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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Tarrafal: foi há 70 anos que aí chegaram os primeiros presos políticos (documentário)

Um documentário sobre o campo de concentração do Tarrafal será exibido hoje na RTP2, às 23h30, precisamente no dia da chegada dos primeiros presos políticos ao seu interior. Chama-se Há setenta anos, o Tarrafal - os últimos sobreviventes, a autoria é de Fernanda Paraíso, e a produção cabe à Take 2000. Eis o resumo oficial do mesmo:
"Um documentário que assinala os 70 anos da chegada dos primeiros presos políticos ao Tarrafal A 29 de Outubro celebra-se a chegada dos primeiros 152 presos políticos ao campo de concentração do Tarrafal. Este documentário biográfico recolhe o testemunho de cada um dos cinco últimos sobreviventes do campo, nascidos entre 1914 e 1918 e que, com idades entre os 17 e os 20 anos, foram enviados para a chamada «colónia penal» onde passaram o melhor da sua juventude.
Cinco percursos paradigmáticos partilham o idealismo que vai conduzir estes jovens a cruzar os seus destinos no campo de concentração do Tarrafal...".

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Tomai lá do O'Neill

O documentário que o realizador Fernando Lopes fez em 2004 sobre o poeta Alexandre O’Neill (1924-1986) passa hoje, finalmente, na RTP2 (às 23h45).
Aborda a sua poesia e as histórias da sua vida, contadas por Antonio Tabucchi, Hellmut Wohl, Gérard Castello-Lopes, João Botelho e Afonso O’Neill, entre outros.
Nas palavras do realizador: "Trata-se de um tributo pessoal (…). Trata-se, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afectivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com quem tive o privilégio e conviver".
Breves notas da sua biografia cívica
Aos 23 anos, O'Neill foi um dos co-fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, Vespeira, Moniz Pereira, António Domingues e Fernando de Azevedo, um movimento que se inspirou no movimento surrealista criado em 1924 pelo francês André Breton.
Pela mão do maestro e compositor Fernando Lopes Graça e do seu grupo coral chamado Amizade (ligado aos movimentos juvenis da oposição), ele e Cesariny passam por várias colectividades do Barreiro para cantar ideais proibidos pelo regime salazarista. Como comentava O'Neill: "Politicamente, claro que era do contra: MUD juvenil". Nos anos 60 gritou contra o medo: "Penso no que o medo vai ter e tenho medo/ que é justamente/ o que o medo quer" ("Poema pouco original do medo", transcrito neste blogue aqui). Rebelou-se contra a "mediocridade do fascismo e do bota-de-elástico do Salazar", e inconformou-se com a passividade da maioria da sociedade, tendo então escrito um outro poema logo famoso, ao mesmo tempo amargurado e ácido:
"Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
" («Portugal», in Feira cabisbaixa, 1965).
Fontes: RTP e aqui (inclui bibliografia e poemas).

Ficha técnica do documentário
«Tomai lá do O'Neill»
Origem: Portugal - 2004
Duração: 52m
Realização: Fernando Lopes
Fotografia: Rui Poças
Com: Rogério Jacques, Rui Morrison, Antonio Tabucchi, Helmut Wohl, Gérard Castello Lopes, João Botelho, Afonso O'Neill, Mário Cesariny de Vasconcelos

domingo, 14 de outubro de 2007

A guerra colonial, às terças na RTP1

Até Dezembro, às terças-feiras à noite, estarei em frente à televisão a ver a série documental "A Guerra" (do ultramar / colonial / de libertação), do jornalista Joaquim Furtado (RTP1).
Segundo li no Público de ontem, trata-se de um trabalho de jornalismo de investigação, com recurso a abundante material audiovisual da RTP, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, de particulares, a centenas de documentos textuais e fotográficos, a cerca de 200 entrevistas a militares, a políticos, a antigos colonos, a empresários, a religiosos. Além disso, muitas das entrevistas foram feitas em lugares da guerra, pondo frente a frente militares portugueses e combatentes africanos, desafiando e confrontando reconfigurações actuais, parcelares e concorrentes das memórias do conflito que marcou os últimos 13 anos do império.
Seis anos, o tempo que Joaquim Furtado levou a fazer esta série documental, não são muitos anos para um trabalho de fundo, sério e rigoroso sobre um tema extremamente sensível da nossa história recente. Sobretudo se ele contribuir, como espero, para desfazer a propaganda colonial e os mitos pós-coloniais, e nos devolver uma leitura crítica e problematizadora da guerra que opôs o exército português aos movimentos de libertação de Angola, da Guiné e de Moçambique, entre 1961 e 1974.