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domingo, 8 de julho de 2007

Jean Moulin


A 8 de Julho de 1943 morreu Jean Moulin, um dos principais heróis da Resistência Francesa.

Jean Moulin nasceu em Béziers, no Languedoc-Roussillon, em 20 de Junho de 1899 . Morreu ao largo de Metz, no dia 8 de Julho de 1943.

Formado em Direito, membro da Maçonaria, seguiu uma carreira administrativa que se adivinhava brilhante. Sendo bom desenhador, publicou também algumas caricaturas e desenhos humorísticos na revista Le Rire, sob o pseudónimo de Romanin.

Em 1925, foi o Vice-prefeito mais jovem de França e, doze anos mais tarde, o Prefeito mais novo, quando foi nomeado para Aveyron.

Foi já nestas funções, mas em Chartres, que recusou, em 1940, assinar um documento que os alemães lhe apresentaram. O Governo colaboracionista de Vichy destitui-o, foi preso e tentou suicidar-se, cortando o pescoço com um caco de vidro. Não morreu, mas ficou com uma cicatriz que ele tapava sempre com um cachecol.

Fugiu para Londres, passando por Espanha e por Portugal, sob nome falso, vindo a encontrar-se com o General Charles De Gaulle na capital britânica. Juntou-se à Resistência e foi encarregue da unificação dos vários movimentos de resistência ao ocupante nazi. Foi lançado de pára-quedas sobre o território francês, no primeiro dia de 1942, passando a ser conhecido por Rex e, mais tarde, por Max. Deslocou-se em várias ocasiões a Londres, para relatar a situação em França, na última das quais foi condecorado por De Gaulle com a Cruz da Liberdade.

Vítima de uma traição segundo uns, de uma imprudência segundo outros, foi preso nos arredores de Lyon, em Junho de 1943, e alvo de interrogatórios e torturas por Klaus Barbie, chefe da Gestapo em Lyon. Acabaria por morrer dentro do comboio que o levava de Paris até Berlim, de onde seria então encaminhado para um campo de concentração.

As suas cinzas encontram-se no Panteão nacional francês desde 1964.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Oradour-sur-Glane


  • Oradour


  • A caminho de Samis, na região do Limousin, passamos por Oradour-Sur-Glane, proclamada aldeia martírio após a Segunda guerra mundial.

    A 10 de Junho de 1944, em represália contra os Resistentes franceses e as populações cúmplices, os Waffen SS alemães designaram uma aldeia como bode expiatório: o objectivo era intimidar todos aqueles que se opunham à força de ocupação. Calhou em Oradour-sur-Glane, aldeia pacata, a poucos quil­ómetros de Limoges. Liquidaram, em poucas horas, toda a aldeia em condições bárbaras: as mulheres e as crianças fechadas na igreja foram asfixiadas, metralhadas e finalmente queimadas dentro do edifício religioso. Os homens, divididos em vários grupos, foram abatidos com rajadas de metralhadoras em três recintos fechados da aldeia. Finalmente, toda a aldeia foi destruída pelas chamas dos diversos incêndios ateados pelos alemães que deitaram os corpos calcinados numa fossa para impedir a identificação dos cadáveres.

    O general De Gaulle decidiu conservar a aldeia conforme estava para que a memória daquela hedionda tarde nunca mais fosse esquecida. Hoje, podemos circular pelas ruas desertas, pelas casas vazias onde algumas máquinas de costura ou carros roidos pelas chamas, pela corrosão do tempo vão apodrecendo. As casas despovoadas, sem portas, sem janelas, sem telhado, escancaradas, à chuva, ao vento testemunham da intrusão brutal e criminosa de ideologias perversas e de forças militares abusivas nos lares dos humildes. Famílias inteiras foram eliminadas, uma aldeia inteira foi riscada do mapa.

    A visita da igreja onde centenas de mulheres e de crianças foram executadas é particularmente comovente assim como o memorial em que os nomes dos aldeãos estão gravados. Obviamente, uma visita a Oradour-sur-Glane não se pode comparar com uma visita a um museu ou a um passeio pedestre com âmbito turístico. Esta visita assume contornos de catarse, de reflexão, de perpetuação da memória. Que um homem isolado seja capaz de cometer um acto hediondo pode-se entender mas que grupos de homens, populações inteiras, participem em crimes em tão grande escala, em número como em horror, não tem cabimento. Estes massacres questionam-nos sobre o Homem, sobre a Humanidade e, por conseguinte, sobre nós mesmos. O número de pessoas envolvidas nestas chacinas indagam-nos forçosamente sobre a nossa natureza.

    Texto do Blogue Fala Barato

  • Fala Barato
  • segunda-feira, 19 de março de 2007

    Morreu Lucie Aubrac, heroína da resistência francesa

    Para o grande público português Lucie Aubrac é um nome desconhecido. Para os mais velhos, que guardam uma permanente recordação do que foi a Libertação de Paris e do papel que no combate ao nazi-fascismo tiveram os Franc-Tireurs Partisans (FTP), ela conserva-se como uma memória viva de coragem, abnegação e modéstia. Um exemplo cívico que aqui se recorda através de um excerto do Le Monde (16/3/07):
    "Umas das últimas grandes figuras da Resistência, Lucie Aubrac, morreu quarta-feira, 14 de Março na região parisiense, com 94 anos. A sua vida, marcada por um compromisso de todos os dias, e mais exactamente durante os anos negros da Ocupação, fez dela, em definitivo, uma incarnação da coragem e da capacidade de revolta. A sua acção, em Lyon, em 1943, então capital da Resistência [à ocupação alemã], foi transposta para o cinema por Claude Berri, em 1997, num filme em que a sua figura foi interpretada por Carole Bouquet. Um filme que dá bem conta da detenção, em Caluire, dos dirigentes da Resistência – entre eles Jean Moulin e Raymond Aubrac [seu marido] – mas dá pouca informação sobre a biografia destra mulher determinada, nascida a 29 de Junho de 1912, numa família de vinhateiros modestos da região de Mâcon.
    Lucie Bernard, nome de solteira, não precisou que chegassem as horas sombrias [da ocupação] para tomar consciência da ascensão dos fascismos na Europa. Aluna excelente, apaixonada pela história, tornou-se professora efectiva na década de 1930. Foi por esta altura que, espontaneamente, ela se tornou uma militante. Inscreveu-se nas Juventudes Comunistas e o seu empenho foi total.
    Quando a guerra se declara, está colocada em Estrasburgo. Vive com um jovem engenheiro, proveniente da burguesia judia, Raymond (...) No momento da derrota, Junho de 1940, quando Raymond é preso pela primeira vez pelas pelas tropas alemãs, Lucie consegue fazê-lo sair da prisão de Sarrebourg (Moselle), em Agosto, tirando partido de uma confusão que então ali se gerou. Os dois partem em seguida para Lyon (...)
    O regime de Vichy [colaboracionista com o III Reich] está instalado, a colaboração impõe a sua vontade e o primeiro estatuto jurídico contra os judeus é publicado. O casal dispõe de dois vistos de saída para os Estados Unidos [onde Raymond fizera parte dos seus estudos]. Seria a atitude mais avisada: os dois estão referenciados como comunistas e ele é judeu. Recusam esse conforto, não por desafio aventureirista, mas por patriotismo. Por espírito de resistência (...)".