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terça-feira, 16 de outubro de 2007

O novo Museu do Neo-Realismo (guia de fontes sobre a resistência-II)

O novo edifício do Museu do Neo-Realismo será inaugurado no próximo sábado em Vila Franca de Xira. Na mesma ocasião formaliza-se a doação de 3 espólios literários: os legados do escritor Orlando da Costa (Lisboa), do ensaísta e dramaturgo Mário Sacramento (Aveiro) e parte do espólio do escritor Alves Redol (V. F. de Xira). Os três foram resistentes ao salazarismo, tendo sido membros do MUD e militado no PCP. Estes espólios irão juntar-se a muitos outros, que começaram a ser aí depositados em 1991 (o 1.º foi o do escritor Manuel da Fonseca; vd. restantes aqui).
Mostram-se então ainda 4 novas exposições: Batalha pelo conteúdo – Movimento neo-realista português (colectiva de iconografia, documentação e bibliografia); Uma arte do povo, pelo povo e para o povo – Neo-realismo e artes plásticas (colectiva de artes plásticas); The return of the real (ciclo de arte contemporânea); Sonhando para os outros (biobibliográfica de Arquimedes da Silva Santos).
A cerimónia de inauguração contará com a presença do presidente da República e da ministra da Cultura. O novo edifício é da responsabilidade do arq. Alcino Soutinho. O Museu foi originalmente criado em 1990 para acolher um Centro de Documentação sobre o movimento neo-realista português. Foi depois reforçado com uma colecção específica de artes plásticas, a melhor do género existente no país.

Serviços disponibilizados:
>visitas orientadas às exposições e oficinas educativas
>promoção de encontros, debates, conferências e colóquios
>consulta e pesquisa bibliográfica e documental especializada
>reprodução em fotocópia ou em meio digital de documentação
>itinerância de exposições
>edição e venda de publicações e catálogos

Horário de atendimento ao público:
>9h30-12h30, 14h-17h30 (2.ª a 6.ª feira)

Contactos do Museu do Neo-Realismo:
Rua José Dias da Silva, n.º 2, 2.º
2600-169 Vila Franca de Xira
Tel.: 263 285 600 (ext. 5870/ 5871/ 5872)
E-mail: neorealismo@cm-vfxira.pt

sábado, 24 de março de 2007

A crise académica de 1962 na literatura de ficção

"Das vésperas da crise da Universidade à proibição do Dia do Estudante, aos confrontos em que a estudantada se desfraldou por inteiro, num rasgo de coragem igual à dos nossos tempos e muito mais determinação perante uma inovadora polícia de choque, da algidez do grande luto académico aos desagravos dos grevistas de fome em plena cantina universitária, eu sentira crescer dentro de mim a tristeza da minha condição de já não estudante. «Há muitas formas de nos solidarizarmos e de os acompanhar», dizia Raul, enfiado na sua bata branca de médico interno, perscrutando do alto do hospital num assomo de alucinação um formigueiro enraivecido a deixar-se resvalar pelas paredes das faculdades para, a seguir, atravessar a passo de enterro os relvados cobertos de luto por entre clamores de estádio e assobios de rua, enfim perdendo-se nos descampados da cidade universitária. Era um clima de guerra em que os desarmados defendiam a unidade de hoje pela união de amanhã - lema da juventude estudantil, não por um dia, por uma vida, por um destino. «Sejamos precisos e realistas: por uma geração que fosse!»"
Orlando da Costa
(Os netos de Norton, Porto, Eds. Asa, 1994, p. 125/6)