românicos na Universidade de Cornell. É autor dos livros Alain Badiou o el recomienzo del materialismo dialéctico e Badiou and Politics.

Os embalsamadores e os coveiros
François Cusset
No quadro da vastíssima bibliografia que 'explica' ou 'comemora' Maio de 68, a interpretação de esquerda, que lhe imputa o liberalismo da década de 1980, e a interpretação de direita, que o acusa de ter minado a autoridade e os valores, partilham entre si uma vontade intransigente de liquidar o movimento de Maio, denegando-lhe a dimensão de acontecimento, a sua actualidade intacta, em proveito de uma causalidade de carácter retrospectivo muito contestável. Embalsamadores de esquerda e coveiros de direita do Maio de 68 trabalham assim ombro a ombro para substituir a irrupção possível do comum pela impotência colectiva.
François Cusset, que ensina história intelectual em Sciences-Po-Paris e na Universidade de Columbia em França, é autor de Queer Critics, Frenche Theory e La Décennie. Em Maio de 2008 publica na editora Actes Sud um panfleto contras as mentiras históricas sobre 68, L'avenir d'une irruption.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Estatutos da Associação

A pedido da Comissão Instaladora da Associação, publicam-se de novo os Estatutos já com a alteração feita ao Artigo 12º que, por lapso, tinha sido registado com uma redacção incorrecta.
Estatutos

JORNADAS pela MEMÓRIA das LUTAS pela LIBERDADE



Salvaguardar a memória da resistência à opressão do Estado Novo e valorizar a história das lutas pela liberdade e pela democracia são finalidades do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!, cujo núcleo do Porto, no âmbito das comemorações do 25 de Abril, organiza, em conjunto com a Câmara Municipal de Matosinhos, as Jornadas pela Memória das Lutas pela Liberdade.

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

21.30 h - Abertura da sessão (Câmara Municipal de Matosinhos e Movimento Não Apaguem a Memória!)

21.45 h - Comunicações :

Drª Ana Sofia FerreiraA oposição portuense e a campanha de Humberto Delgado

Dr.Bruno Monteiro - A Incorporação da Vocação Militante. Apontamentos sobre as lógicas da adesão e a geração de disposições políticas nas organizações operárias

23.00 h – Debate

Sábado, 12 de Abril de 2008

15.30 h - Abertura da sessão (Câmara Municipal de Matosinhos e Movimento Não Apaguem a Memória!)

15.45 h - Comunicações:

Prof.ª Doutora Irene PimentelA PIDE/DGS
Prof.ª Doutora Inácia RezolaOs Militares e a Revolução de Abril
Prof. Doutor Manuel LoffLembrar e não lembrar a ditadura salazarista no período democrático

17.30 h - Debate

domingo, 23 de março de 2008

"Vozes de Abril" - 04/04/2008 - Lisboa


No próximo dia 04 de Abril, a Associação 25 de Abril organiza um espectáculo no Coliseu dos Recreios em Lisboa, intitulado Homenagem às Vozes de Abril.

Entre os cantores, grupos, poetas e artistas que já confirmaram a sua participação na iniciativa figuram Brigada Victor Jara, Carlos Alberto Moniz, Carlos Carranca, Carlos Mendes, Couple Coffee, Ermelinda Duarte, Erva de Cheiro, Estudantina de Lisboa, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Haja Saúde, Helena Vieira (soprano) com Coro Infanto-Juvenil, Jacinta, João Afonso, José Barata Moura, José Jorge Letria, José Mário Branco, Lua Extravagante (Vitorino, Janita Salomé, Carlos Salomé, Filipa Pais), Lúcia Moniz, Luís Goes, Luiza Basto e João Fernando, Luís Cília, Manuel Freire, Tino Flores, Maria do Amparo, Paulo Carvalho, Pedro Barroso, Raul Solnado, Samuel, Tino Flores, Waldemar Bastos.

Participação Especial: Patxi Andion

Bandas: Exército, Força Aérea e Marinha Banda (residente): dirigida por Carlos Alberto Moniz.

Poesia dita por: Joaquim Pessoa, José Fanha, Manuel Alegre, Maria Barroso, Vitor de Sousa.

Participação Teatral: Grupo de Teatro A Barraca (Autor e Encenador Hélder Costa) Corpo de baile : Coreografado por Marco de Camillis.

Homenageados: Zeca Afonso, Adriano C. Oliveira, Carlos Paredes, Ary dos Santos, Mário Viegas, António Gedeão, Sofia de Mello Breyner,Manuel da Fonseca, Lopes Graça, Jorge de Sena, Luzia Mª. Martins, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade ,Alexandre O’Neill ,Manuela Porto ,Tóssan, Michel Giacometti, Carlos do Carmo, Fausto, Luís Cília, Sérgio Godinho.

Em palco também vão estar outras Vozes de Abril - (Locutores): Adelino Gomes, Luís Filipe Costa, Joaquim Furtado, João Paulo Guerra; (Capitães de Abril): Vasco Lourenço (Presid. da A25A desde a fundação), Costa Neves, Otelo Saraiva de Carvalho, Martins Guerreiro, Vítor Crespo.

Preço Bilhetes: 1ª Plateia 20€; 2ª Plateia15€; Balcão Central:13€; Balcão Lateral(S/Marcação / Vis. Reduzida) 5€; Camarotes de 1ª Frente (6 pessoas) 72€; Camarotes de 1ª Lado (5 pessoas) 50€; Camarotes de 2ª Frente (6 pessoas) 54€; Camarotes de 2ª Lado (5 pessoas) 35€

Locais de Venda: Worten, Coliseu dos Recreios, Lojas Fnac, Agência ABEP, Agência Alvalade, Ticketline.

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Desenho na obra de José Dias Coelho


Está patente no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, uma exposição antológica do pintor José Dias Coelho.

Escultor, desenhador, pintor, viveu e morreu por uma causa que inviabilizou o desenvolvimento pleno da sua produção artística, afinal voluntária e conscientemente interrompida em nome de um imperativo político: a liberdade. Artista pouco referenciado, Dias Coelho é sobretudo lembrado pela envolvente dramática resultante da sua trágica morte às mãos da PIDE a 19 de Dezembro de 1961, o que, entre outras razões, tem condicionado um olhar mais distanciado sobre o valor intrínseco da sua obra.

A exposição está patente até 6 de Abril.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Estatutos e Regulamento Geral da Associação

A pedido da Comissão Instaladora, aqui ficam os Estatutos e Regulamento Geral o da recém criada Associação.

“Memórias – Um Combate pela Liberdade”


O livro de Edmundo Pedro, Memória - Um Combate pela Liberdade, vai ter uma apresentação no próximo dia 18 no Museu do Neo-Realismo.

A apresentação decorrerá às 18:30 horas e será feita por Manuel Alegre.

terça-feira, 11 de março de 2008

Rogério Ribeiro (31 de Março de 1930 - 10 de Março de 2008) - in memoriam


Morreu ontem o pintor Rogério Ribeiro. Era director da Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea de Almada, um projecto que desenvolvera para a câmara local e que tem acolhido, desde a sua abertura em 1993, exposições de boa parte dos melhores artistas contemporâneos portugueses.

Nascido em Estremoz em 1930, foi professor na Escola António Arroio e, depois, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Entre as suas obras mais conhecidas do grande público contam-se as ilustrações que fez para a edição de grande formato do romance de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal Até Amanhã Camaradas.
Destacado participante nas lutas do MUD Juvenil e nas lutas estudantis de 1962, Rogério Ribeiro estabeleceu contactos com o PCP desde 1953, tendo a ele aderido em 1975. Preso pela PIDE em 1958 vê-lhe negada a autorização para exercer o cargo de assistente da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Rogério Ribeiro foi membro do Comité Central do PCP desde 1983 até Dezembro de 1992.

O corpo de Rogério Ribeiro estará em câmara ardente a partir das 19h00 de hoje, terça-feira, no Palácio das Galveias, no Campo Pequeno, em Lisboa.

O funeral partirá amanhã (dia 12) pelas 17h30, do Palácio das Galveias rumo ao cemitério do Alto de São João onde o corpo será cremado pelas 19h00.

Fontes: Público, Site do PCP

sexta-feira, 7 de março de 2008

8 de Março - Dia da Mulher 2


Em parte devido ao intenso calendário de actividades cívicas no próximo Sábado (8 de Março) não foi possível manter condignamente a comemoração devida às mulheres resistentes da Margem Sul.

No entanto, em colaboração, o NAM-Movimento Não Apaguem a Memória!, a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo e a Livraria Circulo das Letras realizam um debate sobre As mulheres na Resistência (com base no livro As mulheres de Alhandra na Resistência), em que estarão presentes Antónia Balsinha (autora do livro) e a nossa companheira Irene Pimentel (historiadora).

Também estarão expostas (ate ao final de Março) obras de Cipriano Dourado, o artista que tanto e tão bem desenhou a mulher e o trabalho.

O debate será na Livraria Circulo das Letras, na 4ª feira 12 de Março, às 18.30h, Rua Augusto Gil, 15 B (cruzamento da Av. Óscar Monteiro de Torres com a Rua Augusto Gil, entre a Av. de Roma e o Campo Pequeno)

domingo, 2 de março de 2008

8 de Março - Dia da Mulher 1

A jornada do 8 de Março à Margem Sul fica adiada

Há um ano foi a hospitalidade de Coruche e a surpresa das mulheres do Couço. Foi o prazer de escutar a Paula Godinho contar-nos as histórias heróicas da resistência feminina em meio rural, das redes de solidariedade e entreajuda que nos momentos mais difíceis ali se organizaram. Foi a recepção em Coruche, com o inesquecível acolhimento por parte do presidente da autarquia, Dr. Dionísio Mendes da Silva, e a visita à exposição sobre Zeca Afonso, no Museu concelhio.

Este ano a proposta é para uma jornada de convívio com as mulheres da resistência na Margem Sul. Vamos recordar as vidas dessas mulheres durante as greves de 1943, nas lutas eleitorais autorizadas durante um mês pelo Estado Novo, seguidas de prisões e repressão nos lugares de trabalho.

Vem a propósito citar Sónia Ferreira, uma das oradoras no colóquio e guia na visita à Cova da Piedade: «As mulheres são das principais protagonistas públicas das greves de 43. Elas incitam à adesão, encabeçam marchas de fome, assaltam locais para a apropriação de géneros e redistribuem-nos, atiram pedras, partem vidros, cortam fios telefónicos, assaltam comboios, gritam, insultam, barafustam, pedem e exigem, de forma clara, directa, pública e frontal».

Por isso, foram ameaçadas através de uma Nota da Repartição do Gabinete do Ministério da Guerra (exactamente, a repressão da greve foi uma acção militar comandada pelo major Jorge Botelho Moniz) de que quem abandonasse o trabalho seria incorporado «num batalhão de trabalhadores, subordinado à mais severa disciplina militar (…) independentemente do sexo».
Vamos ver os locais simbólicos onde os confrontos com os esbirros do fascismo foram mais fortes.
Vamos recolher os testemunhos das mulheres e dos homens que não viraram a cara à luta.

Vamos testemunhar, com a nossa presença, que não esquecemos.

Programa:

A resistência feminina em meio operário (8 de Março)

Reunião na Praça de Espanha [junto do Teatro da Comuna]

9h – Concentração

9h30 – Partida para o Jardim da Piedade (Cova da Piedade)

10h às 11h – Visita guiada aos lugares simbólicos e convívio com as antigas operárias

11h30 – Paragem no Seixal, com evocação do que foi o trabalho árduo e brutal na fábrica de cortiça da Mundet, feita por Edmundo Pedro e por uma trabalhadora

13h – Almoço no Seixal

15h – Chegada ao Barreiro e visita guiada

15h30 – Colóquio (a realizar na Sociedade De instrução e recreio barreirense “Os penicheiros”)

Abertura a cargo de Nuno Teotónio Pereira e do nosso anfitrião

Início das intervenções:

1. Sónia Ferreira resume a visita guiada à Margem Sul durante a manhã

2. Júlia Leitão de Barros – contextualização histórica e a propaganda do regime ditatorial

3. as mulheres do Barreiro – projecção de excertos da entrevista com Pepita, a viúva de Manuel Firmo, dirigente anarco-sindicalista

4. Projecção do documentário da CMB sobre o movimento grevista de 1943

18h – Debate e encerramento do colóquio

19h – Regresso a Lisboa


custo total – 25 euros

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

"Sol Nascente: da cultura republicana e anarquista ao neo-realismo"


Já aqui falámos deste livro.
Agora, Luis Crespo de Andrade e Paulo Sucena vão apresentá-lo no dia 28, às 18:30 horas, na Livraria Círculo das Letras.
Apareça!

in memoriam - Joaquim Pinto de Andrade (1926/2008)

Ontem, ao fim do dia telefonaram-me: "Morreu o Joaquim." Morreu Joaquim Pinto de Andrade. No meio da crónica. Da sua crónica. Vão dizer: ele era angolano. E era-o. Ninguém conheci, dos pais da nacionalidade angolana, que pudesse dizer o mesmo que ele: não feri o meu país. Ele foi a coragem serena que lhe valeu prisões durante a Angola colonial, ele foi a fraternidade angolana quando o país se dilacerou em guerras civis, ele foi a honestidade quando Angola se ofuscou de falsa riqueza. Ele foi o angolano perfeito em tempos terríveis. E eu sei porquê: ele era um meteco. Um cidadão do mundo.

Eu era um adolescente e o Joaquim Pinto de Andrade era um padre exilado, colocado sob vigilância em Vila Nova de Gaia. No Verão, o pobre diabo da PIDE, de fato escuro, seguia-nos até aos areais da praia e tentava ouvir-nos as conversas. O Joaquim falava de Camilo ou de Ramalho, dos "portugueses de língua tersa", que ele aprendera quando era menino em Ambaca. O português PIDE perceberia a admiração daquele "terrorista" (então, presidente de honra do MPLA) por escritores portugueses? O Joaquim falava de Roma, onde estudara, e encarreirava-me para escritores de liberdade: Ignazio Silone, Italo Calvino. Falava-me de Paris, onde estivera no primeiro congresso de escritores e artistas africanos (com o seu irmão Mário) e metia, no meio da conversa, a necessidade de ouvir Brel.

Há quase 40 anos, em Setembro de 1969, eu saí de Portugal com uma carta de Joaquim Pinto de Andrade no bolso. Isso, escondido. Nos olhos eu levava a vontade de ver que o homem a quem mais devo me emprestou.


Texto do jornalista Ferreira Fernandes do Diário de Notícias

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Autor italiano publica banda desenhada sobre a sede da PIDE


Acaba de ser editada em Itália, pela editora BeccoGiallo, uma banda desenhada cuja história roda à volta de um lugar tristemente famoso de Lisboa, a ex-sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso em Lisboa, revelou ao JN o seu autor, o italiano Giorgio Fratini.

Nascido a 23 de Novembro de 1976, é arquitecto, licenciado pela Faculdade de Arquitectura de Florença e esteve em Portugal pela primeira vez em 2000, para estudar Arquitectura ao abrigo do programa Erasmus.

A Lisboa voltou várias vezes e dessas estadias nasceu Sonno elefante - I muri hano orecchie, cujo título, diz, é uma metáfora sobre a perda da memória de um lugar, de um pedaço da história. Algo como o sono da memória, acrescenta Fratini, cujo traço a preto e branco, matizado de cinzentos, em que se destaca o tratamento realista dado aos edifícios, que contrasta com o tom semicaricatural das personagens, e a agradável e multifacetada composição das páginas, não deixam adivinhar tratar-se da sua primeira obra.

O ponto de partida para a história foi a descoberta de que a antiga sede da PIDE iria ser remodelada, dando lugar a um conjunto de apartamentos de luxo e lojas. Nada de especial, a acreditar nas palavras de uma personagem, logo nas primeiras páginas do livro E então? Um dia, há uma coisa, depois outra; é normal, não é?

A história, resume o autor, está ambientada poucos anos antes da Revolução dos Cravos e segue os destinos de Zé, Marisa, Leon, Maria e Afonso, ligados àquele palácio nefasto, como aconteceu a milhares de cidadãos portugueses comuns.
Entre eles há quem se oponha, quem traia, quem colabore, quem se anule e quem morra. E um deles, muitos anos depois, volta àquele lugar trazendo consigo o que considera impossível cancelar a própria história. E recorda o terrível passado do edifício, as crueldades que tiveram lugar dentro daquelas paredes, os gritos e lágrimas sufocados naqueles quartos, lutando, à sua maneira, contra a destruição da memória de todas as vidas ali perdidas na luta pela liberdade, conclui o editor, Federico Zaghis.

Uma história narrada ao longo de pouco mais de uma centena de pranchas, inspirada parcialmente em factos reais, trabalhados pela minha imaginação, para a qual Giorgio Fratini, para além da Internet, teve de fazer pesquisas no Arquivo da PIDE, na Torre do Tombo, e no Centro de Documentação 25 Abril da Universidade de Coimbra, bem como no arquivo fotográfico em linha da Câmara Municipal de Lisboa, fundamental para a iconografia dos anos 70 em que decorre boa parte de Sonno elefante, para já sem edição prevista no nosso país, embora haja alguns contactos com editoras portuguesas, revela o autor.
Fonte: Jornal de Notícias

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Homenagem a Alexandre Castanheira


Alexandre Castanheira nasceu em 1928. Licenciou-se em Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa e em Literatura Moderna na Universidade de Paris VIII. Perseguido pela PIDE, devido às suas actividades políticas, partiu para o exílio em França, onde casou com Madeleine Nennig, uma jovem comunista francesa que o acompanhou na clandestinidade. Ao longo da sua vida esteve sempre ligado ao Partido Comunista Português. Exerceu as funções de deputado municipal em Almada e de presidente da Assembleia da Freguesia do Laranjeiro. Actualmente é professor efectivo do Instituto Piaget e elemento activo do movimento associativo popular, exercendo cargos nos corpos sociais de várias colectividades.



Tempo Meu, livro de poemas de Alexandre Castanheira, vai ser lançado no próximo dia 28 no Salão da Incrível Almadense às 21:30 h, dia em que o poeta faz 80 anos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

15º Plenário do Movimento/Assembleia Constitutiva da Associação

Vimos por este meio recordar que o próximo Plenário está marcado para as 15.00H do dia 23 de Fevereiro de 2008 (Sábado), na Associação 25 de Abril, em Lisboa.

Com base nos contributos recebidos, seja pela Lista TODOS, seja por ocasião do Plenário intercalar ocorrido a 19 de Janeiro passado, a Comissão Promotora elaborou as versões dos projectos de estatutos e de regulamento geral que serão divulgados na Lista TODOS e que serão propostos para aprovação pela Assembleia Geral Constitutiva.

Uma vez aprovados estes projectos, o acto eleitoral para a constituição dos corpos sociais da futura associação deverá ocorrer até 31 de Março de 2008.

Alertamos para a possibilidade dos projectos de estatutos e de regulamento geral poderem ser objecto de propostas de alteração pela Lista TODOS e por ocasião da realização desta Assembleia Geral Constitutiva desde que apresentadas por escrito à Mesa da referida Assembleia.


Ordem de Trabalhos:

1. Aprovação, pelo Plenário, da Acta do 14º Plenário;
2. Assembleia Constitutiva
2.1 -Ponto prévio: aprovação da Mesa;
2.2-Informações da Comissão Promotora do processo de trabalho realizado até à data;
2.3- Apresentação, discussão e aprovação dos Estatutos;
2.4- Apresentação, discussão e aprovação do Regulamento Geral;
2.5- Eleição da Comissão Instaladora responsável pela realização de todos os actos legais até à escritura notarial, inclusivé.

APELAMOS À PARTICIPAÇÃO, DISCUSSÃO E COLABORAÇÃO DE TODOS

23 de Fevereiro de 2008 (Sábado), pelas 15.00h, na Associação 25 de Abril

A mesa do Plenário
18.02.08

Podem consultar aqui os documentos em discussão:

Estatutos
Regulamento Geral

sábado, 16 de fevereiro de 2008

José Afonso - "O canto de Intervenção no Mundo e em Portugal"


José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

O núcleo do Norte da Associação José Afonso e o Clube Literário do Porto organizam o espectáculo O canto de Intervenção no Mundo e em Portugal que se realizará dia 23 de Fevereiro, pelas 21h 30m, nas instalações do Clube Literário do Porto.

Aristides de Sousa Mendes


Já está online o Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Professor Mário Augusto da Silva, fundador do Museu Nacional da Ciência e da Técnica

(Foto de Eduardo Gageiro)
Texto enviado por João Paulo Nobre (Coimbra)

Mário Augusto da Silva (1901-1977), como homem de Ciência, viu a sua carreira de docente e de investigador ser-lhe negada muito cedo. Preso e expulso da Universidade (1947), foi uma referência para várias gerações coimbrãs, na luta pelos ideais da democracia e na resistência contra o regime do Estado Novo.

Esquecido pelos da sua geração, ignorado pelas gerações mais jovens, a sua vida é uma referência cultural ímpar e um exemplo, pela defesa dos valores da liberdade, da democracia, mas, sobretudo, pelo conhecimento, pela Ciência, pura e aplicada...

Impedido de prosseguir no Instituto do Rádio de Paris (1925-1930), onde foi assistente de Madame Curie, após o seu doutoramento em 1929, regressou a Coimbra, onde, apesar de tudo, vítima de uma perseguição mesquinha e inexplicável que impediu a realização de obras que teriam mudado, desde logo, o rumo da investigação e do ensino e da Física em Portugal, fundou o Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT), iniciativa que, não sendo inédita na nossa História, foi a primeira do género no Portugal do Século XX.

Museu Nacional que entrou em agonia em 1977, após a morte do seu fundador.

Museu Nacional que foi abandonado por todos. O Estado Português e, principalmente, Coimbra, a sua Câmara e a sua Universidade, viraram-lhe sempre as costas.

Museu Nacional que, para o diminuirem e fecharem posteriormente, em 2002, lhe chamaram, desrespeitosamente, de Doutor Mário Silva. Até se esqueceram, ou talvez não, que Mário Silva foi Professor Catedrático de Física.

Museu Nacional que, em forma de homenagem, precisamente em 2005, no ANO INTERNACIONAL DA FÍSICA, foi enterrado por Decreto-Lei.

Museu Nacional que possui um rico e variado espólio. Que será feito dele?

Museu Nacional da Ciência e da Técnica (MNCT) ou Museu da Vergonha Nacional?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ias Jornadas Hispano-Portuguesas "Memória e Resistência" - 16 e 17 de Fevereiro de 2008


Durante séculos, Espanha e Portugal viveram ignorando-se em cada lado da fronteira. Os interesses dos poderosos dividiram artificialmente os dois povos irmãos que compartilham uma cultura e sentimentos comuns.

Contudo, as ditaduras que os dois países sofreram provocaram uma corrente de solidariedade entre eles. Espanhóis e portugueses ajudaram-se mutuamente na luta contra as tiranias fascistas de Franco e Salazar e não foram poucos os opositores dos respectivos regimes que encontraram refúgio no outro lado da fronteira. Foi o caso de João Gonçalves Carrasco, da aldeia alentejana de Santana de Cambas que, apesar da sua extrema pobreza, socorreu muitos espanhóis que fugiam da repressão franquista. Ou o de Juan Rosa, de El Almendro, em Huelva, que acolheu refugiados portugueses que lutavam contra o regime salazarista.

Para honrar a memória destes homens e de todos os que sofreram nas duas ditaduras, o Foro por la Memoria de Huelva e a Cooperativa Cultural Alentejana organizam estas Ias Jornadas Hispano-portuguesas "Memória e Resistência".

Programa

Sábado, dia 16 de Fevereiro de 2008

10h00 – Abertura: Fernanda Moral (Federación Foros Por La Memoria), Francisco Santos (Presidente da Câmara Municipal de Beja), Félix Ramos (Pres. Foros Por La Memoria), Álvaro Nobre (Presidente da Cooperativa Cultural Alentejana)

10h30m – Os Fascismos em Portugal e Espanha e Sua Herança: Miguel Urbano Rodrigues (escritor)

12h00 – O Norte de África no Início da Guerra Civil em Espanha: Francisco Sánchez Montoya (Premio Nacional Manuel Azaña de Investigación Historica)

15h30m – Apresentação da Exposição "A II República, Esperança de um Povo": Santiago Vega (Presidente Foro Por La Memoria de Segóvia)

16h30m – Projecção do Documentário "Os Cinco de Celorio", sobre exumação em valas comuns

17h30m – Debate: A Memória Histórica em Espanha e Portugal e a Luta Contra a Impunidade dos Crimes Franquistas: Miguel Muga (Presidente do Foro Por La Memoria Madrid), José Baguinho (Cooperativa Cultural Alentejana), Carlos Federico Castellanos (Foro Por La Memoria Andalucía), João Honrado (publicista)

23h00 – Bar Cais na Planície (Parque da Cidade de Beja) – Espectáculo Músicas de Abril, com Filipe Narciso (entrada livre)

Domingo, dia 17 de Fevereiro de 2008

10h30m – A Repressão dos Vencedores. Os Batalhões de Trabalhadores (1939-1945): José Manuel Algarbani (licenciado em História Contemporânea, professor da Universidade de Cádiz)

12h00 – Participação de Portugueses na Guerra Civil de Espanha: João Varela Gomes (coronel reformado)

13h30m – Em Baleizão: Homenagem às Mulheres e Homens Assassinados pela Defesa da II República Espanhola e da Liberdade em Portugal

Após o almoço (hora a combinar) - Em Santana de Cambas: Homenagem às Mulheres e Homens Assassinados pela Defesa da II República Espanhola e da Liberdade em Portugal

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

3 de Fevereiro de 1927

Foto "tirada" do Terra Viva

A 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, verificou-se o primeiro levantamento armado popular e militar contra a ditadura do Estado Novo.

Para comemorar esta data, o Terra Viva organiza um conjunto de iniciativas que contam com o apoio do núcleo do Porto do Não Apaguem a Memória!.

Veja aqui o programa e participe.