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domingo, 10 de junho de 2007

À memória dos judeus da Europa assassinados: monumento e centro de informação

Em Berlim, próximo da Porta de Brandeburgo, foi construído entre 2003 e 2005 um monumento radical à memória dos judeus da Europa assassinados, baseado nos planos do arquitecto Peter Eisenman. O monumento, que abdica de qualquer simbolismo, é composto por 2.711 estelas de betão e está estruturado em grelha. O visitante pode percorrê-lo a pé, segundo o seu critério aleatório e pessoal, a qualquer hora do dia ou da noite. Por baixo do monumento, que ocupa toda uma praça, encontra-se um centro de informação subterrâneo, concebido por Dagmar von Wilcken.
A visita ao centro de informação tem início num corredor onde se apresenta uma cronologia da política de perseguição nacional-socialista entre 1939 e 1945, não só aos judeus mas também a outros grupos de vítimas. Sucedem-se 4 salas: a sala das dimensões, que acolhe 15 testemunhos auto-biográficos escritos por mulheres e homens judeus durante a perseguição (o registo individual é complementado por uma linha contínua que menciona o número de vítimas nos países europeus mais afectados); a sala das famílias, que apresenta diversos ambientes sociais, nacionais, culturais e religiosos, com base no destino de 15 famílias judias que viveram na Europa antes do Holocausto; a sala dos nomes, onde se ouve em registo audio os nomes e breves biografias de judeus assassinados e desaparecidos, originários de toda a Europa (simultaneamente são projectados o nome, o ano de nascimento e o ano da morte das vítimas nas quatro paredes da sala); e a sala dos lugares, que remete para a extensão geográfica do assassinato dos judeus (através de filmes e fotografias são mostrados, a título de exemplo, 200 lugares de perseguição e extermínio dos judeus e de outros grupos de vítimas). A visita ao centro de informação termina no portal dos locais de memória. Aí podemos obter informação sobre ocorrências actuais em locais históricos e sobre instituições de pesquisa em toda a Europa.
As visitas são gratuitas.
Horário: 3ª feira a domingo das 10 às 20 h. Encerrado nos dias 1 de Janeiro, 24 a 26 de Dezembro e 31 de Dezembro.
Mais informação em português aqui.
O movimento cívico Não apaguem a Memória! tem neste centro de informação um óptimo exemplo de como construir, de forma inteligente e complexa, representações da memória, em contexto museológico.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Relembrando o Holocausto

Hoje é comemorado o Dia Internacional das Vítimas do Holocausto, iniciativa instituída pela ONU no ano passado (vd. aqui).
A ONU aproveitará a cerimónia que hoje de manhã tem lugar para "difundir junto dos mais novos ensinamentos sobre o Holocausto, para que as novas gerações possam manter acesa a chama da memória, e lembrar ao mundo os perigos colocados pelo ódio, intolerância, racismo e preconceito". O discurso principal do evento anual na Assembleia-Geral da ONU será feito por Simone Veil, presidente da Fondation Pour la Mémoire de la Shoah.
Na Internet existe actualmente muita informação preciosa sobre o Holocausto. Para quem estiver interessado sugiro os sítios do Mémorial de la Shoah (centro documental de referência), do Nahum Goldmann Museum of the Jewish People (com uma boa lista de links específicos), do USC Shoah Foundation Institute for Visual History and Education (centrado no registo áudio) e do Holocaust History Project (este com muitos textos inéditos de reflexão).
Imagem: memorial pelas vítimas do e no antigo campo de concentração de Birkenau (extraída do site do Nahum Goldmann Museum).