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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Tomai lá do O'Neill

O documentário que o realizador Fernando Lopes fez em 2004 sobre o poeta Alexandre O’Neill (1924-1986) passa hoje, finalmente, na RTP2 (às 23h45).
Aborda a sua poesia e as histórias da sua vida, contadas por Antonio Tabucchi, Hellmut Wohl, Gérard Castello-Lopes, João Botelho e Afonso O’Neill, entre outros.
Nas palavras do realizador: "Trata-se de um tributo pessoal (…). Trata-se, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afectivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com quem tive o privilégio e conviver".
Breves notas da sua biografia cívica
Aos 23 anos, O'Neill foi um dos co-fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, Vespeira, Moniz Pereira, António Domingues e Fernando de Azevedo, um movimento que se inspirou no movimento surrealista criado em 1924 pelo francês André Breton.
Pela mão do maestro e compositor Fernando Lopes Graça e do seu grupo coral chamado Amizade (ligado aos movimentos juvenis da oposição), ele e Cesariny passam por várias colectividades do Barreiro para cantar ideais proibidos pelo regime salazarista. Como comentava O'Neill: "Politicamente, claro que era do contra: MUD juvenil". Nos anos 60 gritou contra o medo: "Penso no que o medo vai ter e tenho medo/ que é justamente/ o que o medo quer" ("Poema pouco original do medo", transcrito neste blogue aqui). Rebelou-se contra a "mediocridade do fascismo e do bota-de-elástico do Salazar", e inconformou-se com a passividade da maioria da sociedade, tendo então escrito um outro poema logo famoso, ao mesmo tempo amargurado e ácido:
"Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
" («Portugal», in Feira cabisbaixa, 1965).
Fontes: RTP e aqui (inclui bibliografia e poemas).

Ficha técnica do documentário
«Tomai lá do O'Neill»
Origem: Portugal - 2004
Duração: 52m
Realização: Fernando Lopes
Fotografia: Rui Poças
Com: Rogério Jacques, Rui Morrison, Antonio Tabucchi, Helmut Wohl, Gérard Castello Lopes, João Botelho, Afonso O'Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Festival Vozes ao alto!

No próximo dia 17, realiza-se o festival Vozes ao alto!, organizado pelo movimento Não apaguem a Memória!, em tributo à música de resistência e seus intérpretes. Terá lugar no Fórum Lisboa, às 21h.
O nome Vozes ao alto! pretende homenagear as Canções Heróicas, musicadas por Fernando Lopes Graça a partir de poemas de José Gomes Ferreira (sobre Lopes Graça demos, oportunamente, conta das celebrações do seu centenário natal aqui).
Este espectáculo de canto livre será apresentado e conduzido por Hélder Costa e Maria do Céu Guerra, ambos do grupo teatral A Barraca.
A lista de convidados está praticamente fechada, podendo já anunciar-se a presença dos seguintes artistas: Ângela Pinto, António Toscano, Bartolomeu Dutra, Camacho Vieira, Carlos Alberto Moniz, Carlos Carranca, Carlos Couceiro, Clara Branco, Chullage (grupo de hip-hop), Coro Lopes Graça, Erva de Cheiro, Fado de Coimbra, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, João Pimentel, Jorge Castro, Jorge Mendes, Júlia Lello, Mingo Rangel, Pedro Branco, Rui Curto, Teotónio Xavier, Tino Flores, Zé Manuel Esse e Zé Pinho.
Os bilhetes de entrada estão disponíveis na portaria da Associação 25 de Abril, agradecendo-se apenas um donativo de 5 euros para custear as despesas com a organização do evento.
Nb: informação tb. disponível no site do Movimento; este post foi originalmente publicado a 5/II, tendo sido transferido para hoje por razões de visibilidade informativa.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Ruy Luís Gomes e Fernando Lopes Graça (efemérides)

Celebram-se neste mês os centenários de nascimento dos antifascistas Ruy Luís Gomes e Fernando Lopes Graça.
O matemático Ruy Luís Gomes nasceu a 5/12/1905 e teve direito a uma prenda apropriada: um blogue próprio, cuja visita se recomenda vivamente, dada a sua riqueza informativa. Nele se fica ainda a saber de novo blogue biográfico, dedicado ao também matemático antifascista António Aniceto Monteiro, compelido ao exílio (para o Brasil, em 1945), por perseguição salazarista (vd. aqui).
O compositor Lopes Graça nasceu a 17/12/1906 e tem direito a um variado programa cultural de homenagem: para mais informações vd. aqui. Uma biografia cuidada de Leonor Lains pode ler-se aqui; para um debate sobre o seu percurso político-cultural vd. aqui.
Nb: imagens retiradas daqui e daqui (CMC-MMPVF), respectivamente.