terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Balanço do inquérito (guia de fontes sobre a resistência-IV)

No passado dia 16 de Junho, demos conta neste blogue do projecto de um Guia de fontes para a História da resistência e da oposição à Ditadura Militar e ao Estado Novo, baseado em informação que seria fornecida pelos municípios do país.
Pretendeu-se levar a cabo uma iniciativa cívica de recolha e partilha de informação, que contribuísse para dar a conhecer, caracterizar e divulgar junto de toda a comunidade nacional o património documental referente àquela temática, o qual se encontra, por doação, compra ou qualquer outra forma de incorporação, à guarda dos municípios portugueses (seja nos respectivos arquivos, bibliotecas, centros de documentação, museus ou outros equipamentos).
Lançámos um inquérito às 309 câmaras municipais de Portugal, para apurar onde existiam colecções, espólios, fundos arquivísticos ou bibliotecas particulares de resistentes ou opositores (tanto indivíduos como organizações) à Ditadura Militar e ao Estado Novo. O pedido seguiu nesse mesmo dia, por correio electrónico.
Comprometemo-nos a tratar e disponibilizar na Internet, através do blogue e do site do Movimento, a informação recolhida.
Hoje vimos fazer o balanço desta iniciativa. Lamentavelmente, a taxa de respostas foi extremamente reduzida. Apenas recebemos respostas de 9 câmaras: 2 deram resposta positiva (Guimarães e Santiago do Cacém); 6 deram resposta negativa (Baião, Castro Verde, Fafe, Lagos, Tavira e Torres Novas); e uma acusou a recepção do inquérito (Seixal).
Agradecemos publicamente às Câmaras que responderam ao nosso pedido, reconhecendo a pertinência da iniciativa.
A esmagadora maioria dos municípios, no entanto, não manifestou interesse por esta iniciativa da sociedade civil, o que indicia um défice preocupante de comunicação entre o poder local e os movimentos de cidadãos.
A informação que nos chegou não é representativa do universo documental existente, pelo que com ela não será possível elaborar um guia de fontes. Ainda assim, achámos por bem fazer este balanço, até para servir como forma de sensibilização das entidades públicas para a necessidade de ser apoiada a recolha e divulgação de fontes sobre a resistência antifascista. Continuamos convictos de que a feitura deste tipo de guias serve igualmente como contributo inestimável para a salvaguarda da memória cívica e o exercício da pedagogia democrática.
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Imagem de gravura do artista plástico Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957), que faz parte do espólio da Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia, localizada na sua aldeia natal, Pavia (Alentejo). O centenário do seu nascimento foi celebrado em 2007, por iniciativa do município local, Mora. Também o Blog da Rua Nove disponibiliza uma série de ilustrações que este artista realizou para livros e revistas culturais.

1 comentário:

António Melo disse...

Não vamos desistir. A partir do projecto inicial vamos recordar às 307 desmotivadas Câmaras o erro que cometem. E valorizar os exemplos de Guimarães e Santiago do Cacém.
Parabéns pelo trabalho feito e pelo rigor no seu desempenho. Mais uma razão para prosseguir.
Ab. A. Melo