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domingo, 4 de novembro de 2007

Alexandre Babo in memoriam (1916-2007)

Faleceu esta sexta-feira o antifascista Alexandre Babo, aos 91 anos de idade. O seu féretro está hoje em câmara-ardente na Igreja Paroquial da Parede e o funeral realiza-se amanhã.
Alexandre Babo nasceu em Lisboa a 30/9/1916. Em 1933 ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa e em 1936 entrou para a Maçonaria, militando na Acção Anticlerical e Antifascista e no Bloco Académico Antifascista, onde lutou contra o salazarismo.
Com Amaral Guimarães e Abílio Mendes fundou as Edições Sirius, em 1941, que deram uma relevante contribuição cultural. Após a guerra, muda-se para Paris, como delegado da revista Mundo Literário.
Tornou-se militante do PCP desde 1943, tendo também participado no Socorro Vermelho, uma organização ligada à Internacional Comunista. Como advogado interveio em defesa de presos políticos nos julgamentos do Tribunal Plenário do Porto. Fez parte do Conselho do Porto do MUD e da Comissão Distrital da Campanha do General Norton de Matos, em 1948/9.
Foi co-fundador e director do Círculo de Cultura Teatral e do Teatro Experimental do Porto, tendo neste convidado António Pedro para encenador. Em 1959 saiu do TEP para fundar o Teatro Moderno, com Luís de Lima e Fernando Gaspar, sediado no Clube dos Fenianos, também no Porto. Várias das suas peças foram proibidas e apreendidas pela censura salazarista, nomeadamente Estrela para um epitáfio (1961) e Jardim público (1972), bem como os seus livros de contos Autobiografia (1957) e Sem vento de feição (1972).
Em 1960 muda-se para Londres, como correspondente do Jornal de Notícias e colaborador da BBC. Em 1964 regressa ao país, e funda O Palco Clube de Teatro, em Lisboa.
Em 1973 é um dos fundadores da Associação Portuguesa de Escritores (APE), tendo sido sócio da sucessora SPA desde 1977. Co-fundou ainda a Liga para o Intercâmbio Cultural Social Científico com os Povos Socialistas, a Associação Portugal-URSS e a Associação Portugal-RDA.
Foi colaborador regular das secções literárias de várias revistas e jornais. Entre a sua vasta obra literária, destacam-se as suas peças teatrais, os seus textos de crítica teatral e os livros autobiográficos Recordações de um caminheiro - entre duas guerras (1984), Recordações de um caminheiro - a longa espera (1993), Carlos Babo: o espírito da resistência (1995) e No meu tempo (1999).
Fontes principais: Infopedia, SPA e Urbano Tavares Rodrigues («Alexandre Babo escritor e revolucionário», in Avante!, n.º 1386, 21/6/2000). Nb: imagem retirada daqui.

domingo, 20 de maio de 2007

Luuanda: prémio e castigo

A 21 de Maio de 1965, o ministro da Educação Nacional determinou a extinção da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE). Na semana anterior, o Grande Prémio de Novelística fora atribuído a Luuanda, de Luandino Vieira. O premiado era membro do MPLA e estava preso no Tarrafal, acusado de atentar contra a «segurança do estado».
Numa altura em que o regime de Salazar forçava o país a envolver-se acriticamente numa guerra colonial em três teatros de operações para defender a integridade da «Nação pluricontinental» portuguesa, a posição de independência assumida pelo júri e pela SPE fez temer a afirmação de uma «quarta frente». Com o beneplácito da Fundação Calouste Gulbenkian (que deixou de financiar o Prémio), o Governo pôs em marcha uma campanha de propaganda para denegrir e silenciar esses «traidores» que habitavam no «andar de baixo do mundo confuso das artes e das letras» (editorial do Diário da Manhã, de 22/05/1965).
Luuanda foi publicado na capital angolana em Outubro de 1964, com o dinheiro do galardão Mota Veiga, e circulava em Lisboa desde o início de 1965, entre estudantes e intelectuais, em círculos próximos da Casa dos Estudantes do Império.
Alexandre Pinheiro Torres, no suplemento “Vida Literária e Artística” do Diário de Notícias, foi o primeiro crítico a reconhecer em Portugal a qualidade literária das três histórias que formavam o livro. Em conformidade com esta posição, propôs, enquanto membro do júri do grande Prémio de Novelística, a entrada da obra no concurso.
A 15 de Maio, o júri, também constituído por João Gaspar Simões, Manuel da Fonseca, Fernanda Botelho e Augusto Abelaira, reuniu-se para atribuir o prémio. Todos os jurados sabiam que Luandino estava preso no Tarrafal, mas não pensaram que a atribuição do prémio desse tanta polémica, levasse ao encerramento da SPE e à destruição da sua sede pela Legião e pela PIDE.
A 22 de Maio, foram chamados a depor na António Maria Cardoso e ficaram presos, excepto Fernanda Botelho que conseguiu «escapar», por ser funcionária da Embaixada da Bélgica. Alexandre Pinheiro Torres, o último jurado a ser, preso, conseguiu ainda enviar para o Jornal do Fundão a notícia da atribuição do prémio, acompanhada de uma fotografia de Luandino Vieira. A publicação da notícia valeu àquele jornal a suspensão de 180 dias.
Informação retirada de: Cláudia Castelo, “Prémio e Castigo”, Expresso, 20/05/1995, p. 98-105 [Revista]; imagem retirada daqui.

sábado, 12 de maio de 2007

A resistência à Ditadura Militar e a fuga de Aquilino

Acaba de ser publicado um inédito de Aquilino Ribeiro (1895-1963) onde este conclui o relato da sua fuga do presídio do Fontelo para França.
O texto alude à fase inicial de combate democrático à Ditadura Militar, 1927/8, incluindo as movimentações e conspirações republicanas em que o escritor beirão tomou parte activa.
Este relato é uma parte da sua autobiografia nunca publicada, Tempos do meu tempo, embora esta e outra fuga política do cárcere, em 1908, venham referidas nos seus livros O arcanjo negro (1947) e Um escritor confessa-se (memórias), obra póstuma, de 1974 (vd. excerto aqui). Jorge Reis recolheu os escritos do exílio parisiense de Aquilino em Páginas do Exílio. Cartas e crónicas de Paris (1988).
O relato agora publicado pelos Cadernos Aquilinianos é a continuação dum outro artigo editado no seu n.º 3, de 1995. Esta revista é editada em Viseu pelo Centro de Estudos Aquilino Ribeiro.
Mais informações na notícia "Aquilino inédito" (O Primeiro de Janeiro, 12/V).
O seu espólio particular, composto por 138 cxs., está depositado na BN (vd. aqui).
PS: em 2006 a RTP produziu uma série baseada no romance Quando os lobos uivam (vd. aqui), obra de 1958 na qual Aquilino ficciona a resistência campesina e que custaria ao autor a proibição do livro bem como uma inaudita perseguição política e judicial (este caso é relatado no ensaio Em defesa de Aquilino, de Alfredo Caldeira e Diana Andringa, bem como em "Aquilino Ribeiro e a justiça", de Martinho da Silva); tb. recentemente a Fundação Aquilino Ribeiro editou o Catálogo da Biblioteca de Aquilino Ribeiro.
Na imagem, o grupo fundador da revista Seara Nova (da esq.ª para a dir.ª): Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença e Câmara Reis; sentados: Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Brandão (Coimbra, IV/1921). Jaime Cortesão acompanhará Aquilino no exílio, onde se envolverão em organizações de resistência à ditadura.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Livros proibidos pela Ditadura Militar e o Estado Novo

Luísa Alvim elaborou em 1992, no âmbito do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o trabalho que agora se divulga. Trata-se de uma bibliografia dos livros censurados durante a Ditadura Militar e o Estado Novo (1926-1974), existentes em três bibliotecas de depósito legal: Biblioteca Pública do Porto, Biblioteca Pública de Braga e Biblioteca Nacional. A bibliografia está organizada por áreas temáticas, segundo o esquema da Classificação Decimal Universal (CDU), e é seguida por um índice de autores e responsáveis e por um índice de títulos.
A pesquisa bibliográfica foi realizada nos catálogos manuais da Biblioteca Pública do Porto, da Biblioteca Pública de Braga, na Base Nacional de Dados Bibliográficos - PORBASE e numa biblioteca particular.
Esta é uma boa ferramenta para o estudo da Censura e da política cultural do Estado Novo e está disponível, desde finais de Abril, no site E-LIS - E-Prints in Library and Information, um arquivo em livre acesso para documentação no domínio das Ciências da Informação.