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segunda-feira, 17 de março de 2008

“Memórias – Um Combate pela Liberdade”


O livro de Edmundo Pedro, Memória - Um Combate pela Liberdade, vai ter uma apresentação no próximo dia 18 no Museu do Neo-Realismo.

A apresentação decorrerá às 18:30 horas e será feita por Manuel Alegre.

domingo, 13 de janeiro de 2008

A resistência antifascista: colheita de 2007

Acabou de sair na edição deste mês do Le Monde Diplomatique - ed. portuguesa um artigo de fundo sobre "A resistência antifascista: colheita de 2007", por Daniel Melo.
O artigo contém um dupla recensão crítica aos livros Memórias – um combate pela liberdade, de Edmundo Pedro (Lisboa, Âncora Editora) e A passagem: uma biografia de Soeiro Pereira Gomes, de Manuela Câncio Reis (Lisboa, Editorial Caminho).
Apresenta ainda um breve balanço global dos livros publicados no ano passado sobre a resistência antifascista e a listagem das anteriores recensões críticas específicas, a saber:
CUNHAL, Álvaro, Obras escolhidas de Álvaro Cunhal – tomo I (1935-1947), Lisboa, Edições Avante! (por João Madeira, ed. de Fevereiro).
GALIZA, Rui Daniel, PINA, João, Por teu livro pensamento, Lisboa, Assírio e Alvim (por Daniel Melo, ed. de Novembro).
LOPES, Joana, Entre as brumas da memória. Os católicos portugueses e a ditadura, Lisboa, Âmbar (por Daniel Melo, ed. de Novembro).
MADEIRA, João, PIMENTEL, Irene, FARINHA, Luís, Vítimas de Salazar. Estado Novo e violência política, Lisboa, Esfera dos Livros (por Daniel Melo, ed. de Outubro).
NUNES, Renato, Miguel Torga e a PIDE. A repressão e os escritores no Estado Novo, Coimbra, Minerva (por Daniel Melo, ed. de Setembro).
SEABRA, Zita, Foi assim, Lisboa, Alêtheia Editores (por João Leal, ed. de Novembro).
Nb: imagem de cartoon de João Abel Manta (retirada daqui).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Edmundo Pedro, um combatente pela liberdade

Edmundo Pedro, decano do Não Apaguem a Memória!, lançará o 1.º tomo das suas Memórias – um combate pela liberdade no próximo dia 18 (5.ª feira, 18h30), no auditório da Torre do Tombo, com apresentação do historiador José Pacheco Pereira.
Nem de propósito: enquanto jovem revolucionário, Edmundo Pedro participou, justamente, na insurreição do 18 de Janeiro de 1934. Esse envolvimento custar-lhe-ia caro – a sua primeira prisão, tinha apenas 15 anos. Vale a pena prosseguir aqui esta história, na versão de António Melo:
"Ano de 1934. O movimento sindical preparava uma greve geral de protesto contra a instituição, no final de 1933, da Carta do Trabalho. Uma cópia do modelo fascista italiano, que extinguia os sindicatos livres, substituindo-os por organizações corporativas laborais. Viviam-se momentos de ansiedade.
No dia 17 de Janeiro a célula comunista do Arsenal da Marinha enviou um aprendiz ao Regimento de Caçadores 7, então aquartelado no Castelo de S. Jorge, em Lisboa. O Edmundo Pedro, dele se trata, tinha por missão confirmar a data da insurreição junto dos militares conluiados: era para o dia seguinte, 18 de Janeiro.
Quando partiu do Arsenal tinham-lhe carregado os bolsos com balas. Depois da missão no Castelo devia dirigir-se para o Poço do Bispo e integrar-se numa brigada de acção directa. Aí receberia uma pistola e ser-lhe-ia determinado o tipo de intervenção: em piquetes de greve, a cortar linhas-férreas ou a derrubar postes de alta tensão.
Mas alguém «bufara». Quando pediu à sentinela para falar com o tal militar, surgiu-lhe o sargento de guarda. Já não prosseguiria a missão grevista. Mas conseguiu libertar-se do peso das balas despejando-as numa sarjeta.
Ao fim de uma semana recuperou a liberdade. Regressou ao Arsenal, mas não pôde entrar. Tinha que explicar a ausência. Foi pedir essa justificação ao próprio sargento da guarda de Caçadores 7. Ousadia que pagou caro. Os conluiados, diante do fracasso da insurreição, «borregaram». Contaram que o contacto com a organização da greve era aquele rapagão de 15 anos.
Quando chegou ao Castelo de S. Jorge foi detido e enviado para o Aljube. Lá ficou até ser condenado a um ano de prisão, que cumpriu na fortaleza de Peniche.
Numa interpretação exemplar da justiça fascista o meritíssimo aplicou-lhe o Código em todo o seu rigor. Se o delito comportava suspensão de direitos políticos, não era pelo facto do réu ter apenas 15 anos que a pena não se lhe aplicaria. Além da prisão, impôs na sentença a privação de direitos políticos por cinco anos. Edmundo Pedro, saído da classe operária, não quebrou e fez a sua opção revolucionária. Quando saiu da prisão entrou na clandestinidade. Dois anos mais tarde, de novo preso, foi enviado para o campo de concentração do Tarrafal. Lá ficou até 1945. Voltou a ser preso em 1962. Só depois de 1974, Edmundo Pedro pode votar e ser eleito deputado constituinte num regime democrático.
"
António Melo
V
ADENDA: para uma leitura em primeira mão do novo livro de Edmundo Pedro ver o texto de José Leitão aqui.